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Resenha: Black Sabbath – “13” (2013)

Ao contrário do que pensam alguns, “13” é o décimo nono trabalho de estúdio da instituição da música pesada chamada Black Sabbath. O “13” do título faz menção ao seu ano de lançamento, 2013, e não ao seu posicionamento na discografia da lenda britânica, responsável, em primeiro lugar, pelo marco zero do Heavy Metal.

   

Tema sempre em pauta

Antes de analisarmos o disco, precisamos te contextualizar e te inserir neste universo. Uma reunião do Black Sabbath era algo discutido na mídia há muitos anos. Na verdade, desde que Ozzy foi demitido em 1979, vez ou outra, surgiam rumores ou boatos sobre uma volta do Madman ao grupo.

Em 1985, aconteceu uma reunião momentânea para o famoso concerto Live Aid. Em 1992, o Black Sabbath se juntou a Ozzy na famosa “No More Tours”, inclusive, aparecendo no CD/VHS de “Live N’ Loud”. O resultado disto foi a saída de Ronnie James Dio da banda. Mas foi somente em 1997 que realmente chegaram a fazer alguns shows, primeiro sem o baterista Bill Ward, no Ozzfest, com Mike Bordin do Faith No More. Depois, finalmente, para dois shows em sua cidade natal, Birmingham, desta vez sim, com Bill Ward tocando os dois shows e Vinny Appice à beira do palco pronto para assumir caso Ward não conseguisse terminar o trabalho.

Foi destes dois shows que saiu o álbum ao vivo “Reunion”, lançado em 1998. E depois disso, nada mais aconteceu durante anos. Tocaram mais algumas poucas vezes até 2005 assim como apareceram juntos em 2006 para serem induzidos no Rock and Roll Hall Of Fame. Foi somente em 2011 que chegou a notícia sobre uma reunião definitiva. E isso aconteceu depois de uma longa negociação envolvendo Tony Iommi, Sharon Osbourne, muitos advogados e o devido uso da logomarca Black Sabbath.

O papel do produtor em 13

O produtor Rick Rubin foi o escolhido para trabalhar no novo álbum do trio que contava com Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler. Bill Ward mais uma vez foi deixado de fora, segundo a versão do Sabbath, por questões de saúde. Ward reclamou, esbravejou, deu inúmeras entrevistas desmentindo, mas foi Brad Wilk, baterista do Rage Against The Machine e do Audioslave, que ocupou o posto nas gravações.

Polêmicas à parte, o álbum começou a ser concebido envolto em mistérios. E saiba, poderíamos escrever facilmente pelo menos dois artigos inteiros, a saber, um sobre as “negociações” à respeito do uso do nome Black Sabbath e outro sobre a não participação de Bill Ward na “reunião”. Voltando ao foco, todos queriam saber o que sairia daquelas sessões de gravação e o mundo queria saber se o poderoso Black Sabbath, aquele dos anos 70, poderia ressurgir das cinzas novamente.

Reprodução/Divulgação

Reza a lenda que o produtor Rick Rubin recusou a primeira leva de músicas compostas pela banda. Ao ouvir canções um pouco mais modernas do que ele esperava, surpreendentemente, perguntou o que Iommi e cia. pensaram ao compor tais músicas. A resposta foi algo como, “queríamos fazer grandes músicas de Heavy Metal”. O produtor então desafiou, “e o que vocês pensaram quando compuseram o primeiro disco do Black Sabbath?”. Os músicos responderam que tentaram fazer um bom disco de Blues Rock, já que o Heavy Metal nem sequer existia. Rubin, astuto, disse, “é isso, voltem e me tragam um disco de Blues Rock”. E foi dessa forma que ocorreu a virada de chave e “13” oficialmente começou a ser concebido aos moldes dos primeiros trabalhos do grupo.

Homenagem aos primórdios

E o fato é: quando “End Of The Beginning”, a faixa de abertura, inicia, parece que embarcamos no túnel do tempo e estamos ouvindo um repeteco do álbum de estreia de 1970. O riff inicial é totalmente calcado na música homônima da banda e quando Ozzy vai começar a cantar, por alguns segundos, você jura que vai ouvir os versos, “What is this that stands before me?/ Figure in black, which points at me”. Aqui temos uma legítima revisitação do passado, mas com uma produção atualizada para os tempos modernos. “God Is Dead?”, apesar de possuir o andamento mais arrastado, principalmente, em seus primeiros minutos, serve para ditar o direcionamento musical do álbum e mostrar que o trio Osbourne, Iommi e Butler estão completamente afinados com a abordagem e conceito escolhidos.

