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Resenha: Dammnatorum – “In Umbra Mortis” (2023)

Representando o Metal da Morte polonês, a banda Dammnatorum lançou o álbum “In Umbra Mortis”.

   

O universo polaco envolvendo o Metal Extremo, é um cardápio de altíssimo nível. Com o intuito de promover mais discos de qualidade e muito peso, o Dammnatorum assume a grande responsabilidade de tremular a bandeira de seu país, o tornando ainda mais forte nesse quesito.

A princípio, Bydgoszcz, Kujawy-Pomerania / Wrocław, Lower Silesia deve ser citado. Afinal, esse é o ponto no mapa a qual estamos nesse momento. Caso saiba a pronúncia polonesa, é provável que não sinta incômodo ao ler o nome da localidade da banda.

O Dammnatorum surgiu em 2018, mas somente em 2020 lançou seu primeiro registro oficial, o single “Tenebrae”, presente no álbum estreante.

Três anos se passaram e agora em 2023 chegou a hora de lançar seu primeiro full length, “In Umbra Mortis”. Lançado de forma independente no dia 1º de junho, o álbum marca de fato o momento positivo em que o Metal de bandeira alvirrubra vive. Szymon Grodzki assina a mixagem e masterização do álbum.

Os amaldiçoados

Dammnatorum/Facebook

Além disso, o baxista Robert Wiśniewski, o baterista Dariusz Karwecki, o guitarrista Piotr Nadolski, e o vocalista Vesper Locust formam o quarteto dos amaldiçoados. No entanto, a banda pratica o bom e velho latim em suas letras.

Primordialmente, antes de saltar no abismo maldito das ondas sonoras do Dammnatorum, mencionamos que o risco de um Death Metal imponente, impetuoso e imperdoável aos ouvidos de poliéster é muito grande.

Uma vez que o aviso foi dado, é hora de encarar esse novo desafio. Afinal, para quem gosta de Death Metal polonês, a expectativa fica triplicada.

Caminhando até o primeiro hino macabro…

…Estou diante de você. Eis o recado da primeira canção. Decerto, a mensagem não é muito tranquila e a sonoridade menos ainda. Sons sofrimento, criaturas sombrias é ouvido ao longe, enquanto o personagem descobre uma fenda… E dessa fenda, abre caminho para um túnel… Com toda a certeza, esse é o caminho para encontrar os espíritos do mal. Seguindo a trilha oculta, “Te Coram Sto” entrega um banquete de notas mais arrastadas, sob a luz negra da bateria e o alicerce profano do contrabaixo.

A trama vai ganhando efervescência com a violência sonora adquirida em um misto de seus compatriotas do Hate e o Master de Paul Speckmann. Entretanto, os refrãos apresentam em seu menu algo nos moldes de um conclave do submundo, bem como os gregos do Rotting Christ costumam fazer, porém, nesse caso com uma roupagem sangrenta ao invés de pútrida e trevosa.

Juntamente com os riffs e melodias ultrajantes (no bom sentido!), temos os malevolentes solos de guitarra com a assinatura de Piotr Nadolski, chará do seu compatriota e líder do Vader, Piotr Paweł Wiwczarek. Sendo então, mais conhecido como Peter.

   

Os abalos sonoros sísmicos tornam a canção mais agressiva, apresentando linhas insanas de bateria de Dariusz Karwecki, bem como uma locomotiva controlada por gárgulas que pisam fundo com seus pés de pedra.

Dammnatorum/Facebook

Indo de frente ao pesadelo sonoro trovejante…

…Atravesso a morte. O som contínuo amplia seu espaço e promove uma explosão, com a intenção clara de te colocar dentro do círculo de fogo e sem escapatória quanto aos seus riffs e jogo de pedais trituradores de mentes vãs.

Certamente, Immolation, novamente Vader e Behemoth entram nessa rica história de devastação abissal através da música maldita.

