Resenha: Burning Witches – “Inquisition” (2025)

Inegavelmente, o Burning Witches vive o melhor momento da carreira. Os dois últimos trabalhos de estúdio comprovam isso — “The Dark Tower” (2023) e o recém lançado “Inquisition” (2025). O quinteto suíço acertou em cheio em adicionar a guitarrista norte americana Courtney Cox ao lineup — a mesma já havia participado do disco anterior como convidada — e suas contribuições elevaram ainda mais a sonoridade da banda.

Formada em 2015 pela guitarrista Romana Kalkuhl, o Burning Witches conta com mais duas integrantes que estão juntas desde a fundação, são elas a baixista Jeanine Grob e a baterista Lala Frischknecht. Agora com a adição de Courtney, assim como com o talento da vocalista holandesa Laura Guldemond, parece que as moças realmente se encontraram artisticamente e, de longe, esta é a melhor formação da carreira.

Abandonando aquela veia Power Metal do início e investindo no Heavy tradicional onde as influências são nomes como Judas Priest, Iron Maiden e King Diamond, o quinteto chega ao seu sexto registro com “Inquisition”. E que registro!

Bem vindos a inquisição!

O trabalho chegou às lojas e plataformas de streaming no último dia 22 de agosto através da Napalm Records. Com 12 composições distribuídas em pouco mais de 48 minutos de duração, temos um disco repleto de faixas marcantes e candidatas a se tornarem preferidas dos fãs. A produção é um trabalho em conjunto de V.O. Pulver, Romana Kalkuhl e do maridão, o guitarrista do Destruction, Damir Eskić.

O disco tem como faixa de abertura a introdução “Sanguini Hominum” seguida de “Soul Eater”, um dos cinco singles apresentados previamente aos fãs. Trata-se de uma faixa que inicia a audição com muita pressão e energia, evidenciando o atual poderio de fogo das musicistas. “Shame” tem ótimas melodias e um refrão simples, mas altamente funcional, com destaque para as linhas de bateria e baixo da dupla Jeanine/Lala. Fechando a trinca inicial, “The Spell Of The Skull” — outro dos singles, não perde as contas — é dona de um refrão viciante.

Prepare-se, pois vem aí a faixa título — outro single. “Inquisition” é daquelas músicas que você escuta poucas vezes e já sabe que trata-se de uma canção épica. É pesada, cheia de riffs e solos inspirados da dupla Romana/Courtney, linhas vocais à lá Judas Priest e uma ponte pré-refrão que é nada menos do que pegajosa. “High Priestess of the Night” é outra que está entre as melhores do track e — adivinha? — é o quarto single. Cadenciada e dona do melhor refrão do registro, aqui o destaque é para os vocais de Laura, que variam bastante e fazem a música ir ganhando camadas.

A arte de montar tracklists

“Burning Hell” é uma das mais rápidas, pesadas e viscerais não apenas do disco, mas da carreira do Burning Witches. Aqui fica bem evidenciada a boa técnica da baterista Lala e, além disso, a música cumpre de maneira magistral o seu papel, preparando o ouvinte para o momento de calmaria que chega com a ótima baladinha “Release Me”.

Interessante destacar que construir um bom tracklist é uma arte. “Release Me” se encontra justamente entre duas músicas muito velozes e energéticas, “Burning Hell” e “In For The Kill”, trazendo aquela montanha russa musical que amamos e provando que as moças tem cacife para se destacar em vários tipos de composição.

Perto do final, “In the Eye of the Storm” traz mais um excelente refrão, daqueles para cantar junto à plenos pulmões com o punho estendido para o alto. A derradeira é “Mirror Mirror” — último dos 5 singles, ufa! — e, realmente, o termo “terminar com chave de ouro” pode e deve ser aplicado a este álbum. Mais um refrão brilhante e destaque para os vocais de Laura. O desfecho de fato acontece com a misteriosa “Malus Maga”, um encerramento quase instrumental climático que combina com a temática do trabalho.

Música e tema se completam

Como você deve ter imaginado, “Inquisition” traz como conceito a famigerada época da Santa Inquisição. Portanto, durante as 12 composições somos convidados a nos aprofundar no assunto que inclusive deu origem ao nome da banda. Além das bruxas e não-bruxas pegando fogo, somos convidados a conhecer sacerdotes indignos, magias do alto escalão, bem como outras situações obscuras. Vale muito a pena, depois que já estiver familiarizado com as melodias, realizar uma audição acompanhando as letras — as mesmas são muito boas e engrandecem a experiência.

No álbum passado, me lembro de ter ficado impressionado com o crescimento técnico e, principalmente, com a guinada musical do grupo. Neste, o Burning Witches prova que está evoluindo cada vez mais e, certamente, pode apresentar trabalhos muito mais consistentes.

Se continuarem a trilhar este caminho, fatalmente se tornarão uma das maiores bandas do gênero já para os próximos anos. Mas independente disso, um dos melhores discos de 2025 no segmento do Heavy tradicional, elas já conseguiram emplacar. Disco inquestionável.

Nota: 9,5

Integrantes:

  • Jay Grob (baixo)
  • Lala Frischknecht (bateria)
  • Romana Kalkuhl (guitarra)
  • Laura Guldemond (vocal)
  • Courtney Cox (guitarra)

Faixas:

  • 01 Sanguini Hominum
  • 02 Soul Eater
  • 03 Shame
  • 04 The Spell of the Skull
  • 05 Inquisition
  • 06 High Priestess of the Night
  • 07 Burn in Hell
  • 08 Release Me
  • 09 In for the Kill
  • 10 In the Eye of the Storm
  • 11 Mirror, Mirror
  • 12 Malus Maga
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário