“Faço isso há 40 anos. Nunca vi isso em uma turnê ou em nenhum outro lugar”, diz Nuno Bettencourt sobre bastidores do último show de Ozzy

Reprodução/Facebook

Após participar do último show de Ozzy no último dia 5 de julho e ser um dos escolhidos para homenagear o Madman no MTV Video Music Awards 2025, o guitarrista Nuno Bettencourt, do Extreme, resolveu contar um pouco sobre estas experiências.

A entrevista foi ao Page Six e Nuno abriu o coração revelando inclusive acontecimentos dos bastidores do evento “Back To The Beginning”.

Questionado sobre o que significou para ele poder homenagear Ozzy nestas duas ocasiões, Nuno disse o seguinte:

“Ouça, isso significou tudo, especialmente para mim, que aos 15 anos, como guitarrista iniciante, eu estava começando a ouvir Rock e Metal, e ele foi um padrinho para nós. Ele começou no início dos anos 70 e foi assim que o Rock se tornou cada vez mais pesado. E sobre Ozzy, o que ele fez com o Black Sabbath, e depois saiu de lá e teve uma carreira totalmente diferente como Ozzy Osbourne, artista solo, e depois se tornou uma estrela de reality show, esse cara afetou a cultura de muitas formas e tocou a todos nós de tantas maneiras diferentes. Então significou tudo.

Especialmente por ter participado do último show em Birmingham, e ter ido lá, tocado, conversado com ele e me despedido. Nós não sabíamos que ele iria morrer tão cedo depois disso — quer dizer, nós sabíamos, mas não sabíamos, entende? E participar disso foi realmente especial.”

Sobre como foi participar do último show de Ozzy e do Black Sabbath, em Birmingham, Nuno revelou uma história pessoal:

“Quando eu tinha 15 anos e o guitarrista dele, Randy Rhoads, faleceu em um grave acidente de avião, eu acreditei, aos 14, que iria substituí-lo. E havia um anúncio para enviar uma fita cassete. Então eu fiz isso — montei uma fita aos 15 anos e enviei. ‘Este é o meu show. Eu vou conseguir’. Claro que não. Ninguém nunca ligou. Doze anos depois, estava abrindo para o Aerosmith com o Extreme em Londres, e meu momento estava finalmente chegando. Alguém me disse: ‘Sharon acabou de ligar. Ozzy quer você. Ele quer que você faça parte da banda’. Isso foi em 1995, 96. E eu disse não. Eu estava em uma banda que estava começando a se formar, o Extreme, e tínhamos lançado sucessos. Mas as últimas palavras que dissemos um ao outro quando tiramos a grande foto daquele grupo de músicos no ‘Back To The Beginning’, e eu estava aos pés dele, agarrei sua mão e disse: ‘Obrigado por tudo e obrigado, Ozzy, pelo que você significa para mim’. E ele me puxou pela mão e disse: ‘Você foi o único guitarrista que me disse não’. Mas ele riu em seguida. E então me disse: ‘Eu te amo’. E ele riu. Ele disse: ‘Obrigado por estar aqui’. E eu disse: ‘Obrigado’. Eu disse: ‘Obrigado por tudo’.”

Photo Ross Halfin Photography

O guitarrista ainda mencionou a vibe diferenciada entre os músicos que participaram do evento:

“Sabe o que realmente — mas realmente mesmo — me surpreendeu? É que quando você junta o Guns N’ Roses e o Metallica — eles são as maiores bandas do mundo — para fazer algo… Eu já participei dessas coisas antes, tributos, e é sempre como se os egos de todos eles gritassem, ‘somos estrelas do Rock’. De repente, todos os membros de todas as bandas estavam na mesma sala. Era como um acampamento de verão do Heavy Metal. Éramos todos um bando de crianças de novo, porque Ozzy era como nosso pai ou padrinho, tipo, ‘Se comportem, crianças’. Mas todo mundo deixou o ego de lado. Foi uma festa de abraços. Havia tanto amor, e dava para sentir naquele palco. Ninguém reclamava e todos se ajudavam e se apoiavam. Faço isso há 40 anos. Nunca vi isso em uma turnê em nenhum outro lugar, onde todos eram como uma grande comunidade e uma grande família do Rock. E é isso que o Ozzy faz com todos nós.”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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