Ozzy Osbourne: “Esses solos são o Santo Graal”, diz Tommy Aldridge sobre Randy Rhoads

O baterista Tommy Aldridge (Whitesnake, Osbourne), relembrou a dura tarefa de ter que encontrar um guitarrista temporário para substituir Randy Rhoads após a morte prematura do guitarrista em 1982. Aldridge conta que a morte de Randy chocou a todos, mas Ozzy visivelmente era o que sofria e não tinha a menor condição de procurar um substituto para Randy. Foi então que ele e o baixista Rudy Sarzo receberam a tarefa de encontrar um guitarrista interino. Em uma nova entrevista ao Get on the Bus, o ex-baterista de Ozzy Osbourne, disse:
“Havia tanto drama acontecendo, tanta tensão. Todo mundo estava nervoso com coisas diferentes. Não entre nós três, mas no grupo. Sharon queria manter o embalo. Ela tinha datas que já estavam marcadas, datas no Madison Square Garden – todos esses shows estavam esgotados meses e meses antes.”
Ele acrescentou:
“Eu sentia uma obrigação de tentar encontrar… eu sentia compaixão pelo Ozzy. Ele não tinha leme. Mas depois que o Randy se foi, e estávamos tentando nos recompor, recebemos essa tarefa de tentar encontrar um guitarrista para cumprir o prazo dos shows já marcados.
No fim das contas, acabamos com esse cavalheiro irlandês, Bernie Tormé, que Deus o tenha. Ele era um guitarrista de Strat, e eu sentia pelo que quer que fosse que quem entrasse teria que enfrentar. Esse Bernie Tormé pega um voo e vai nos ajudar a passar pelo primeiro show. O Madison Square Garden é o primeiro.”
O novo guitarrista tinha uma dura missão pela frente e apenas dez dias para se preparar para o show em Nova York. Aldridge relata que Bernie sentiu muitas dificuldades para aprender as partes de Randy, e se esforçou muito para tentar tocar os solos:
“Eu estava nervoso, mas o coitado do Bernie, ele gaguejava um pouco. E quanto mais pressão ele recebia, mais ela se manifestava. Aprendi isso sobre ele naquele curto espaço de tempo porque estávamos na zona de pressão do tempo dele, sabe, tentando fazer três meses de trabalho em seis a oito dias. Foi uma experiência profana, cara, um inferno. O Rudy e eu estávamos apenas torcendo ele, ensaiando com ele. Os dedos dele, os calos, estavam caindo dos dedos.
Ele se dedicava tanto a fazer direito e tentava aprender aqueles solos que eram… Mesmo tendo muita habilidade, não era o seu gênero. Estava fora do seu alcance. Ele tocava coisas do Gary Moore e tudo mais. Mas esses solos [do Randy] são sensacionais. Esses solos são o Santo Graal.”
Aldridge relembrou como foi quando chegou a hora da banda subir ao palco do Madison Square Garden com Tormé:
“Quando subimos ao palco, coitado do Bernie. Eu disse: ‘Bernie, Deus te abençoe, cara, vamos superar isso’. Ele não conseguia falar. Estava tão estressado, tão estressado.”
Posteriormente, outro guitarrista temporário passou pela banda de Ozzy, Brad Gillis, que gravou o álbum ao vivo “Speak of the Devil” (1982), para só então encontrarem o guitarrista fixo Jake. E.Lee, que gravou os álbuns “Bark at the Moon” (1983) e “The Ultimate Sin” (1986).