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Resenha: Accept – “Too Mean To Die” (2021)

Gravadora: Nuclear Blast

   

Desde o retorno as atividades, o Accept engatou uma sequência imparável de álbuns acima da média. “Blood Of The Nations” quase matou do coração os saudosistas em 2010, “Stalingrad” repetiu o feito em 2012, “Blind Rage” calou os que pensaram que o arsenal havia se esgotado em 2014, “The Rise Of Chaos” manteve a banda em boa fase em 2017 e, agora, em 2021, “Too Mean To Die” chega causando alvoroço. Mas, afinal de contas, o álbum faz frente aos seus antecessores ou a formula do Accept já está batida?

Vou responder este e outros questionamentos ao longo desta resenha.

Antes de partirmos para a análise do álbum em si, é necessário apontar alguns erros que tenho observado em determinadas análises. O primeiro ponto é que o Accept é uma banda que toca Heavy Metal clássico, portanto, é uma tremenda falta de bom senso ouvir um novo álbum dos caras e esperar algo absurdamente inovador ou que fuja das suas principais características. Devo Lembrar que em todas as ocasiões que tentaram arriscar algo fora do seu habitat natural, conceberam discos que foram extremamente criticados por fãs e mídia (“Eat The Heat” e “Predator” são bons exemplos disso). Seguindo este raciocínio, é quase uma insanidade pensar que Wolf Hoffmann (líder, guitarrista e principal compositor do grupo), se desviaria de uma fórmula que vem dando certo a mais de uma década para agradar meia dúzia de reclamões.

Em todos estes anos, o Accept tem apresentado álbuns que possuem uma coerência absurda com sua história. É verdade que vez ou outra, adicionam algum elemento novo, mas ao que me parece, os músicos possuem consciência que para o nicho de mercado que atendem, a demanda é exatamente esta. Os alemães, como poucos, entregam com maestria o que seu público espera e, caso você seja da turma do “ah, mas nunca muda, é sempre a mesma coisa, queria ouvir algo diferente”, me desculpe, mas vou te dar a mesma resposta que dei quando rolou essa mesma conversa na época do lançamento de “Power Up”, do AC/DC. Se quer ouvir algo diferente, busque algo diferente. Não tem nexo querer que uma banda que tem uma proposta muito clara estabelecida há tanto tempo, mude sua musicalidade agora. Que bom que não mudaram!

No caso de “Too Mean To Die”, havia alguns motivos que causavam muita expectativa. Os principais são: 1) Este é o primeiro trabalho da banda sem o baixista e membro fundador Peter Baltes (que se aposentou em 2018 e deu lugar ao novato Martin Motnik). 2) Além de Wolf e Uwe Lulis, a banda integrou o guitarrista Philip Shouse ao line up, sendo assim, o que esperar do Accept com três guitarristas? 3) Com apenas Wolf Hoffmann da formação clássica no time, será que finalmente veríamos mudanças significativas na musicalidade?

Vou responder primeiro a questão mais simples. Confesso que após diversas e cuidadosas audições, não senti falta de Peter Baltes. Pode ser que ao vivo sua ausência seja mais sentida, mas em estúdio, o jovem Martin Motnik deu conta do recado e, inclusive, participou de algumas composições. Ponto pra ele.

Sobre as três guitarras, confesso que me surpreendi um pouco. Todos nós sabemos que Wolf é um cara bastante sistemático, com ego avantajado e sempre foi o “solista oficial” do Accept. Já tivemos guitarristas excepcionais como Herman Frank na formação e, simplesmente, nenhum outro guitarrista teve espaço para brilhar, o próprio Uwe Lulis não teve até o momento. Com três guitarristas, como fica isso? Bom, de antemão, deixo claro que Wolf segue sendo o cara dos solos, talvez isso nunca deixe de ser uma regra dentro do Accept, porém, com três guitarras era esperado que algo diferente acontecesse e aí que vem a “surpresa”. Realmente temos algumas mudanças significativas. “Too Mean To Die” é de longe o disco que tem os melhores trabalhos de guitarras da banda. E pasmem, pela primeira vez na discografia temos alguns duelos em solos e, em algumas canções, temos duetos. Alguns podem até não dar muita atenção para este fato, mas eu devo lembrar que o Accept vem lançando álbuns de ótima qualidade há mais de uma década e a segunda guitarra sempre foi apenas base. Agora temos algumas alternâncias e opções bastante interessantes que, sem dúvida, engrandecem a musicalidade do grupo.

