Polêmica com camiseta do Angra chega ao programa Pânico e recebe resposta da deputada; Rafael Bittencourt também fala

Uma foto da deputada Eduarda Campopiano usando uma camiseta do Angra acabou se transformando em uma discussão muito maior do que a imagem originalmente sugeria. A publicação apareceu no perfil do cabeleireiro da parlamentar e rapidamente atraiu comentários de músicos ligados à história da banda.
Entre eles estava Marcos Antunes, ex-baterista do Angra, que reagiu de maneira hostil, com xingamentos e ofensas, além de falar como se representasse o grupo. Pouco depois, Kiko Loureiro também entrou na discussão ao comentar “Credo”, o que ajudou a ampliar ainda mais a repercussão e desencadeou uma série de ataques contra a deputada.

Mais tarde, Kiko Loureiro voltou ao assunto afirmando que não havia feito comentário algum. Entretanto, prints e gravações de tela divulgados posteriormente passaram a ser usados por internautas como registro da publicação atribuída ao guitarrista.
Angra publica nota e passa a receber críticas
Diante da repercussão, o Angra adotou uma postura institucional acertada e afirmou que não responde por opiniões pessoais de ex-integrantes. A banda também defendeu o respeito à pluralidade de ideias entre seus fãs.
Era, em essência, uma tentativa de separar posicionamentos individuais da identidade oficial do grupo. Ainda assim, até mesmo essa manifestação gerou reações negativas. Parte do público que havia apoiado os ataques contra Eduarda Campopiano passou a criticar o Angra por adotar um discurso de respeito à diversidade de opiniões.
A controvérsia, que inicialmente girava em torno de uma camiseta e de comentários feitos nas redes sociais, acabou chegando também à televisão.
Eduarda Campopiano fala sobre o episódio no Pânico
Durante participação no programa Pânico, Eduarda Campopiano foi questionada sobre a repercussão e sobre a ideia de ter sido “excomungada” da comunidade de fãs do Angra pelo ex-baterista.
A resposta da deputada foi direta:
“Que comunidade, cara? Eu só escuto música, eu boto meu fone e escuto. Eu comprei a camiseta, eu comprei o CD, eu escuto na minha casa. Que comunidade? Eu não tô fazendo piquenique com os fãs.”
Na mesma entrevista, o comediante Rogério Morgado também comentou a nota oficial publicada pelo Angra e avaliou positivamente a postura adotada pela banda.
“A banda mesmo, o perfil oficial, falou sobre isso, falou que o que eles fazem é música e que respeitam a pluralidade. E é isso que tem que ser.”
A fala reforçou justamente um dos pontos que passaram a dominar a discussão: até que ponto a preferência política de um fã deveria interferir em seu direito de consumir, admirar ou se identificar com a música de determinada banda.

Rafael Bittencourt responde aos ataques
Nesta quinta-feira (8), Rafael Bittencourt também decidiu se manifestar publicamente. O guitarrista e fundador do Angra afirmou que vinha acompanhando os acontecimentos dos últimos dias e resolveu esclarecer sua posição depois de receber críticas vindas, inclusive, de pessoas que compartilham parte de suas próprias referências políticas.
Logo no início da mensagem, Rafael deixou claro como define suas convicções pessoais:
“Tenho acompanhado os acontecimentos dos últimos dias e quero esclarecer minha posição de maneira breve.
Sou democrata, progressista e humanista. Essas convicções não são abstratas. Estão presentes na minha vida, nas minhas relações, nas pessoas que amo e na maneira como enxergo o mundo.
Ao longo de 35 anos de carreira, procurei expressar esses valores por meio da minha música, das minhas atitudes e das minhas relações pessoais e profissionais.”
Em seguida, o músico afirmou que não apoia manifestações que atinjam aquilo que considera princípios básicos de convivência e dignidade.
“Não apoio ideias ou manifestações que atentem contra a dignidade humana, a igualdade de direitos e o respeito às diferenças.”
“Podemos pensar diferente”
Um dos trechos centrais do posicionamento de Rafael Bittencourt trata justamente da possibilidade de convivência entre pessoas que possuem visões políticas diferentes.
“Podemos pensar diferente, discordar profundamente e conviver com essa diversidade. Mas democracia, direitos humanos e dignidade são princípios que considero inegociáveis. Não pertencem à direita ou à esquerda, nem deveriam depender de qualquer partido ou ideologia.”
O guitarrista também abordou a questão da liberdade de expressão, outro tema que ganhou espaço no debate após os ataques registrados nas redes sociais.
“Defender a liberdade de expressão também significa reconhecer a responsabilidade pelo que se diz. Esse direito não deve ser confundido com uma autorização irrestrita para ameaças, discriminação ou violência.”
Para Rafael, determinados princípios humanitários não deveriam sequer precisar retornar constantemente ao centro de discussões políticas ou ideológicas.
“É desanimador perceber que ainda precisamos reafirmar conquistas humanitárias que já deveriam estar consolidadas.”
Por fim, o músico sinalizou que não pretende transformar o episódio em uma discussão prolongada.
“Quanto ao episódio recente, considero minha posição esclarecida e não pretendo prolongar essa discussão.
— Rafael Bittencourt”
A publicação encerra, ao menos da parte do guitarrista, uma sequência de manifestações que começou com uma simples foto de Eduarda Campopiano vestindo uma camiseta do Angra e terminou envolvendo ex-integrantes, membros atuais, ataques em redes sociais e uma discussão sobre até onde preferências políticas devem interferir na relação entre artistas e público.
