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Resenha: Dawn Of Solace – “Flames Of Perdition” (2022)

Noble Demon

   

Ainda sob o barulho de fogos que anunciavam a chegada de um novo ano, eis que me deparo com o novo álbum de inéditas dos finlandeses do Dawn Of Solace, projeto que envolve o vocalista e guitarrista Tuomas Saukkonen (Before The Dawn, ex Black Sun Aeon, Wolfheart, etc) e o também vocalista Mikko Heikkilä (Kaunis Kuolematon, Metallijate, ex Sinamore, ex, Black Sun Aeon, ex Red Moon Architect, etc).

Intitulado “Flames Of Perdition”, o novo trabalho (terceiro da carreira) inicialmente estava previsto para ser lançado em novembro do ano passado, no entanto mudanças de planos adiaram-no para o dia 28 de janeiro deste ano, e em época de download algumas esperas podem chegar ao fim mais cedo do que o se imagina, e cá pra nós, não há motivo algum para reclamar. Ao contrário, a gente agradece.

Divulgação / Facebook

Formado em 2005 em Lahti, Päijät-Häme (Finlândia), inicialmente o projeto nasceu como uma One Man Band, contando apenas com seu criador e idealizador, Tuomas Saukkonen, o Dawn Of Solace lançou no ano seguinte, em 2006 o ótimo “The Darkness”, álbum de estreia editado em maio do referido ano.

Um ano após o lançamento, seu sucessor já estava engatilhado já que na ocasião o músico dispunha de todas as composições finalizadas e os planos de entrar em estúdio aconteceriam em 2007, no entanto devido a algumas questões envolvendo o nome da banda a ideia foi engavetada, e em 2013 o músico decretava o fim das atividades do Dawn Of Solace, ao mesmo tempo que anunciava o início das atividades de sua nova banda, o Wolfheart.

Felizmente o hiato durou pouco tempo, e em fevereiro de 2019, Tuomas anunciou o retorno do Dawn Of Solace, seguido do excelente “Waves”, segundo trabalho de inéditas lançado em janeiro de 2020, agora em parceria com Mikko Heikkilä, responsável pelos vocais “limpos”.

Contendo oito faixas inéditas, “Flames Of Perdition” ainda traz as faixas “Dead Air”, oficialmente gravada no álbum de estreia e “Lead Wings”, single lançado em novembro de 2019, o primeiro após o retorno oficial da banda.

Vale salientar que aqui ambas aparecem como faixas bônus, gravadas em versões “Acoustic Live” em estúdio. Ao menos familiarizado com a sonoridade do grupo, pode-se dizer que o duo passeia por estilos como o Melodic Doom Death, Death Doom, Gothic Doom, etc, além de trazer claras influências de grupos como Soen, Amorphis, Summoning, Moonsorrow, Elmsfire, Insomnium, Paradise Lost (fase, Icon e Draconian Times), My Dying Bride, Katatonia, Opeth, Darkseed (fase inicial), além é claro de nomes como Before The Dawn, Black Aeon Sun, Kaunis Kuolematon, Sinamore e Wolfheart. Estes últimos, por motivos óbvios.

Reprodução / Facebook

Apresentações feitas, é hora de mergulhar nas melodias densas, melancólicas, depressivas e geniais de “Flames Of Perdition”, um álbum para ser ouvido em dias excessivamente nublados ou de tempestade intensa.

O disco abre com a estupenda “White Noise”, belíssima faixa de abertura e de cara uma certeza: Estamos diante de um trabalho fabuloso! Em seus quase seis minutos de duração, a canção traz em suas harmonias doses espetaculares de peso e uma dose cavalar de melancolia que envolve o ouvinte, transportando-o a uma atmosfera depressiva e mórbida, graças aos vocais de Mikko Heikkila que soam tristes e envolventes ao mesmo tempo.

É como se estivéssemos ouvindo um híbrido entre Katatonia, Paradise Lost, Soen, Opeth e My Dying Bride numa única canção. A participação especial do guitarrista Jukka Salovaara (Sole Remedy) funciona como a “cereja do bolo”, já que seu solo é simplesmente espetacular e preciso.

   

Após a última nota emitida, é recomendável usar a tecla “repeat”, encher os pulmões e cantar seu refrão em alto e bom som:

“Hear me / When I speak / The words without a sound / And Try to comprehend / Decipher the code of silence / Translate the language of the numb…”

*Lançado em 27 de agosto de 2021 como single de estreia a canção ganhou um belíssimo e merecido videoclipe.

Seguindo a mesma linha de sua antecessora, “Erase” dá continuidade ao brilhante trabalho de abertura precedido por “White Noise” apresentando harmonias menos densas e desprendendo-se um pouco da melancolia, embora ouvindo atentamente as linhas de vozes percebemos que elas estão lá, e que no decorrer do disco elas aparecerão.

O início de “Flames Of Perdition”, faixa que batiza o álbum, nos dá a certeza de que a banda bebeu na fonte dos americanos do Paradise Lost, em especial do magistral “Draconian Times”.

Não que as canções sejam idênticas, porém é muito claro que as linhas de piano (teclados) e os riffs de guitarras tracem uma certa semelhança entre os grupos, quebrada apenas pelos vocais, já que as linhas de vozes de Chris Holmes (Paradise Lost) soam mais graves e guturais.

A verdade é que temos aqui uma trinca absurdamente perfeita e caso o disco não apresentasse bons momentos a seguir, o que ouvimos até o momento já seria o suficiente para uma boa nota e para classificar este trabalho como “espetacular”.

Destaques para as linhas de violões que unidas ao piano, formam uma dupla mais que perfeita e nossos ouvidos agradecem.

