Nevermore: “Estamos focados apenas em músicas novas. Vamos passar grande parte de maio, junho e julho montando o novo álbum”

Photo: Ola Englund

Após anos de hiato desde o fim das atividades, o Nevermore finalmente retomou sua trajetória. O processo de retorno, no entanto, não aconteceu de forma imediata. Segundo Jeff Loomis, tudo começou com conversas iniciais entre ele e o baterista Van Williams, que avaliaram cuidadosamente se seria possível reviver a banda sem descaracterizar sua essência.

A dupla passou por um criterioso processo de audições até encontrar músicos capazes de honrar o legado do grupo. Assim, a nova formação ganhou corpo com a entrada de Berzan Önen nos vocais, Semir Özerkan no baixo e Jack Cattoi na guitarra, completando o lineup ao lado dos membros fundadores.

Além disso, o grupo já deu seu primeiro passo oficial nessa nova fase: um show em Istambul, que marcou o retorno aos palcos. A recepção calorosa do público reforçou a confiança da banda, que agora se prepara para apresentações na América do Sul, incluindo o Brasil.

Nova formação e a responsabilidade de seguir em frente

Outro ponto delicado nesse retorno envolve a ausência do saudoso Warrel Dane, falecido em 2017. Em vez de buscar um cantor que apenas imitasse, Jeff e Van optaram por um com identidade própria, mas capaz de interpretar o repertório clássico.

Essa decisão levou à escolha de Berzan Önen, cuja performance já vem sendo bem recebida pelos fãs — um fator crucial para consolidar essa nova fase da banda.

Em entrevista ao portal brasileiro Headbangers News, Jeff Loomis comentou como a entrada dos novos integrantes deve influenciar o som do Nevermore:

“Eu acho que o núcleo do som do Nevermore nunca vai realmente desaparecer. E acredito que esse núcleo, você poderia dizer que somos eu e o Van, já que estamos escrevendo no estilo do Nevermore e isso ainda se sustenta por si só. Mas acho que, quando se trata da longevidade de bandas, você sempre percebe que todos contribuem. Como uma banda como o Rush, por exemplo — todo mundo contribui com algo naquela banda. E nós não queremos que o Nevermore seja apenas o ‘show do Van e do Jeff’. Queremos que os outros caras contribuam também. Queremos que o Berzan contribua com letras. Queremos que ele contribua com melodias vocais. Queremos que o Jack e o Semir contribuam com riffs. Então, isso vai mudar o som central do Nevermore? Eu realmente não acho. Acho que isso só vai adicionar dinâmica e deixar tudo mais interessante, porque haverá outros pequenos elementos legais de passagens musicais disponíveis para usar. E acho que isso vai tornar tudo muito mais interessante para o ouvinte. Ainda terá os mesmos elementos centrais de antigamente, mas será novo e interessante, com uma nova vibração, por assim dizer. E é isso que estamos buscando para o novo Nevermore.”

Novo álbum já está em produção

Na sequência, Jeff Loomis também revelou detalhes sobre o próximo trabalho de estúdio da banda:

“Agora estamos focados apenas em músicas novas. Então vamos passar grande parte de maio, junho e julho montando o novo álbum. E esperamos que, até o primeiro trimestre de 2027, tenhamos músicas novas prontas para as pessoas ouvirem — se não um álbum completo, pelo menos um single novo. É nisso que estamos trabalhando no momento.”

Por fim, chama atenção a recepção positiva dos fãs em relação ao novo vocalista. Substituir uma figura icônica como Warrel Dane nunca seria uma tarefa simples, mas a aprovação inicial de Berzan Önen indica que o público está aberto a essa nova proposta.

Ainda assim, o verdadeiro teste virá com material inédito. Interpretar clássicos consagrados é um desafio diferente de apresentar composições novas que possam dialogar com álbuns marcantes como Dead Heart In A Dead World ou This Godless Endeavor.

Dessa forma, a combinação entre nostalgia e renovação coloca o Nevermore em um momento decisivo — e, ao mesmo tempo, extremamente promissor para o futuro.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário
Sair da versão mobile