“Quando as pessoas dizem que o rock está morto, eu acho isso realmente estúpido”, diz Wolfgang Van Halen

Wolfgang Van Halen rebate discursos apressados e defende um olhar mais aberto sobre a música pesada
Ao longo das últimas décadas, inúmeras vozes tentaram decretar o fim do rock e do metal, quase sempre a partir de análises superficiais ou desconectadas da realidade. Em geral, esses discursos surgem quando o gênero deixa de ocupar o centro do mercado mainstream. É como se relevância cultural dependesse apenas de presença constante nas grandes rádios ou nas paradas de sucesso. No entanto, fora desse circuito mais visível, o rock segue vivo, diverso e em constante transformação.
Dentro desse debate recorrente, chama atenção a posição firme de Wolfgang Van Halen, guitarrista, vocalista e filho do lendário Eddie Van Halen. Para ele, a ideia de que o rock estaria morto ignora a pluralidade da música e desconsidera a força que pulsa fora do radar comercial. Em vez de lamentos, Wolfgang propõe uma mudança de perspectiva.
Enquanto alguns artistas veteranos insistem nesse discurso fatalista, como Gene Simmons, do Kiss, que há anos associa a suposta “morte do rock” a questões econômicas, outros preferem enxergar o cenário de forma mais ampla. Para Wolfgang, o problema não está na falta de bandas ou de boas músicas, mas na resistência em procurar além das vitrines tradicionais.
Menos rótulos, mais curiosidade
Segundo Wolfgang em entrevista a JZ do programa “The Dark”, a música vive hoje um momento de expansão. Há muitos estilos coexistindo e dialogando de maneira inédita. Ele reconhece que inovar se tornou um desafio, já que muito já foi feito ao longo da história, mas vê nisso uma oportunidade de retorno à essência: melodias fortes, simplicidade e conexão emocional. Essa filosofia orientou o trabalho mais recente do Mammoth, especialmente no álbum The End, onde a busca foi por músicas diretas e honestas.
Esse posicionamento contrasta com falas como a de Adam Levine, do Maroon 5, que em 2018 afirmou não enxergar mais relevância no rock frente ao hip hop. Para Wolfgang, esse tipo de visão ignora justamente o caráter cíclico e descentralizado da música atual, além de reforçar uma postura fechada que limita novas descobertas.
Ao defender uma escuta mais aberta e menos “guardião de portão”, Wolfgang Van Halen reforça que o rock não precisa disputar espaço com outros gêneros para justificar sua existência. O underground segue forte, novas bandas surgem constantemente, bem como há um público fiel disposto a acompanhá-las. Talvez o rock não esteja morto — apenas exige mais curiosidade de quem insiste em procurá-lo sempre no mesmo lugar.
“Quando as pessoas dizem que o rock está morto, eu acho isso realmente estúpido. Existe apenas um universo muito maior de música. Se você se concentrar no que faz você se sentir bem e no que soa bem para você, isso é tudo o que importa.”