Numa atmosfera voltada ao folk, “Dying Light” é mais uma faixa estupenda, e mais um grande momento do disco. Com sua sonoridade que nos remete ao Amorphis do álbum “My Kantele” somos envolvidos pelas linhas geniais de violões que se unem aos riffs de guitarras, e juntos formam a base perfeita numa canção que genialmente traça o equilíbrio entre peso e melodia.

Reprodução / Facebook

Em dado momento, a impressão de que os vocais pertencem a Joel Ekelöf (Soen), Crister Olsson (Ereb Altor) e Mikael Åkerfeldt (Opeth). Seguindo em alto estilo, e trilhando a mesma estrada de suas antecessoras, “Event Horizon” não decepciona e mantém o disco em alta.

Pesada, densa, soturna e sutilmente melancólica, suas melodias remetem aos noruegueses do Tristania, quando estes lançaram o ótimo “World Of Glass”. Ouvindo atentamente as harmonias de “Event Horizon”, é possível traçar um parâmetro musical entre as duas bandas, em especial a parte instrumental já que nas linhas de violões temos a nítida impressão de que estamos ouvindo “Equilibrium”, presente no álbum supracitado do quinteto norueguês.

   

*Temos aqui o terceiro single e mais uma faixa com direito a videoclipe.

Numa espécie de conexão musical, “Black Shores” dá sequência ao clima pesado e introspectivo do álbum, apesar de conter em suas harmonias andamentos mais rápidos e acelerados, deixando aquela pegada arrastada momentaneamente de lado.

Em mais um momento onde nomes como Katatonia, Opeth e Amorphis vêem a mente, “Skyline” é a bola da vez e também o segundo single que antecedeu o álbum.
Apresentando um clima mais arrastado e harmonias que mergulham de cabeça no Doom Metal, somos envolvidos por uma aura solitária, sombria e envolvente de uma canção majestosa, encantadora e magnificamente depressiva.

Hipoteticamente, falando, poderíamos afirmar que esta é a ‘balada’ presente no disco, embora esta classificação não seja de fato coerente, e por isso mesmo o pressuposto. Tal suposição deve-se ao fato da mesma apresentar uma atmosfera mais branda, envolta em vocais densos e carregados de melancolia, interpretados brilhantemente por Mikko Heikkilä, dono de um timbre excepcional que casou perfeitamente com a sonoridade da banda. Mais uma vez, os violões semi acústicos promovem um encontro, desta vez com as notas magistrais de piano resultando numa união musical perfeita, e de certa forma, peculiar.

*Temos aqui mais uma faixa contemplada com um videoclipe, e uma canção propícia para dançar coladinho com a patroa, enquanto as crianças se divertem vendo “Patrulha Canina (Paw Patrol)” no cinema.

Não fossem as faixas bônus, teríamos a última música do álbum. Diferente de tudo que se ouviu até o momento, “Serenity” apresenta em seus quase quatro minutos de duração uma canção simples e sem muitos andamentos já que a mesma dá ênfase principalmente aos violões, deixando as guitarras e os vocais ausentes.

Não se trata de uma música excepcional já que suas notas se repetem em toda sua estrutura, porém ela traz um certo encanto sonoro e caiu muito bem como a faixa que antecede o final desta obra prima.

Podemos dizer que trata-se de uma “intro” às avessas, visto que normalmente canções com estas características são responsáveis por serem faixas de abertura, porém aqui ela faz o papel contrário.

O disco encerra com “Lead Wings” e “Dead Air”, faixas que ganharam versões acústicas gravadas ao vivo em estúdio, e apesar das versões originais serem magistrais, é importante salientar que suas releituras não decepcionaram. Ao contrário, ficaram espetaculares (opinião pessoal). Comparado a “The Darkness”, disco de estreia lançado em 2006, os novos trabalhos , “Waves” e “Flames Of Perdition”, seguem uma linha musical diferente já que os vocais guturais de Tuomas, definitivamente ficaram de lado. Não que eles comprometessem a sonoridade da banda, porém ao apostar nos vocais limpos de Mikko Heikkilä, o Dawn Of Solace enveredou por um caminho musical mais acessível e de certa forma mais comercial, sem deixar suas origens pesadas e agressivas de lado.

Importante salientar os trabalhos excepcionais de violões e pianos, somados as partes acústicas de algumas canções, que genialmente traçam um paradoxo perfeito entre a luz e a escuridão. Paralelo aos trabalhos estupendos de suas bandas oficiais, Wolfheart e Kaunis Kuolematon, Tuomas e Mikko navegam por águas brandas com o Dawn Of Solace, mostrando que o projeto tem tudo para se tornar um dos importantes nomes do Melodic Doom/Gothic Doom da Finlândia.

Mais que um trabalho genuíno, “Flames Of Perdition” é sem dúvidas uma excelente obra musical que agradará em cheio aos fãs dos grupos supracitados, bem como aos amantes do Metal finlandês feito com precisão e qualidade.

   

Impossível não destacar o trabalho pomposo e soberbo de composições, bem como a excelente produção a cargo do incansável Tuomas Saukkonen.
Banda e discos altamente recomendados.

Nota 9,0

Integrantes:

  • Tuomas Saukkonen (vocal gutural, guitarra, baixo, bateria, teclado, piano)
  • Mikko Heikkilä (vocal limpo)

Faixas:

  • 1.White Noise
  • 2.Erase
  • 3.Flames of Perdition
  • 4.Dying Light
  • 5.Event Horizon
  • 6.Black Shore
  • 7.Skyline
  • 8.Serenity

Bônus:

  • 9.Lead Wings (live)
  • 10.Dead Air (live)

Redigido por Geovani “Gigio” Vieira

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