Mikkey Dee explica missão de manter o legado do Motörhead vivo: “Esse era o sonho de Lemmy”

Mikkey Dee (bateria) e Lemmy Kilmister (frente) por Christie Goodwin/Redferns/Getty Images

Baterista do Motörhead por mais de duas décadas, Mikkey Dee voltou a falar sobre os esforços para preservar a memória da lendária banda britânica. Em entrevista ao programa Trunk Nation, da SiriusXM, o músico destacou que o grupo conquistou um lugar único na história do rock pesado. E ademais, explicou por que ele e outros membros da equipe seguem trabalhando para manter o nome do Motörhead em evidência mesmo após o fim das atividades da banda.

Segundo Mikkey Dee, poucas bandas conseguem atravessar o tempo da mesma forma que o Motörhead. O baterista logo afirmou:

“Sim, existem algumas coisas sobre isso e, em primeiro lugar, a própria banda conquistou esse respeito e essa forma de continuidade. Quero dizer, algumas bandas desaparecem poucos anos depois de encerrarem as atividades; se acabam ou simplesmente param, elas desaparecem. O Motörhead estará aqui para sempre, e a fome das pessoas pelo Motörhead está mais forte do que nunca. Preciso dizer isso porque as pessoas não nos veem nem nos ouvem há dez anos, obviamente.”

Mikkey Dee ao vivo por Jason Kempin/Getty Images

Em seguida, ele elogiou o trabalho de Todd Singerman e Alex, responsáveis por coordenar diversos projetos ligados ao legado do grupo.

“Vocês precisam dar muito crédito ao Todd Singerman e ao Alex, porque eles têm um bom plano e estamos tentando continuar o legado do Motörhead. Eu sou o último integrante ativo. Quero dizer, Brian Robertson, Pete Gill e Lucas Fox ainda estão por aí, mas eles não foram tão ativos na banda quanto eu, Phil e Eddie. Então lançamos essas Lost Tapes, lançamos alguns itens, temos as bebidas. Tudo isso era o sonho do Lemmy.”

Além disso, Mikkey rebateu a ideia de que esses lançamentos existam apenas para gerar lucro.

“Isso realmente não nos faz ganhar dinheiro como algumas pessoas pensam. Na verdade, custa mais do que rende. Mas lançamos esse material porque, de repente, estamos na capa da Metal Hammer ou da Sweden Rock Magazine, ou então damos muitas entrevistas novamente. Isso prolonga a história. Nós lembramos as pessoas o tempo todo sobre o Motörhead com novos lançamentos para os fãs colecionarem. Alguns idiotas acham que tudo isso é apenas uma forma de ganhar dinheiro, mas custa mais do que arrecada. Porém, isso mantém o Motörhead vivo na memória das pessoas e nos coloca novamente em evidência.”

O baterista também explicou que ele e o guitarrista Phil Campbell dedicaram boa parte dos últimos dez anos a essa missão.

“É isso que eu e o Phil temos feito nos últimos dez anos. Damos entrevistas, participamos de ações relacionadas aos lançamentos e tentamos apresentar o material da melhor forma possível. Nossos verdadeiros fãs adoram essas coisas e colecionam tudo. Mais uma vez, dou muito crédito ao Todd, ao Alex, ao Steffan Chirazi e a todos esses grandes profissionais que fazem parte da nossa família. Eles trabalham duro nisso tudo, enquanto eu e o Phil somos as ferramentas que ajudam a prolongar esse legado.”

Durante a conversa, Mikkey Dee também comentou o impacto da perda recente de Phil Campbell, classificando a situação como um choque enorme. Ainda assim, reforçou sua responsabilidade em continuar representando a história da banda.

“Infelizmente, perder o Campbell foi um choque tremendo. Sou o último homem aqui que talvez possa falar por nós de forma mais forte do que qualquer outra pessoa. Mas esse era o sonho do Lemmy. Ele queria que seu uísque estivesse por aí. Ele queria que o nome Motörhead estivesse por aí. Ele queria que o legado vivesse para sempre. E é isso que estamos tentando cumprir.”

Por fim, o músico revelou que continua tocando clássicos do grupo sempre que sua agenda permite.

“Eu toco algumas músicas do Motörhead quando não estou em turnê com o Scorpions. Tenho minha banda Mikkey Dee And Friends. Tocamos algumas músicas do Scorpions, tocamos Motörhead e vários covers. Também conto histórias engraçadas sobre o Motörhead entre as músicas. É uma banda de diversão para tocar em clubes e isso me mantém ativo. Tudo isso contribui para manter a memória da banda viva, e as pessoas realmente apreciam isso.”

Nova versão comemorativa de 20 anos de Kiss Of Death vem para manter ainda mais vivo o legado do Motörhead

As declarações de Mikkey Dee chegam em um momento especial para os fãs. Em julho, o Motörhead celebrará os 20 anos de Kiss Of Death, álbum originalmente lançado em 2006 e considerado um dos trabalhos mais marcantes da fase final da banda. Para marcar a ocasião, o disco ganhará uma edição comemorativa remasterizada a partir das fitas originais, além de um LP bônus ao vivo registrando a apresentação do grupo no festival Lowlands, na Holanda, em 2007. A nova versão também contará com textos inéditos que destacam a importância de Phil Campbell para a história da banda. Caso queira fazer suas aquisições do material, acesse AQUI.

Trio lendário do Motörhead composto por Mikkey Dee (à esquerda), Lemmy Kilmister (centro) e Phil Campbell (à direita); Foto por Robert John

O legado do Motörhead permanece como um dos mais importantes da história do Heavy Metal e do Hard Rock. Liderada por Lemmy Kilmister, a banda ajudou a moldar a sonoridade pesada moderna ao unir a agressividade do metal com a velocidade e a atitude do punk. Álbuns clássicos como Ace Of Spades, Overkill e Bomber influenciaram gerações de músicos e continuam sendo referências obrigatórias. Já Lemmy se consolidou como um dos personagens mais icônicos da música pesada, símbolo de autenticidade, dedicação e paixão pelo rock. Ao mesmo tempo, a contribuição de Phil Campbell, falecido neste ano, também permanece fundamental. Seu trabalho como guitarrista ajudou a definir algumas das fases mais vitoriosas do Motörhead, tornando-o uma peça indispensável na construção e perpetuação da identidade sonora da banda.

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