Resenha: Burning Witches – “Burning Witches” (2017)

A próxima indicação é oriunda de terras neutras e detentoras dos melhores queijos e chocolates do mundo. Falo da banda Burning Witches, com seu álbum autointitulado “Burning Witches” (2017).
Lançado no dia 26 de maio via PledgeMusic, o Burning Witches surgiu e sacudiu os horizontes helvéticos em buscar de apavorar a Europa no melhor dos sentidos, ou seja, com sua música.
Geograficamente, estamos em território suíço, mais precisamente em Brugg, pequena cidade onde residem pouco menos de 10.000 habitantes. Falando em habitantes, a banda é formada somente por mulheres, o que causa um aspecto no mínimo curioso naquele fã desavisado com relação ao que acontece no universo do Metal.
Leve como base o que é mais conhecido em se tratando de bandas de Metal e Hard Rock. Celtic Frost, Hellhammer, Krokus, Killer, Coroner, e até mesmo o Poltergheist. Talvez sejam os principais exemplos e também servem para refrescar e organizar a memória.
A primeira magia do Burning Witches
Agora com o cérebro no lugar, fica mais tranquilo de seguir pela linha do tempo e aterrissar no momento em que cinco garotas resolvem desbravar esse glorioso mundo do Metal. Embora a Suíça possua um cenário mais curto com relação a potências como Alemanha, Inglaterra e até mesmo a Finlândia, o eterno país neutro das grandes guerras carrega consigo um arsenal valiosíssimo, voltado para o Metal.
Vale ressaltar a renovação do Thrash com excelentes bandas como é o caso do Comaniac. Isso só reforça a importância e o poderio da Suíça dentro do Rock e do Metal.
As amazonas que tremulam a bandeira helvética do Burning Witches, seguem pela autoestrada tradicional e com uma produção moderna, mas com suas bases e fórmulas fincadas em um Metal que segue uma linha voltada completamente para o Heavy tradicional, com inspirações calcadas e Judas Priest, Ozzy Osbourne e Dio.
Com certeza, a primeira impressão que fica é dada ao fato de ser uma banda nova formada somente por mulheres. Porém, o conteúdo musical e lírico devem ser colocados em primeiro plano. E para provar que o material é qualificado, estaremos pondo em prática o tradicional desafio de te levar comigo para essa aventura e conhecer o caminho sonoro percorrido pelas destemidas guerreiras helvéticas.
Abrindo passagem para a entrada triunfal das bruxas helvéticas
À primeira vista, a formação exclusivamente feminina atrairá a atenção da maioria dos fãs. Todavia, a sonoridade e a nacionalidade da banda certamente cativarão os verdadeiros amantes do Heavy Metal.
Burning Witches executa uma linha bem tradicional com uma produção moderna. O quinteto finca suas bases e fórmulas em um Metal que emula Judas Priest, Ozzy Osbourne, Dio e adiciona um toque de US Metal.
Guitarras cortantes, com melodia na medida certa, marcam profundamente o som das garotas. Enquanto a bateria exibe precisão matemática, o vocal de Seraina Telli entrega harmonia, potência e versatilidade. A vocalista protagoniza um dos pontos mais altos do disco ao alternar passagens melódicas e guturais dosados no momento exato.
Um aceno forte ao Metal tradicional
O álbum abre com a poderosa “Black Widow”, resgatando andamentos clássicos em seus tempos primordiais. Na sequência, a faixa-título apresenta trechos marcantes que grudam na cabeça do ouvinte, cortesia de seus riffs “priestianos”. A lembrança é tamanha que me faz lembrar o clássico “Defenders of the Faith” (Judas Priest, 1984).
“Bloody Rose” inicia com riffs excelentes e uma atmosfera intensa. Sob essa ótica, destaca-se a passagem em que Seraina despeja os já citados guturais. Convém sublinhar que o uso desse recurso vocal não transforma a música em Metal extremo; trata-se de Metal tradicionalíssimo.
“The Dark Companion” introduz um começo mais brando até atingir um peso satisfatório com riffs em estilo “cavalgada”. A faixa ganha corpo e empolgação progressivamente, culminando no momento em que a senhorita Seraina despeja novos guturais nos backing vocals do refrão. “Metal Demons”, a faixa mais curta do disco, adota uma afinação mais baixa. Por conseguinte, as linhas de guitarra remetem algo de Primal Fear.
“Save Me” surge logo após para dar um fôlego ao ouvinte. Diante de tantas porradas seguidas, o público já ansiava por uma balada (Será?!). Aliás, a canção sintoniza muito bem com o restante do disco: evita o tom meloso e preserva certa potência.
Junção de outros elementos para uma noite brilhante
“Creatures of the Night” começa com uma bateria avassaladora que faz referência óbvia ao clássico “Painkiller”, também do Judas Priest (1990). Considero esta a música mais simples do álbum. Longe de ser ruim, ela desponta, contudo, como a menos memorável, evocando um estilo bastante explorado por bandas do início dos anos 2000.
“We Eat Your Children”… um título peculiar, decerto. De qualquer forma, a faixa exibe excelência e expõe as influências de Judas Priest, especialmente nos riffs. Destarte, “Creator of Hell” exibe uma pegada voltada ao Speed/Thrash Metal clássico, na linha do álbum “Show No Mercy” do Slayer (debut lançado em 1983). Evidentemente, essas referências restringem-se a algumas passagens, pois a melodia do Metal tradicional ainda predomina.
“The Deathlist” replica a proposta de sua antecessora. Em contrapartida à agressividade e ao peso que remetem ao Metal extremo, a composição preserva a essência tradicional. O disco encerra com um cover do Judas Priest: a escolhida foi “Jawbreaker”. Convenhamos que o Burning Witches fez uma escolha perfeita e executou a versão com maestria. Por fim, um desfecho interessante, mas sem surpresas quanto à escolha do cover.
Informações metálicas adicionais
A Nuclear Blast, costumeiramente astuta, antecipou-se e assinou contrato com as garotas. A gravadora sabe que, além da ótima qualidade sonora, muitos fãs segmentados comprarão o merchandising pelo apelo visual da banda. Se você se inclui nesse grupo, dedique atenção primordial à música, pois o som não decepcionará!
“So come and chase me through the woods
Your prayers and words to god
Will be unheard
So chase me and my own kind
Burn the witches, burn the witches, burn the witches
But the fear remains in your head”
Nota: 8,6
Integrantes:
- Jeanine Grob (baixo)
- Lala Frischknech (bateria)
- Romana Kalkuhl (guitarra)
- Seraina Telli (vocal)
- Alea Wyss (guitarra)
Faixas:
- Black Widow
- Burning Witches
- Bloody Rose
- The Dark Companion
- Metal Demons
- Save Me
- Creatures Of The Night
- We Eat Your Children
- Creator Of Hell
- The Deathlist
- 11. Jawbreaker (Judas Priest cover)