A guitarra acompanhando os vocais é um atrativo a mais para os serviçais do submundo. “Per Mortem Vado” possui o poder do Rotting Christ em seus refrãos, alternando com toda a camada obscura e profana. Assim, o resultado acaba por ameaçar o amanhecer, tamanha a escuridão das viradas e sequências abissais (no sentido de magistral) de bateria.

Portanto, somando todo esse arsenal de guerra entre mundos com as mensagens jogadas aos quatro cantos do plano terreno em latim, oferecem um charme único para a obra.

A mente fechada de um líder apenas oferece…

…A saída para a destruição. Com uma intro intimidadora, já demonstrando total interesse em esquartejar as almas penadas que infestam os vilarejos e monumentos, a horda ataca agora em bando, utilizando alguns ensinamentos do norte-americano Massacre.

Como lobos famintos, dão seguimento à trama de maneira que abra caminho para os solos comoventes a ponto de fazer um gárgula petrificado chorar de emoção.

As notas agudas trazem à tona algo de Immolation em meio ao trem de ferro que percorre os trilhos musicais sem desviar o seu percurso jamais.

O módulo extremo perpetua no álbum de modo que não deixe nenhuma dúvida quanto ao estilo executado, reforçando o poder de fogo do Death Metal característico de sua região. “Exitium” é a saída para manter intacta a ideia de continuar o ouvindo o disco sem deixar a tocha se apagar.

Dammnatorum/Facebook

Lembranças malignas revelam um inimigo de outro tempo, que desperta…

…uma fúria antiga. Sem qualquer cerimonial, a porta é aberta para o caos sonoro contabilizar as suas vítimas, enquanto limpa a área a ser preservada pelo Metal Extremo.

   

“Furor Priscus” carrega consigo aquele amálgama característico com pedais duplos contínuos, muitas viradas com tons vibrantes e sempre apoiadas por um contrabaixo malevolente e perspicaz.

A velocidade aumenta a partir da segunda parte, misturando-se com momentos mais calmos, assim destacando toda a estrutura sonora. A ideia não oferece muitas novidades, porém na hora dos solos, tudo fica completamente catastrófico, a ponto dos diferenciais prevalecerem como joias místicas do inferno.

As guitarras oferecem o ritmo e o efeito essenciais com o intuito de transferir o clima de fim do mundo para os ouvidos do alvo atento.

Aquele que se alimenta da carne de animais mortos…

…O necrófago. Enquanto se escuta ao longe gritos de vítimas apavoradas, o alimento apodrecido é oferecido ao senhor dos mortos em forma de devastação sonora.

Os riffs aprimoram o serrote macabro na forma de guitarra, ao mesmo tempo em que as pausas destacam esse mesmo riff.

De maneira sórdida e competente, o andamento rústico engloba todo o alicerce sonoro formado por uma bateria robusta e um baixo que a complementa muito bem. Assim, emanando todas as características contidas em todo o álbum.

“Necrophagus” explora os corredores da arte musical extrema, se alimentando e dilacerando através dos breves solos viscerais. Todavia, é necessário um final primoroso para uma grande obra e isso é realizado de maneira coesa e equilibrada.

Dammnatorum/Facebook

O bosque dos suicídios…

…A floresta de Aokigahara. O terreno nipônico difícil de caminhar por conta das raízes esparramadas das árvores, dos galhos secos e as dificuldades por conta do solo vulcânico acidentado, é o cenário a qual estamos inseridos a partir de então.

A densa floresta é representada por uma violência sonora inicial, que se assemelha ao Behemoth e também aos neerlandeses do Sinister. Com toda a habilidade demonstrada nos tangos anteriores, a locomotiva corta o verde das árvores através dos trilhos, com toda a certeza de que haverá uma plateia sofrível, vã e perdida diante do fim dado pelos mesmos.

O conjunto de notas incisivas, distorcidas ao ponto de espalhar todo o poderio do quarteto, acelera ao passo que a bateria resolve envolver mais camadas velozes e insanas em seu arsenal.

Quanto aos solos de “Aokigahara”, estes soam como gargarejos de espíritos zombeteiros que perambulam pela vasta e densa floresta. Ao chegar até o lago próximo, o som se acalma e termina de forma melancólica.

   

O temor dos espectros…

…A destruição das almas. Essa sim possui uma introdução diferenciada com uma melodia catatônica, com o intuito de servir o banquete para os vocais rasgados, apontando para o Metal Negro, mas sem mergulhar nas águas desse tradicional pântano.

Como sirenes em alusão ás autoridades profanas, os solos reagem e destroem a muralha do imperialismo da música ruim e nefasta. Dedilhados velozes rasgam o tecido do tempo, oferecendo o espaço aberto desse modo para a arrancada de mais um encouraçado sonoro.

Nesse instante, em meio aos pedais e jogos de pratos, o andamento é mais cadenciado com o propósito de ser realmente mais pesado e mais intenso em um misto de Immolation e novamente Rotting Christ nos detalhes específicos.

Antes do fim da canção, a mesma acelera o passo, modificando sua trajetória de maneira excepcional. Assim sendo, um ótimo encerramento para “Animarum Pernicies”.

A entropia humana…

…A passos largos para a escuridão. E se até o universo perecerá de forma entrópica um dia, por que a humanidade permaneceria intacta?

De acordo com o enredo, “Tenebrae” inicia sua jornada de pouca luz com uma guitarra estridente, de modo a esbanjar uma palhetada rápida com a intenção nítida de abrir os portões da valsa extrema para encantar o admirável público.

A dobra de guitarras faz com que uma delas entoe cânticos agudos, enquanto a guitarra base se manifesta de forma voraz. Blast beats de respeito impulsionam a canção para que chegue com energia sobrando durante as próximas partes.

De modo cadavérico quase emulando o cheiro de carne podre os solos surgem e contemplam o peso e a insolência sonora marcada pelo baixo agressivo e inquieto.

A mudança de vozes é pertinente nos refrãos e entrega mais uma grande passagem pelo vale das almas.

O nascer do dia em chamas, incinerando a quem não precisará levantar novamente…

   

…O alvorecer rubro. A vermelhidão tomou conta da trama, então.

Trazendo todo o poder de fogo de um full length de Metal mais sólido que a própria matéria dita, “Diluculum Rubrum” coloca em primeiro plano um riff simples inicial com efeito de emendar surpreendentemente o início à sequência com a abertura para os primeiros versos.

As vozes modificam e soam quase como uma lembrança de Nergal, líder do Behemoth, de maneira a estremecer o solo inabitável para almas fracas e sem direção.

As pausas e momentos mais extremos dão o charme adequado para a canção, enquanto os versos percorrem por entre tais espaços, com o intuito notório de preencher as camadas necessárias. Tais camadas possuem sede de sangue, portanto a edificação para essa faixa foi construída para emanar o horizonte avermelhado ao último amanhecer.

Dammnatorum/Facebook

Aqui é o correio infernal e tenho uma carta que diz…

…Morte a você. Oh, a imponente apoteose chegou, enfim.

Vultos em forma de vozes ecoam até darem de cara com você, fã e ouvinte. Certamente, as vozes a que me refiro, são as vozes do tenebroso Dammnatorum!

“Vobis Mors” se apoia nas camadas mais vibrantes e energiza o cenário para que o pacto em favor de sua morte seja concluída. Bateria em chamas negras infernais, guitarras ondulando e contornando o ambiente catastrófico, além do contrabaixo ditando as regras do empreendimento satânico.

Brevemente, temos os solos distorcendo o ambiente e causando fervor entre as criaturas do outro plano astral. Já a morte, esta foi encaminhada juntamente com os andamentos menos velozes e distorcidos a ponto de darem a climatização exata para a trama, apoiados por uma bateria de exímia qualidade e um baixo que eleva tudo a patamares ainda mais dignos.

Por fim, as guitarras vão se silenciando aos poucos até que chegamos ao fim de mais uma história.

