Resenha: Bastiel – “Descendant Of Moloch” (2025)

“Emerge do fruto sacrossanto o embrião de toda loucura, prazer e instinto. Tudo que surge do homem também se origina no não-homem: a sombra, o negado, a escuridão. Ainda que sombras apolíneas cubram a alma em esplendor, é pelos poros, em sutil murmúrio, que as sombras dionisíacas reivindicam o ser.”

É assim que o Bastiel, grupo de death/black metal da cidade de Maracanaú/CE, abre o EP “Descendant Of Moloch” (2025).

Bastiel, de acordo com a banda, seria uma figura mitológica presente em tradições esotéricas e ocultistas, sendo um arcanjo que teria se recusado a participar da batalha celestial durante a rebelião de Lúcifer no paraíso. Essa tida indiferença em escolher um lado, bem ou mal, seria o seu pecado capital.

Formado como um projeto pela dupla Thanatuz e Siffus em 2022, o grupo mudou seu som de black/thrash/death metal para death/black metal e de temas ligados a blasfêmia, assim como luxúria e satanismo, para letras voltadas ao ocultismo e esoterismo.

Atualmente um quarteto, o grupo passou também por algumas mudanças de formação, inclusive durante a gravação do EP – talvez isso ajude a explicar uma leve diferença sonora entre as faixas, exemplo de “Descendant Of Moloch” em relação as demais.

De sonoridade intensa e ríspida, na linha do que grupos como Impurity, Mystifier, Beherit, Blasphemy e Sarcófago ajudaram a definir como sendo black metal, o Bastiel tem vocais rasgados acompanhados por um instrumental sem muitas variações, mas eficiente. Para um EP de pouco mais do que dezesseis minutos, tudo bem, mas vale a pena trabalharem um pouco mais as variações das músicas para evitar ficar algo maçante.

Enquanto muitas bandas do black metal investem (ou seria desinvestem?) em gravações propositadamente ruins, o Bastiel entrega uma boa produção. Saulo Rodrigues, do Neurotic Sounds Records, manteve a crueza do som do grupo, mas sem comprometer as músicas lançando algo inaudível como muitas outras bandas preferem fazer.

“Descendant Of Moloch” (2025) é um disco bruto, direto ao ponto e mostra uma boa banda que, com uns ajustes aqui e ali, tem tudo para entregar materiais melhores ainda no futuro.

Nota: 8

Integrantes:

  • Thanatuz (vocal)
  • Siffus (guitarra)
  • Valefar (bateria)
  • Leandro Frost (guitarra)
  • Astaroth (guitarra)
  • Aestus (baixo)

Faixas:

  • 01 The Claims/Dionysian Shadows
  • 02 The First Sin
  • 03 Descendant Of Moloch
  • 04 Servant Of Blasphemia
Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2023) e vol. 2 (2024), lançados pela Editora Denfire.
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