Nicko McBrain relembra LSD, heroína e excessos antes da conversão que mudou sua vida

Nicko McBrain resolveu expor alguns dos capítulos mais delicados de sua trajetória pessoal. Em entrevista à Kerrang!, publicada por ocasião do lançamento de sua autobiografia “Hello Boys And Girls!”, o baterista falou abertamente sobre experiências com LSD, heroína e outros excessos, além de explicar como sua conversão ao cristianismo mudou posteriormente sua maneira de enxergar a própria vida.

O músico deixou claro, porém, que não considera ter desenvolvido uma dependência severa. Segundo Nicko, apesar de ter experimentado diferentes drogas, conseguiu interromper o consumo sem enfrentar uma síndrome de abstinência particularmente grave. Ao olhar para trás, considera que teve sorte.

A história começou muito antes de sua entrada no Iron Maiden. Nicko contou que, aos 14 ou 15 anos, saía aos sábados com um amigo, fumava maconha, tomava ácido e consumia Phensedyl, um xarope para tosse que, naquela época, continha morfina. Em uma dessas ocasiões, as alucinações foram tão intensas que ele confundiu um ônibus com um elefante caminhando pela rua.

“Experimentei LSD e, mais tarde, heroína”

Ao resumir essa fase, Nicko McBrain foi bastante direto:

“Experimentei LSD e, mais tarde na vida, heroína.”

Ele acrescentou que conseguiu parar sem sofrer intensamente com abstinência e relacionou essa experiência à morte de Phil Lynott, do Thin Lizzy, amigo que perdeu em 1986 após anos enfrentando problemas relacionados ao uso de drogas.

Nicko explicou que decidiu incluir esse lado menos agradável na autobiografia justamente porque não queria apresentar apenas as histórias divertidas de sua carreira. Segundo o baterista, se alguém enfrentando problemas com abuso de substâncias encontrar algum aprendizado em seu relato, essa parte do livro já terá cumprido uma função importante.

A noite em que Ozzy Osbourne teria salvado sua vida

Outra história revelada na entrevista mostra até onde alguns daqueles excessos chegaram.

Décadas antes de entrar no Iron Maiden, quando ainda tocava com o Streetwalkers, Nicko participou de shows ao lado do Black Sabbath. Depois de uma das apresentações, músicos das duas bandas voltavam para casa de navio quando uma longa noite de excessos quase terminou de maneira trágica.

Anos depois, durante um evento beneficente realizado em 2005, Ozzy Osbourne contou a Nicko que o baterista estava tão alterado durante aquela viagem que teria caminhado até a parte traseira da embarcação e ficado prestes a cair sobre a grade. Ozzy afirmou que o segurou e o puxou de volta. Nicko não se lembra do episódio, mas disse acreditar no relato porque o vocalista recordava detalhes específicos daquela noite.

“Devo minha vida ao Ozzy”, resumiu o baterista.

Um episódio controverso voltou aos holofotes anos depois

A relação entre a vida privada de Nicko McBrain e os excessos também acabou entrando no noticiário em 2014, embora em circunstâncias completamente diferentes.

Naquele ano, uma antiga página ligada ao restaurante Rock N Roll Ribs, empreendimento do músico na Flórida, publicou fotografias privadas e documentos em meio a uma disputa envolvendo antigos parceiros comerciais. Duas imagens mostravam Nicko abraçado a uma mulher nua, que usava uma camiseta do Iron Maiden. Uma terceira fotografia mostrava uma substância branca em recipientes, mas sem qualquer rosto ou pessoa identificável no enquadramento.

Na época, sites chegaram a especular sobre a natureza daquela substância, mas nenhuma comprovação pública estabeleceu o que realmente aparecia na fotografia ou quem estaria relacionado a ela. A própria reportagem que registrou o caso ressaltava que a imagem não mostrava rostos.

As imagens apareceram junto de documentos referentes a uma disputa comercial envolvendo o restaurante e acusações feitas por um antigo parceiro. Nicko McBrain e o Iron Maiden não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações quando a reportagem foi publicada.

O episódio, portanto, não permite estabelecer qualquer relação direta com o consumo de drogas admitido agora por Nicko. Ele apenas se tornou mais um capítulo controverso de uma vida pessoal que o baterista decidiu revisitar com muito mais abertura em sua autobiografia.

A conversão que mudou sua relação com a própria vida

A transformação mais profunda aconteceria em 1999.

Incentivado pela esposa, Rebecca McBrain, Nicko participou de um culto na Spanish River Church, próxima de sua casa na Flórida. Durante a cerimônia, sentiu uma reação emocional que não conseguia explicar e posteriormente descreveu o momento como seu encontro definitivo com a fé cristã.

Nicko recordou que permaneceu de olhos fechados enquanto o pastor convidava as pessoas a entregar suas vidas a Jesus Cristo. Segundo ele, naquele momento sentiu como se estivesse sendo fisicamente empurrado para frente e decidiu abraçar o cristianismo.

A conversão trouxe uma dúvida inevitável. Como conciliar sua nova fé com sua permanência no Iron Maiden, banda que havia sido alvo de acusações de satanismo desde o lançamento de “The Number Of The Beast”?

“Se Deus não quiser que você faça isso, Ele avisará”

Nicko levou a questão ao pastor.

Segundo relato recente do baterista, recebeu como resposta que, caso sua permanência na banda estivesse em desacordo com o caminho espiritual que havia escolhido, Deus encontraria uma maneira de mostrar isso. Nicko então orou sobre a situação e concluiu que não precisava abandonar o grupo.

A decisão mostrou-se duradoura. Depois da conversão, o músico permaneceu por mais 25 anos nas turnês do Iron Maiden, deixando a atividade ao vivo apenas em dezembro de 2024.

Sua autobiografia “Hello Boys And Girls!”, que chega em 22 de outubro pela Harper NonFiction, pretende justamente contar essa trajetória sem esconder suas contradições: drogas, conflitos, fé, família, perdas, excessos e mais de quatro décadas dentro de uma das maiores bandas de Heavy Metal da história.

Ao falar agora sobre LSD, heroína, a morte de Phil Lynott, a noite em que acredita ter sido salvo por Ozzy Osbourne e sua posterior conversão, Nicko McBrain apresenta uma história que passa bem longe da imagem simplificada do rockstar invencível.

É justamente o contrário: o baterista parece interessado em mostrar quantas vezes esteve perto de seguir um caminho muito diferente — e por que acredita ter recebido mais de uma oportunidade para mudar de direção.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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