Considerações em brasas

Em primeiro lugar, a principal consideração a se fazer é devido o fato de que as bandas polonesas não brincam em serviço quando o assunto é tocar Metal. Dificilmente acontece do autor desse texto encontrar discos de gosto duvidoso ao apontar para o mapa da Polônia.

Seja mais antiga ou mais nova, de maneira praticamente convicta conseguimos encontrar coisas muito boas, assim como é o caso do Dammnatorum.

   

Em resumo, fica nítido o ótimo trabalho de produção e gravação quanto aos instrumentos, cada qual com sua sonoridade específica e explícita diante da camada pesada que percorre o disco.

Enfim, trata-se de uma excelente estreia de uma banda que pertence a um dos grandes celeiros do Metal Extremo atualmente.

Curiosidades e descobertas putrefatas

Uma coisa a se notar de primeira, certamente é o fato de que os integrantes ocultam seus rostos. Porém, o mais interessante é que os mesmos revelam seus nomes de forma comum e sem utilizar qualquer tipo de pseudônimo.

Robert, Dariusz, Piotr e Vesper iniciaram algo bastante promissor e, caso seja levado adiante, certamente obterão mais sucesso de acordo com o que for apresentado.

Inegavelmente, a caracterização atual dos poloneses lembra o Midnight, one-man-band de Black/Thrash Metal dos Estados Unidos.

Dammnatorum/Facebook

Sobre o Mar de Árvores

Assim também é conhecido o bosque de Aokigabara, que carrega consigo o histórico de ser um local tradicional para o suicídio. Entretanto, isso parece brincadeira quando relacionado, mas passa longe de ser uma simples travessura.

Decerto, o fato ocorre por conta das características do local, que é bastante inóspito e também é conhecido por ter um silêncio quase absoluto. Muito por conta da sua vegetação densa e quase nenhuma vida selvagem circulando pelo local.

De acordo com as coordenadas obtidas, o bosque é localizado a noroeste do icônico Monte Fuji – a cerca de 100 km de Tóquio, capital japonesa – e se espalha por 38 quilômetros quadrados em uma região de solo de lava escura enrijecida, sendo difícil penetrá-la com ferramentas manuais, como pás.

Aokigahara (青木ヶ原), também conhecida como Mar de Árvores (樹海)

A floresta contém um grande número de rochas e cavernas de gelo, com alguns desses lugares sendo pontos turísticos populares. O silêncio absurdo do lugar se dá pelo motivo da densidade das árvores, que bloqueiam o vento, além da ausência de vida selvagem.

Existem muitas lendas sobre Aokigahara, sendo boa parte delas relacionadas com demônios, fantasmas e espíritos malignos característicos da mitologia japonesa.

Dentro de várias parte do local podem ser encontradas várias mensagens em inglês e japonês, contendo avisos para que as pessoas reconsiderassem suas ações.

Em resumo, são encontrados cem corpos por ano em média, com alguns corpos em avançado estado de putrefação ou até mesmo somente seus esqueletos.

Portanto, se em algum momento você resolver visitar a floresta de Aokigahara, lembre-se de que sua vida vale mais que tudo no universo e que é melhor você estar vivo para apreciar essa e outras paisagens do que por um ponto final precoce à sua joia mais rica.

“Estou diante de você, passando pela morte, causando a destruição ao renascer uma fúria antiga…

O necrófago de Aokigahara, aquele que causa a destruição das almas, trazendo a escuridão plena em meio ao alvorecer vermelho, que representa a morte para você…”

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Robert Wiśniewski (baixo, vocal de apoio)
  • Dariusz Karwecki (bateria)
  • Piotr Nadolski (guitarra)
  • Vesper Locust (vocal)

Faixas:

1. Te Coram Sto
2. Per Mortem Vado
3. Exitium
4. Furor Priscus
5. Necrophagus
6. Aokigahara
7. Animarum Pernicies
8. Tenebrae
9. Diluculum Rubrum
10. Vobis Mors

Redigido por Stephan Giuliano

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