E mudanças na musicalidade, aconteceram? Sim e não! “Too Mean To Die” segue sendo um álbum de Heavy Metal clássico puro e não aposta em grandes guinadas no direcionamento, porém, com novos integrantes é natural que eles opinem, componham e tragam as suas características individuais para a sonoridade da banda. Isto já representa um certo grau de mudança e, de antemão, aviso a todos que estas “novidades” trouxeram bons momentos para o registro.

O disco inicia bem com “Zombie Apocalypse”, single que rendeu um videoclipe lançado no último dia 15 de janeiro e possui uma letra muito interessante. Para abrir os trabalhos, nada melhor que uma composição tipicamente Accept e eu sou capaz de apostar que esta é uma das que vão ter seu refrão cantado em uníssono nos shows (quando os mesmos voltarem a acontecer). Sem dúvida, uma séria candidata a clássico. Mostrando que não há espaço para brincadeiras, a faixa “Too Mean To Die” mete o pé na porta em uma explosão de energia e vitalidade. Nela, já podemos observar um trabalho bem diferenciado no que diz respeito as linhas de guitarra, com um bem vindo duelo de guitarras na hora do solo. A próxima é “Overnight Sensation” e, sabe aquela veia Hard Rock de algumas canções presentes, principalmente, em discos como “Balls To The Wall” e “Metal Heart”? Pois é, é disso que se trata esta belezura.


“No Ones Master” é outra daquelas com ritmo frenético e belíssimas melodias, com mais um solo arrebatador e destaque para as guitarras, principalmente, as de Wolf Hoffmann. O cara é uma máquina de fazer solos marcantes e parece que, assim como o bom vinho, quanto mais velho melhor. Na sequência, temos o primeiro single do álbum, “The Undertaker”, lançado ainda em 2020. E verdade seja dita, que música maravilhosa essa! Bem sombria, com ritmo cadenciado e uma letra sensacional, esta música seria um hino do Heavy Metal caso tivesse integrado algum álbum do Accept nos anos 80. Se você é fã de composições ao estilo de “Princess Of The Dawn”, “Balls To The Wall” e “Neon Nights”, fatalmente irá se apaixonar por esta aqui. Impossível não cantar junto os malévolos versos: “Rich or poor/ Large or small/ The Undertaker takes them all“.


“Sucks To Be You” foi composta pelo baixista Martin Motnik e é uma espécie de mescla entre o Accept clássico e o AC/DC. Tem um refrão cativante e, mais uma vez, um solo certeiro de Wolf. Antes de dar prosseguimento a análise, quero fazer um adendo muito importante. É bem natural ouvir álbuns que começam muito bem, mas que vão baixando a temperatura conforme a audição vai se desenrolando. Em “Too Mean To Die” acontece o oposto disso, já que à partir de “Symphony Of Pain”, o álbum vai subindo degraus consideráveis. Como um amante do Heavy Metal, me lembro com muita nostalgia da época em que ouvir um novo registro de alguma banda ao qual éramos fãs era quase um ritual sagrado. Parávamos tudo e dedicávamos aquele tempo somente para a audição e nada mais. Era muito natural realmente nos empolgar com tais trabalhos e, em determinadas ocasiões, a música era tão certeira que parecia tocar na alma. Apesar dos ótimos discos lançados ultimamente, são pouquíssimas as bandas que conseguem extrair de mim esse tipo de empolgação e satisfação. O Accept conseguiu fazer isso em “Too Mean To Die”. Voltando ao que interessa, “Symphony Of Pain” inicia uma nova etapa da audição, já que é uma composição bastante peculiar. Até a chegada do refrão temos um ritmo vigoroso que vai martelando de forma impositiva, porém nada diferente do normal. Na ponte para o refrão há o apontamento de que algo acontecerá e é neste momento que o baterista Christopher Williams aparece com uma linha totalmente insana cheia de viradas e bumbos duplos. A faixa ainda é detentora de um solo extasiante que finaliza com as linhas clássicas de Beethoven sendo conduzidas pelo maestro Wolf.

