Necrobutcher, do Mayhem, sobre shows cancelados no Brasil em 2023: “malditos políticos”

Necrobutcher, do Mayhem, sobre shows cancelados no Brasil em 2023: “malditos políticos”
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Em 2023, a lendária banda noruguesa de Black Metal, Mayhem, teve um show cancelado no Brasil pouco antes de subir ao palco do Toinha no Distrito Federal. As alegações do Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do DF (MPDFT) para o cancelamento foram supostas “práticas discriminatórias”.

Na época, o advogado da produção da banda, André Faria declarou:

“Estou dizendo com o coração partido, porque, além de fã da banda, batalhei muito. A gente tentou em todas as instâncias federais, no TJDF, na promotoria e, infelizmente, é isso. Sou informador de más notícias, queria ser de boas notícias.”

Por meio de um e-mail enviado ao G1, o Mayhem comentou:

“Qualquer forma de julgamento baseado apenas no histórico de uma pessoa, cor da pele, preferência sexual ou qualquer outra coisa sobre a qual ela não possa ter controle é um ato de fraqueza e é rejeitado pela banda.”

O Mayhem também outro show cancelado em Porto Alegre e que seria realizado no Bar Opinião. Houve protestos contra a banda que foi acusada de ser associada ao nazismo.

No próximo dia 7 de dezembro, a banda retornará ao Brasil para apresentação única em São Paulo, em uma celebração de suas quatro décadas de carreira. O show acontecerá no Vip Station em Santo Amaro.

Em uma nova entrevista concedida ao canal Heavy Metal On Line, o baixista Jørn “Necrobutcher” Stubberud relembrou o ocorrido na ocasião em 2023:

“Esta é uma faca de dois gumes. Agora posso falar sobre isso e chamar atenção, e talvez alguns filhos da puta acabem cancelando esse show também. Então talvez fosse melhor ficar calado… Mas, ao mesmo tempo, não consigo acreditar que isso aconteceu em um país como o Brasil, com liberdade de expressão. E não é mais um país do terceiro mundo; quero dizer, é um país desenvolvido. Vocês elegeram governos e pensaram que tudo ia ser… você sabe, sobre corrupção política… Eu não sabia que era tão ruim assim, e que alguns malditos políticos, por algum motivo — você sabe como eles são — fazem isso só para aparecer no jornal. E é isso que eles fazem.

Então, o cara viu o Mayhem, sabia que éramos uma banda louca, com uma história maluca e toda essa merda, e sentiu que deveria impedir a banda de tocar, para posar de herói. ‘Vou aparecer na primeira página e vou salvar a comunidade dessa porra satânica — canibais satânicos, terroristas.’ E então ele seria o herói. Tipo: ‘Olhem o que eu fiz, salvei vocês dessas pessoas horríveis. Eles iam fazer um show aqui.’ As pessoas presentes no local ficaram com medo, porque, enfim… E a gente ficou: ‘Que porra é essa? O que está acontecendo aqui?’

Estava tudo legalizado. Os locais alugados, impostos pagos. Não havia nada de errado. Não havia insegurança, não havia embriaguez, riscos de incêndio, fumaça, absolutamente nada; o local estava certificado. Foi uma questão política. E não era a prefeitura ou algo assim — era um político corrupto querendo fazer barulho e chamar atenção para si no jornal. Eu não podia acreditar. Pensei: ‘Pode ser a última vez que voltamos aqui, e da próxima vez vamos tocar apenas em São Paulo.’”

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