“Nunca haverá outra banda como o Motörhead. Não houve antes e nunca haverá novamente”, diz Mikkey Dee

Mikkey Dee, ex-baterista do Motörhead que hoje toca no Scorpions, concedeu uma nova entrevista ao podcast “Metal Sticks”, recém-lançado por Nicko McBrain, lendário baterista do Iron Maiden por mais de quatro décadas e agora aposentado das turnês, ao lado de David Frangioni, CEO da Modern Drummer.
Durante a conversa, Mikkey comentou como era trabalhar ao lado da maior figura do Motörhead, o inconfundível Lemmy Kilmister, e declarou:
“Nunca haverá outra banda como o Motörhead. Não houve antes e nunca haverá novamente, porque há muitos ingredientes que são únicos para essa banda. Vamos começar com o próprio Lemmy. Sua maneira de pensar, sua maneira de viver, sua maneira de ver o mundo se refletem muito em como essa banda era. Eu continuo dizendo, se todos fossem como o Lem, nunca teríamos uma guerra, nunca teríamos enfrentado essa merda de politicamente correto, e todos saberiam levar uma piada na esportiva e todos poderiam viver a vida. E Lemmy era extremamente inteligente, e isso o tornou o que ele era — um cara muito simples e tranquilo. Ele nunca foi uma estrela do rock. E a primeira coisa que ele me disse quando entrei, ele me pegou nos ombros e disse: ‘Sabe de uma coisa, Mikkey? Boas maneiras não custam nada.’ Lembre-se disso. Mas se você entrar numa sala e tiver um completo idiota lá dentro, certifique-se de ser o maior idiota de todos.”
Mikkey Dee explica que o Motörhead era muito baseado na amizade e na democracia. Lemmy não tomava as decisões sozinho:
“Lemmy era extremamente simples, o que também tornava muito fácil trabalhar com ele, mas também muito difícil, porque você já sabia o que ele ia dizer ou pensar. E nós éramos muito democráticos no Motörhead, então não era como se Lemmy decidisse tudo sozinho. Mas, de certa forma, claro, eu e Phil, e antes Würzel [ex -guitarrista do Motörhead, Michael Burston], claro que era a banda do Lemmy; nunca seria outra coisa. E automaticamente tínhamos que ter o Lemmy conosco nas decisões, claro. Isso é apenas bom senso. Mas houve algumas vezes em que realmente tivemos que confrontá-lo ou passar por cima dele porque ele simplesmente tomou a decisão errada e tivemos que provar que estávamos certos. E conseguimos. Mas era uma amizade tão grande e uma democracia tão grande nesta banda que acho que nunca, jamais, jamais experimentarei algo parecido.”