Perto do final, “The Best Is Yet To Come” acerta até no nome. Eu nunca esperaria algo nesta linha em um disco do Accept lançado em 2021. Esta balada lindíssima nos arremessa diretamente para o início dos anos 80, mais precisamente, para a época dos discos “I’m A Rebel” e “Breaker”, onde Peter Baltes cantou com extrema elegância músicas como “No Time To Loose” e “Breaking Up Again”. É essa a vibe de “The Best Is Yet To Come”, mas a ironia é que ela foi gravada justamente no primeiro álbum em que Baltes não está presente. Justiça seja feita, Mark Tornillo está impecável na condução e interpretação. Ao término da faixa, você ainda não saiu completamente do estado de transe, mas seu Delorian mental faz uma viagem rápida de volta ao presente assim que a introdução de “How Do We Sleep” inicia. Mas que diabos, não é que temos aqui mais uma surpresa arrebatadora? As guitarras são clássicas, o ritmo galopante é envolvente, os coros são épicos, o refrão é pegajoso e o solo é maravilhoso. Tudo muito acertado e preciso até aqui.

O álbum ainda traz a porrada “Not My Problem”, que novamente faz com que o Accept se transforme em uma espécie de AC/DC, só que desta vez turbinado e pisando no acelerador. Para finalizar temos uma das instrumentais mais fantásticas que eu já ouvi. “Samson And Delilah” é quase que um tributo ao Rainbow e Ritchie Blackmore. A faixa é insana e trás elementos e ritmos egípcios e persas. A imersão é tão possante que você se sentirá viajando em um tapete voador. Indico aumentar o volume e fechar os olhos!

A produção de “Too Mean To Die” é mais uma vez um trabalho do excepcional Andy Sneap, e Wolf já deixou claro que o músico/produtor é praticamente um integrante extra do Accept. É preciso dizer que o cara sabe realmente o que faz e seus trabalhos de produção com as bandas veteranas de Heavy Metal é algo louvável. Seja nos cinco últimos discos do Accept, seja nos mais recentes registros do Saxon e do Judas Priest, o cara parece ter encontrado uma fórmula mágica para fazer os velhinhos renderem tudo que se espera deles. Aplausos para Andy Sneap e aplausos para estes grandes pioneiros do nosso querido e amado Heavy Metal, afinal, eles seguem mostrando aos mais jovens como é que se faz.

“Too Mean To Die” é um álbum que não decepciona, surpreende em vários momentos, traz tudo o que se espera do Accept e até um pouco mais. Vale cada segundo investido na audição e mantém os alemães em alta no cenário mundial. Se você é um daqueles que estava preparado para abrir a sua boca grande e criticar o disco, é melhor engolir o choro e voltar a torcer contra só no próximo lançamento. Sabe aquele ditado (“ter muita lenha para queimar”) que vira e mexe é usado para afirmar que alguém ainda vai longe?. Pois é, o Accept ainda tem muita lenha para queimar. Que bom!

Obs: o CD “Too Mean To Die já está disponível em nossa loja, assim como canecas temáticas com estampas exclusivas do álbum. Para comprar basta clicar AQUI.

Nota: 9,5

  • Integrantes:
  • Wolf Hoffmann (guitarra)
  • Mark Tornillo (vocal)
  • Christopher Williams (bateria)
  • Uwe Lulis (guitarra)
  • Martin Motnik (baixo)
  • Philip Shouse (guitarra)
  • Faixas:
  • 1. Zombie Apocalypse
  • 2. Too Mean to Die
  • 3. Overnight Sensation
  • 4. No Ones Master
  • 5. The Undertaker
  • 6. Sucks to Be You
  • 7. Symphony of Pain
  • 8. The Best Is Yet to Come
  • 9. How Do We Sleep
  • 10. Not My Problem
  • 11. Samson and Delilah
  • Redigido por Fabio Reis
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