Primal Cult transforma mitologia grega e conflitos internos em “Dark Passage”

A cena grega de Black Metal sempre teve uma identidade bastante particular, e um dos trabalhos interessantes lançados em 2026 veio de um projeto ainda pouco conhecido fora do underground. Liderado por Eve Alchemy, o Primal Cult apresentou em 5 de junho “Dark Passage”, segundo álbum completo da carreira.
Lançado pela Northern Silence Productions, o disco chegou oito anos depois de “Perennial Fire” (2018) e apresenta sete composições que ultrapassam os 47 minutos. A proposta passa pelo Melodic Black Metal e pelo Atmospheric Black Metal, mas carrega fortemente a tradição helênica do gênero, principalmente no uso de melodias, teclados e atmosferas ligadas à mitologia e à paisagem grega.
Um projeto conduzido por Eve Alchemy
O Primal Cult nasceu na Grécia em 2012 e atualmente funciona essencialmente como a visão artística de Eve Alchemy, responsável pelos vocais, guitarras, teclados, letras, composições e arranjos.
A própria descrição oficial do projeto aponta três fontes centrais de inspiração: paisagens, filosofia e mitologia grega. Dessa forma, esses elementos servem como ponto de partida para temas existenciais e para a exploração dos conflitos internos da mente humana.
Antes de “Dark Passage”, a discografia já incluía o EP “In Timeless Paths”, de 2014, e o primeiro álbum completo, “Perennial Fire”, lançado quatro anos depois.
“Dark Passage” propõe uma travessia pela consciência
O conceito do novo álbum é descrito pela gravadora como uma viagem pelos “mares sombrios da consciência” e pela provação humana.
Isso ajuda a explicar a construção das músicas. Em vez de priorizar faixas curtas ou agressividade contínua, o Primal Cult trabalha com composições longas, desenvolvendo melodias e atmosferas de maneira gradual.
Há passagens contemplativas, teclados, mudanças de dinâmica e momentos em que a violência típica do Black Metal divide espaço com uma abordagem mais melódica e introspectiva.

A mitologia também aparece diretamente nos títulos. “Argo Navis” remete à embarcação associada aos Argonautas, enquanto “Philoctetes” faz referência ao herói grego Filoctetes, figura marcada pelo isolamento, sofrimento e abandono.
Não por acaso, o próprio projeto define “Dark Passage” como um encontro entre mito e contemplação.
Violoncelo e piano ampliam as atmosferas
Apesar de Eve Alchemy concentrar praticamente toda a criação do Primal Cult, o álbum conta com músicos convidados.
Setesh gravou o baixo e também ficou responsável pela engenharia e gravação. Aggelos Samaras assumiu a bateria, Michalis Kontos acrescentou violoncelo e Melmoth participou ao piano.
A mixagem e masterização ficaram novamente nas mãos de Vladimir Uzelac, enquanto Nelaluna assinou a arte de capa.
A presença de instrumentos como piano e violoncelo não transforma o álbum em um trabalho sinfônico. Eles aparecem como elementos adicionais na construção das atmosferas, reforçando sobretudo os momentos mais melancólicos e contemplativos.
Confira a arte de capa e o tracklist de “Dark Passage”:

- 01 Argo Navis
- 02 Philoctetes
- 03 Onar And The Latent Sun
- 04 Dark Passage
- 05 Below The Wave
- 06 Towards The Vesper Tides
- 07 Shore Of Echoes
“Dark Passage” está disponível em formato digital, CD e vinil. A edição física ganhou tiragens limitadas, incluindo versões em vinil marble e swirl distribuídas pela Northern Silence Productions.
Para quem gosta do lado mais melódico, atmosférico e contemplativo do Black Metal grego, o segundo álbum do Primal Cult é um daqueles lançamentos de 2026 que facilmente podem ter passado despercebidos.
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