Resenha: Gorgon – “Traditio Satanae” (2021)

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A banda francesa de Black Metal, Gorgon, fundada em 1991, começou como um quinteto quando gravou o EP “Immortal Horde”, em1993. Eles foram reduzidos a um quarteto já no primeiro full lenght, “The Lady Rides a Black Horse”, que foi lançado em 1995. No lançamento de seu quarto disco, “The Spectral Voices”, eles passaram a ser um trio. Isso aconteceu em 2000. Após um hiato de 19 anos, o penúltimo registro, “The Veil Of Darkness” contou apenas com Christophe Chatelet, o qual faz parte do line-up desde o princípio, na execução do vocal e dos instrumentos. No último dia 11 de junho, foi lançado “Traditio Satanae”, sexto álbum do Gorgon, segundo com sua formação One-Man-Band.

Até esse ano, confesso que eu não conhecia o trabalho do Gorgon e o mesmo me surpreendeu, positivamente. Sua sonoridade Black Metal tradicional com uma fundamental pitada de Speed/Thrash Metal soa extremamente agradável. Chris, como ele se identificava nos primórdios da banda, me convence inclusive com seus vocais rasgados, mas nítidos, buscando o peso, a podridão e a brutalidade, porém sem abrir mão da melodia e da clareza em sua execução vocal. Também devido às faixas serem bem aceleradas, em alguns instantes da audição, a impressão é de estar ouvindo Black/Thrash, ainda que a prevalência seja do mais puro old school do “Metal Noir’. Não há aquelas músicas mais lentas e viajantes que beiram a pegada Doom Metal, as quais costumamos encontrar em muitos lançamentos desse subgênero infernal.

Vamos começar nossa jornada comentando a faixa de abertura, “Blood Of Socerer”, a qual foi single do trabalho. O cartão de visitas do sexto registro completo do Gorgon é também sua música mais acelerada. Se existisse tal definição, ela poderia ser classificada como Black/Thrash/Speed Metal, pois é essa a minha exata impressão. Inclusive essa canção desperta, imediatamente, o interesse por ouvir todo o restante da obra.

“Blood Of Sorcerer”:

“Death Was Here” é quase tão rápida quanto sua antecessora, tendo os mesmos 2m41s de duração, porém com mais variações rítmicas, parecendo mais Black/Thrash. “Entrancing Cemetery” é mais cadenciada e possui uma atmosfera sonora com ares épicos, impressão essa promovida pelos riffs e teclados. ”Let Me See Behind“ retorna ao ritmo alucinante dos dois primeiros temas, carregando todos os seus ingredientes sonoros. “Sacrilegious Confessions” se apresenta com riffs mais simples e marcantes e uma surpreendente veia Blackened Death Metal, os quais me remetem a sonoridade da banda paulista Spiritual Hate. “My Filth Is Worth Your Purity” é bem mais cadenciada que as anteriores, sendo um híbrido de semelhanças. As guitarras dedilhadas passam uma vaga ideia desde Heavy a Melodic Black Metal.

A faixa título segue uma receita semelhante a da canção anterior, porém com momentos bem acelerados. Destaco o lindo arranjo de baixo que domina as ações em algumas partes. A ausência da exagerada ambientação sombria dá a sonoridade desse disco uma característica única. “As Dawn Will Be Slow to Come” é uma pequena faixa que dá passagem a “The Long Quest”, que é a minha favorita, pois ela é uma junção de todos os adjetivos e elementos interessantes presentes no álbum. Ressalto a importância do trabalho de guitarra de Christophe, o qual faz a total diferença na personalidade de sua música. Vale muito à pena realizar a audição com especial atenção no trabalho de guitarra. Novamente a sonoridade do Spiritual Hate chega a minha mente e essa reminiscência é espetacular nessa fase de apreciação desse belo full lenght.

“Scorched Earth Operation” é recheada de riffs trabalhados que dão um toque moderno a composição do Gorgon. Devo salientar que essa característica pode ser notada em outros momentos. “At The Beginning There Was Hate” encerra o disco em altíssima vibe e isso é algo que me chama bastante atenção em um disco de Black Metal, pois apesar de representar uma aura pesada e certas vezes até depressiva, as composições do Gorgon fomentam boas energias.

Ao lado dos álbuns “Beneath Of The Great Sky Of Solitude” do Dusk In Silence, “The End Time – Continuum” do Born Of Thorns, “Sleep Paralysis” do Tragedy In Hope e do “Far Beyond Insanity” do Hymnr, “Tradition Satanae” do Gorgon faz parte do time dos melhores álbuns de Black Metal que escutei em 2021. Aprovado e indicado para fãs de Black Metal old school, Black/Thrash Metal e Black/Speed Metal.

Nota: 8,8

Integrantes:

Christophe Chatelet (voz, instrumentos)

Faixas:

  1. Blood of Sorcerer
  2. Death Was Here
  3. Entrancing Cemetery
  4. Let Me See Behind
  5. Sacrilegious Confessions
  6. My Filth Is Worth Your Purity
  7. Traditio Satanae
  8. As Dawn Will Be Slow to Come
  9. The Long Quest
  10. Scorched Earth Operation
  11. At the Beginning There Was Hate

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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