Photo: Getty Images

“Loner” soa quase como uma homenagem a “N.I.B.”, assim como outras da mesma estirpe. “Zeitgeist” é claramente inspirada em “Planet Caravan”, com sons espaciais e um convite óbvio a aprofundar-se em estados alterados da própria mente. O disco só começa a apresentar algum tipo de novidade à partir da próxima canção. E só pra deixar claro, essa imersão no passado não é nenhum demérito, muito pelo contrário. Vamos lá, “Age Of Reason”, é uma espécie de mescla entre a sonoridade de Ozzy solo, principalmente, em álbuns como “Ozzmosis”, e o DNA inconfundível do Black Sabbath, com direito a uma tonelada de riffs do mestre Tony Iommi. Apesar dos mais de 7 minutos, é uma composição bastante dinâmica que muda seu andamento principal diversas vezes e não cansa o ouvinte.

13 é uma viagem no tempo

“Live Forever” é a canção mais curta do disco e, instintivamente, desde as primeiras audições sempre fiz um link direto deste tipo de sonoridade com o que ouvimos no clássico “Vol 4”. Acredito que a maior diferença esteja nos vocais mais graves de Ozzy, mas mesmo assim não consigo me desvencilhar desta ideia. Já “Damaged Soul” soa como aquele Sabbath soturno, melancólico e pesado, com melodias muito boas assim como um trabalho que beira a perfeição da parte rítmica formada por Geezer Butler e o coadjuvante Brad Wilk. Em síntese, Brad tentou ao máximo se aproximar da veia jazzística de Bill Ward e não comprometeu em nenhum momento da audição. Já Iommi, nesta faixa, mandou ver em alguns daqueles solos de Blues capazes de arrepiar cada pelo do corpo. Que aula!

O registro termina com a preciosa “Dear Father”, talvez a menos empolgante do disco, mas igualmente competente e bem construída. No final, a chuva que inicia o primeiro registro chega para encerrar o último. Para quem adquiriu a versão com faixas bônus, ainda temos “Methademic”, “Peace Of Mind” e “Pariah”, todas estas com uma característica em comum: não carregam a musicalidade clássica do Black Sabbath, mas poderiam figurar em outros discos importantes que vieram depois.

Photo: Kevin Winter, Getty Images

Críticas injustas

   

Não entendo aqueles que criticam “13” por promover esta volta ao passado. É preciso lembrar que Ozzy não gravava um disco inteiro com a banda desde 1978 e, dessa forma, encerrar uma trajetória como a do Black Sabbath revisitando suas origens, creio que tenha sido o mais acertado a se fazer.

Para aqueles que sempre quiseram ver Ozzy de volta, puderam acompanhar uma extensa turnê mundial com direito a execução de inúmeros hinos da história da música pesada. Para os que queriam apenas um novo álbum de inéditas com o Madman se juntando aos seus antigos colegas, podemos dizer que a ausência de Bill Ward foi sentida, mas é impossível ficar triste ao ouvir o que nos foi apresentado em “13”, no EP “The End”, lançado em 2016, ou no registro ao vivo que marca o último show ao vivo realizado na cidade natal da banda, Birmingham.

O legado do Black Sabbath

Reprodução

O Black Sabbath esteve na ativa de 1969 à 2017, portanto, por 48 anos. É a banda considerada a responsável pelo marco zero do Heavy Metal, revolucionou o mundo do Rock com conceitos, métricas e timbres, assim como criou do zero subgêneros como Doom e Stoner. Além disso, influenciaram direta ou indiretamente a grande maioria das bandas que vieram depois deles. Os hinos do Black Sabbath são atemporais e farão parte da iniciação de roqueiros e headbangers de muitas gerações que chegarão no futuro.

E pensando em futuro, a ousadia de Bill ao misturar Rock pesado e Jazz com tamanha perfeição será lembrada indefinidamente, as linhas de baixo e as letras produzidas por Geezer, assim como os riffs de Iommi, provavelmente, daqui há 50 anos estarão sendo estudados em universidades. Aliás, por mais simples que sejam, seguirão causando espanto por conta da genialidade. Por fim, o timbre de Ozzy Osbourne seguirá sendo único, quase à prova de cópias, tornando o quarteto uma espécie de culto divino/profano (dependendo da sua crença), mas, certamente, imortal.

Como um apreciador do Heavy Metal e suas vertentes, só posso agradecer pelos serviços prestados!

Nota para o Black Sabbath: 10
Nota para o álbum: 8

Integrantes:

Ozzy Osbourne (vocal)
Tony Iommi (guitarra)
Geezer Butler (baixo)
Brad Wilk (bateria)

Faixas:

  1. End of the Beginning
  2. God Is Dead?
  3. Loner
  4. Zeitgeist
  5. Age of Reason
  6. Live Forever
  7. Damaged Soul
  8. Dear Father

Redigido por Fabio Reis

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