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Resenha: Disaster – “Secrets From The Past” (2021)

Iron Shield Records

Após 6 anos do lançamento de seu registro de estreia, intitulado “Blasphemy Attack”, os colombianos do Disaster retornam fazendo uma Thrash Metal muito mais trabalhado e maduro, com o novo “Secrets from The Past”, mais uma vez pelo selo Iron Shield Records, com lançamento agendado para 19 de novembro deste ano.

   

A América do Sul possui em leque gigante de bandas a serem exploradas por seu público, que normalmente perde a atenção para as novidades da terra do Tio Sam e a Europa. Quando se trata de Metal extremo, a quantidade de grupos saindo das sombras buscando seu lugar ao sol é enorme, e a cena colombiana de Thrash e Death Metal vem gradativamente chamando a atenção mundo afora.


Formada em 1997, na famosa cidade de Medellín, o Disaster surgiu dos confins do Underground colombiano, fazendo um Thrash Metal brutal e sujo, com o lançamento da Demo intitulada “Rehearsal” no de 2002. Com exceção do membro fundador, Andrés Álvarez (guitarra e vocal), a banda passou por diversas mudanças de formação ao longo dos anos, se apresentando ao vivo muito esporadicamente. Apenas no ano de 2014, após assinar contrato com o selo alemão Iron Shield, temos o lançamento de seu primeiro full-lenght, o destruidor “Blasphemy Attack”, se inspirando totalmente nas principais bandas dos primórdios do Thrash oitentista e nas principais bandas da nova geração, como Havok e Angelus Apatrida. O registro foi muito bem avaliado pela mídia especializada mundialmente, rendendo diversas apresentações na divulgação do álbum.

Créditos: Facebook/Disaster Thrash Metal Medellín

Após mais uma mudança na formação, o Disaster inicia o processo de composição de seu segundo álbum, em meados de 2017 e 2018. Após quase 2 anos de produção, edição, mixagem e uma miserável pandemia global, temos o lançamento de “Secrets From The Past”, um registro com uma nítida e estridente evolução musical e uma produção surpreendente.

“Demonic Curse”, primeiro single disponibilizado, abre o registro da maneira mais direta possível e logo a partir da primeira faixa, podemos afirmar que o destaque total fica a cargo do primoroso instrumental da banda, dos riffs cheios de peso e agressividade, e cozinha estrondosa que conduz a banda até fim. Além de seus nomes, pouco sabemos sobre os novos músicos que compõem o atual line-up, porém é necessário desde já tirar o chapéu para os senhores Juan Camillo Gallego (bateria) e Esteban Arboleda (baixo e vocal de apoio)


Dando continuidade, temos “Ancient Rites”, uma faixa devastadora com algumas camadas, apesar de estarmos falando aqui de uma banda essencialmente Thrash Metal, podemos escutar algumas influências diretas do Death Metal old school, deixando a sonoridade bem encorpada em algumas faixas.

“Cold Blood” mostra como esse registro é uma verdadeira caixinha de surpresas, aqui temos uma daquelas amálgamas sonoras que tanto citamos aqui em diversas ocasiões. Imagine algo como, um encontro entre Running Wild (fase clássica) e Suffocation, interessante não? Sem dúvida, o cenário do Metal e o gênero em si, nunca foi tão rico e vasto como é nos dias de hoje, o cardápio de inspirações é colossal.

Assim como é descrito em seu título, “Suffer in Pain” descreve todo o tipo de sofrimento físico e psicológico, do ouvir de vozes até e sentir a presença do maligno nas sombras da noite. Assim como sua antecessora, essa faixa lembra muita uma cria maldita entre dois medalhões germânicos, Sodom e Grave Digger, ou seja, pura ignorância de ogro.

Temos aqui um dos momentos que ratificam o que foi afirmado nos primeiros parágrafos em relação aos membros da banda, “Living Fast Dying Young” é uma faixa instrumental simplesmente fantástica, cheia de riffs viciantes, solos alucinantes e melódicos, uma verdadeira amostra do poderio absurdo que o Disaster possuí atualmente.

“Without Tomorrow” tem um dos momentos que mais agradam e satisfazem este que vos escreve, a incansável e inclemente cozinha responsável por esse álbum. O ritmo estabelecido pelo baixo pulsante e a cristalina mixagem da bateria são os dois fatores que elevam esse registro, sem dúvida. Por outro lado, aqui os solos começam a cair na mesmice mórbida oque pode se tornar desgastante.

“Blinded” é aquela música conduzida pelos riffs sanguinários, que acompanham as linhas vocais, e aqui é necessário citar o esforçado e interessante desempenho de Andrés Álvarez , intercalando entre vocais brutalmente agressivos e estridentes, agudos estonteantes, e em vocais mais limpos durante as faixas. Confesso que a principio, foi um aspecto muito frustrante e irritante no registro, todavia, com o decorrer da audição é notável como o ouvinte pode se adaptar muito facilmente a essa sonoridade.

“Dark Reality” traz novamente o Groove e a aquela cadência robusta e bochechuda, que encontramos facilmente nos mais icônicos registro de Thrash, mas como citado lá em cima, o álbum está cheio de pequenas surpresas, e nesta faixa ainda temos um breve, porém satisfatório momento inspiradíssimo na inconfundível sonoridade do poderoso Obituary.

Toda a violência e perversidade, do inicio do registro, é trazida de volta sem dó em “Promised Land”, simplesmente, inevitável não ouvir uma pouco da receita insana dos americanos do Havok, desde a construção da faixa até os gritos alucinados do Sr. Álvarez.

Ainda nos últimos minutos que encerram o registro, mais uma surpresa com a instrumental “Desillusions”, diferente de sua meia irmã que se encontra no meio do álbum, a última faixa é mais calma, melódica, bem mais trabalhada e técnica, fechando o disco de uma maneira inesperada, um verdadeiro Yin e Yang, duas forças opostas que se complementaram.

Este mais novo registro, é inegavelmente, um disco diferente de seu antecessor e muito por sinal, se em “Blasphemy Attack” (2014) a proposta era buscar a brutalidade e agressão sonora em seu ápice, neste segundo registro temos uma banda buscando novos rumos e novas camadas para formar a própria identidade. Não é injusto afirmar que o Disaster ainda não tenha necessariamente uma identidade, apenas por ser uma banda de Thrash, o que não é demérito algum, muito pelo contrário, este novo álbum mostra que a banda está no caminho certo, e vale muito a pena conferir, mais um exemplar do riquíssimo Metal Made in Colombia.

Nota: 8,2

Integrantes:

  • Andrés “Morbid Dog” Álvarez (Guitarra e Vocal principal)
  • Esteban Arboleda (Baixo, vocal de apoio)
  • Juan Camillo Gallego Vélez (Bateria)

Faixas:

  • 1.Demonic Curse
  • 2.Ancient Rites
  • 3.Cold Blodd
  • 4.Suffer in Pain
  • 5.Living Fast Dying Young
  • 6.Without Tomorrow
  • 7.Blinded
  • 8.Dark Reality
  • 9.Promised Land
  • 10.Desillusions

Redigido por: Giovanne Vaz

   
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