Metallica: “De uma maneira meio psicótica, uma a um vai te dizer que toda nossa raiva, nossa dor e tristeza foram direcionadas a ele”, diz James sobre Jason

O Metallica inegavelmente se transformou em um fenômeno mundial ao longo das décadas. Muitos mencionam a época do álbum homônimo — mais conhecido como “Black Album”— como o momento da ascensão, mas o grupo começou a despontar um pouco antes disso.
Quando “One” despontou como sucesso mundial e o videoclipe da faixa passou a tocar incessantemente na programação da MTV, todos certamente sabiam que o céu era o limite. Naquele momento, o grupo tinha perdido seu baixista original em um acidente e tinha um novo integrante. Jason Newsted participou das gravações do disco, mas um ponto intriga os fãs até hoje, a ausência do baixo na mixagem final.
Em uma entrevista concedida a David Fricke, o guitarrista e vocalista do Metallica, James Hetfield, tentou explicar o que aconteceu na época das gravações do álbum “…And Justice For All” (1989). Ele contextualizou a chegada de Jason Newsted e como a banda se sentia após a perda de Cliff Burton.
Segundo James, o baixo do álbum foi retirado porque Jason estava seguindo exatamente o que ele fazia na guitarra base. Veja o depoimento de James:
“Acho que deve ter sido extremamente agridoce para ele. Como um sonho que foi tornado realidade. Mas ele estava vestindo os sapatos de alguém que nunca poderia ser substituído. Deve ter sido muito difícil. Para ele e para nós… foi difícil. A verdade é essa.
E sabe, de uma maneira meio psicótica, uma a um vai te dizer que toda a nossa raiva, nossa dor e tristeza foram direcionadas a ele. Não tudo, mas um pouco disso foi porque ele era um alvo fácil. E eu acho que havia algumas coisas sobre Jason, a personalidade dele, ele era… ele sentiu que era pateta o suficiente para pegar isso pra ele. O que foi positivo para ele, eu acho. Ele era tão fã e nós adiávamos isso, nós queríamos tirar o lado fã dele e queríamos que ele fosse tão duro quanto nós.
Então nós tentamos bater no fã para tirar isso dele. Tentamos também fazê-lo tocar algo diferente. Como o Cliff fazia. Ele, Jason, tocava com uma palheta, e ele seguiria tudo que eu fizesse. E eu me lembro que houve momentos onde eu estava tocando, e eu me virava e não conseguia ouvir o que eu estava tocando. Então ele não podia me seguir, era algo como, ‘faça o que você quiser, entende?’.
Mas obviamente ao vivo ele foi definitivamente ótimo, ele se encaixou muito bem, ele foi uma força incrível. E você ouvia o baixo ao vivo. Então, ele não tinha medo de pegar o microfone e rosnar sempre que era o que ele queria, e ele iria suar, ele realmente iria suar. Ele colocou muito de si nos shows ao vivo. Então isso ganhou muito o nosso respeito uma vez que começamos a turnê com ele.”

Quando o álbum completou 25 anos, Jason Newsted demonstrou não se importar muito com seu baixo não estar presente no álbum. Ele disse em uma entrevista para a Loudwire:
“Historicamente, ele se manteve com o tempo, talvez não a mixagem, mas as músicas e o impacto que elas deixaram, a marca que deixaram. A parte matemática disso, o quão longe fomos com uma música de 8 minutos, com 17 assinaturas de tempo, quero dizer, de quem foi a ideia, quando você volta e tenta aprender um pouco ou reaprender ou atualizar um pouco e então… cara… outro dia um garoto de Michigan aparece e me dá uma cópia de ‘Jason For All’, então ele remixou e colocou as faixas de baixo de volta no ‘Justice’.
E eu ouvi falar sobre isso ao longo dos anos e coisas do tipo, mas eu realmente presto muita atenção nisso e ele traz e fala, ‘cara, isso é pra você, do jeito que era pra ser’, e eu fico, tipo, ‘ok, mas eu acho que como era para ser é como saiu e foi isso que deixou a marca no mundo, mas legal, o baixo nele é ótimo, obrigado’.
Eu aprecio isso (o álbum), eu lembro disso como um tempo de vento mundial soprando a favor, você sabe? Qualquer um daqueles anos, 88, 89, quando tudo isso estava acontecendo… o primeiro vídeo saiu e deixou todo mundo pirado mundialmente, então tudo simplesmente virou algo maior.”