Resenha: Black Swan – “Paralyzed” (2026)

A ideia de supergrupo quase sempre nasce da tentativa de gravadoras ou empresários em reunir artistas já consagrados para potencializar vendas e atrair atenção imediata do público. Em alguns casos, essas bandas surgem de maneira espontânea, impulsionadas pela amizade e afinidade musical entre os integrantes. Na maioria das vezes, porém, funcionam como projetos paralelos e temporários, criados para aproveitar o peso dos nomes envolvidos. Dentro do universo do Rock, grupos como Cream, Asia, The Traveling Wilburys, Hollywood Vampires, Velvet Revolver, Chickenfoot e Temple Of The Dog se tornaram exemplos emblemáticos desse formato.

Reunir músicos experientes em uma mesma formação certamente garante visibilidade, mas isso não significa, automaticamente, qualidade ou longevidade. Tudo depende da química entre os integrantes, da proposta artística, bem como da capacidade de transformar talento individual em algo realmente coeso. Alguns supergrupos conquistam enorme reconhecimento, enquanto outros desaparecem rapidamente. Ainda assim, é impossível negar o fascínio que esse tipo de projeto desperta nos fãs.

Photo: Enzo Mazzeo

A máquina de supergrupos da Frontiers

Nesse cenário, a gravadora italiana Frontiers Music Srl se consolidou como uma verdadeira especialista em criar supergrupos de Melodic Rock e Hard Rock. O selo ficou conhecido por unir músicos renomados de bandas clássicas das décadas de 1980 e 1990 em projetos inéditos de estúdio. Por trás dessa “fábrica” está o empresário italiano Serafino Perugino, fundador e presidente da gravadora, que demonstra enorme habilidade em selecionar os artistas certos e construir bandas que realmente entregam discos consistentes e relevantes.

Embora muitos supergrupos tenham vida curta, diversos projetos da Frontiers conseguiram se estabelecer de forma sólida, acumulando discografias respeitáveis e ótima recepção do público. Bandas como W.E.T., The End Machine, Skills, Iconic, Revolution Saints e, principalmente, Black Swan, comprovam isso. O grupo reúne nomes de peso: Robin McAuley (McAuley Schenker Group), Reb Beach (Winger e Whitesnake), Jeff Pilson (Foreigner e ex-Dokken) e Matt Starr (Ace Frehley e Mr. Big). Com “Paralyzed”, a banda chega ao terceiro álbum de estúdio e certamente comprova que está longe de ser apenas um projeto ocasional.

A origem do Black Swan começou após uma conversa entre Jeff Pilson e Serafino Perugino, que desejava criar um trabalho capaz de explorar todo o potencial vocal de Robin McAuley acompanhado por músicos de altíssimo nível. Dessa forma, a sintonia em estúdio funcionou imediatamente, resultando nos álbuns “Shake The World” (2020) e “Generation Mind” (2022). Desde o início, o grupo apostou em um Hard Rock clássico, carregado de melodias marcantes, riffs encorpados e ocasionais flertes com o Heavy Metal. O resultado agradou fãs, crítica especializada e a própria gravadora, permitindo que a identidade da banda amadurecesse a cada lançamento.

Photo: Reprodução

Peso, melodias e nostalgia oitentista

Lançado em 27 de fevereiro, “Paralyzed” apresenta 11 faixas distribuídas em pouco mais de 53 minutos. O disco carrega toda a bagagem e experiência de seus integrantes, entregando uma coleção de músicas que remetem diretamente à era dourada do gênero. Logo, em muitos momentos, fica fácil imaginar essas composições sendo executadas em arenas lotadas durante os anos 1980.

Mesmo apostando em uma fórmula bastante tradicional, o Black Swan consegue entregar um álbum vibrante e extremamente eficiente dentro de sua proposta. A banda equilibra peso, melodias marcantes e refrães grudentos com naturalidade, mostrando a experiência de músicos que conhecem profundamente a linguagem do Hard Rock. Faixas como “When The Cold Wind Blows” carregam energia e imponência desde os primeiros segundos, enquanto “Paralyzed” adiciona uma dose extra de agressividade, flertando diretamente com o Heavy Metal. Já “Death Of Me” aposta em linhas melódicas envolventes e um refrão forte, daqueles que permanecem na cabeça após poucas audições. O lado mais acessível e radiofônico do álbum aparece com destaque em “Shakedown” e “Different Kind Of Woman”, duas músicas extremamente cativantes e construídas com precisão cirúrgica.

A balada “I’m Ready” resgata toda a essência das clássicas power ballads dos anos 1980. A interpretação de Robin McAuley remete imediatamente aos momentos mais inspirados de Klaus Meine, do Scorpions, especialmente pela forma emotiva e elegante com que conduz os vocais. Não seria nenhuma surpresa encontrar essa faixa em discos como “Love At First Sting” ou “Crazy World”, tamanha a fidelidade à estética daquele período dourado do gênero.

Experiência que faz diferença

Escolhidas como singles, “If I Was King” e “The Fire And The Flame” representam perfeitamente a proposta do trabalho. Ambas destacam o talento de Reb Beach, que entrega riffs marcantes, solos refinados e melodias extremamente inspiradas. Já “Carry On” surge como um dos momentos mais explosivos do álbum, impulsionada por riffs pesados, andamento intenso e um refrão contagiante. Encerrando o disco, “Battered And Bruised” e “What The Future Holds” apostam em uma abordagem mais groovada, valorizando a solidez e a precisão da cozinha formada por Jeff Pilson e Matt Starr, fundamentais para sustentar o peso e a dinâmica das composições.

“Paralyzed” é um disco direto, honesto e assumidamente nostálgico. Não há experimentalismos desnecessários nem tentativas artificiais de modernização. Em vez disso, o Black Swan entrega exatamente aquilo que os fãs esperam: músicas empolgantes, refrães fortes, guitarras marcantes e uma atmosfera apaixonada pelo verdadeiro espírito do Hard Rock. O resultado é um álbum extremamente agradável, capaz de conquistar tanto os admiradores mais antigos quanto ouvintes que ainda buscam descobrir o charme do gênero.

Mais um excelente trabalho da banda e, sem dúvida, um forte candidato a aparecer entre os melhores lançamentos do ano dentro do Hard Rock. Audição obrigatória.

Nota: 9/10

Integrantes

  • Reb Beach — guitarra
  • Jeff Pilson — baixo
  • Matt Starr — bateria
  • Robin McAuley — vocal

Faixas

  1. When The Cold Wind Blows
  2. Death Of Me
  3. Different Kind Of Woman
  4. If I Was King
  5. Shakedown
  6. The Fire And The Flame
  7. I’m Ready
  8. Paralyzed
  9. Carry On
  10. Battered And Bruised
  11. What The Future Holds
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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