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Metal sem fronteiras: Myrath (Tunísia)

O universo da música é algo fascinante e de fato um labirinto infinito de informações. Com o advento da internet, ficou muito mais fácil explorar, conhecer um pouco da música regional de um país ou continente e isso acontece em poucos minutos de pesquisas.

Se no passado lidamos com a ausência dessas informações rápidas, hoje, em um piscar de olhos é possível saber se em Marte, Netuno e Saturno, existe bandas de Heavy Metal, que tipo de músicas fazem, em qual idioma cantam e numa pesquisa mais detalhada, somos capazes de saber “O Que Elas Fizeram No Verão Passado”.

   

Senhoras e senhores, sejam muito bem vindos ao…Metal Sem Fronteiras.

Nossa viagem prossegue e chega até a Tunísia. Mais precisamente em Ez Zahra, cidade costeira localizada ao sul da capital Tunis. Banhada pelo mar mediterrâneo e pelos municípios de Rades, Hammam Lif e El-Bou Mhel Bassatine, regiões administradas sob a governadoria de Ben Arous, cidade que fica no norte do país.

Atualmente sediado na França, o Myrath nasceu em 2001 quando Ben Arbia (guitarras), Elyes Bouchoucha (vocais e teclados), al e teclado),Oualid Issaoui (guitarraS), Zaher Ben Hamoudia (baixo) e Fahmi Chakroun (bateria) formaram o X-Tazy, banda que tocava covers de nomes como Symphony X e Death. Em 2005 o grupo lançou de forma independente um EP/Demo intitulado “Double Face”, contendo 08 faixas.

O ano era 2006 e o X-tazy mudaria de nome e formação. A entrada dos novatos Saif Ouhibi (bateria) e Anis Jouini (baixista) e a mudança de nome, agora já como Myrath, participaram do Mediterranean Guitar Festival, na Tunísia, tocando ao lado de Robert Plant (ex Led Zeppelin) e dos franceses do Adagio. A amizade da banda com Kevin Codfert, tecladista do Adagio, renderia ao grupo a gravação do primeiro álbum oficial, em outubro de 2007.

Intitulado “Hope”, o disco chegou às lojas em setembro de 2007 sob a produção de Kevin Coldfert e distribuído pelo selo francês Brennus-Music. Bem recebido e elogiado, “Hope” definitivamente abriu as portas para a banda, levando-os a se apresentarem em diversos festivais pela Europa, mostrando seu metal progressivo aliado à música oriental arábe. Aqui, o grupo criava seu próprio estilo e sua sonoridade ficaria mais “rica” (musicalmente falando) nos discos seguintes.

Em 2007 a banda recruta Zaher Zorgati, novo frontman substituindo Elyes Bouchoucha, que decidiu encarar apenas os teclados e contribuir com os backing vocals.

No ano seguinte (2008) o grupo grava “Desert Call”, segundo trabalho da carreira que marca a estréia de Zaher Zorgati. Porém, a demora nas negociações com gravadoras interessadas em distribuir o disco, fizeram com que omesmo fosse lançado apenas em 2010. O atraso no lançamento de seu novo disco, foi benéfico para o Myrath que teve uma excelente divulgação por conta da sua nova gravadora e o resultado foi uma apresentação no Prog Power Europe.

Em 2011 o quinteto passa por mais uma mudança em sua formação com a saída do baterista Saif Ouhibi. Em seu lugar a banda recrutou Piwee Desfray que gravou “Tales Of Sands”, lançado em setembro de 2011. Com um novo trabalho surge a conquista de novos horizontes e foi exatamente isso que aconteceu com o quinteto que excursionou ao lado de nomes como Dream Theater, HIM, W.A.S.P e Tarja Turunen.

Suas apresentações aconteceram na Europa, Oriente Médio e Estados Unidos. Em 2013 o grupo foi uma das atrações do Festival Prog Power americano, dividindo o palco com nomes como: Helloween, Gamma Ray, Queensryche, Turisas, Firewind, Circus Maximus e outros.

* Extraída de Tales Of Sands, “Merciless Times”, ganhou videoclipe.

Em 2015 o grupo deu uma pausa para descansar e compor um novo trabalho. “Legacy”, chega às lojas em 2016 impactado por “Deliver”, single que ganhou um excelente videoclipe dono de qualidade musical e visual absurdo. O disco é o primeiro com o baterista Morgan Berthet. Em sua turnê de divulgação, o grupo dividiu o palco com os holandeses do Epica, Anneke Van Giersbergen & Vuur e também foram a banda responsável por abrir os shows do Symphony X.

Enquanto preparavam o sucessor de “Leagcy”, o grupo lançou em dezembro de 2018 um novo single. “Dance” é o primeiro de uma trilogia, seguido de “No Holding Back” lançado em março de 2019 e “Born To Survive”, lançado em abril do referido 2019.

“Dance” e “No Holding Back”, apresentam uma história contada através de seus videoclipes interligados por um roteiro de extremo bom gosto, lembrando em alguns momentos filmes como: Simbad, Alí Babá e Mil e Uma Noites. A qualidade musical e visual desses videoclipes são dignos de produções holywoodianas e dispensam quaisquer comentários. Numa única palavra para descrevê-los: PERFEITOS.

Em maio de 2019 o grupo lança “Shehili”, quinto álbum de inéditas e desde então, seu mais recente registro que assim como os trabalhos anteriores, foi muito bem recebido e musicalmente traz toda a pompa e genialidade do grupo, divididas em 12 excelentes faixas.

N do R: Poucas bandas conseguem ser originais e boas ao mesmo tempo. Conhecendo a fundo o trabalho espetacular dos tunisianos, encontramos uma banda genial em todos os sentidos. Desde sonoridade, composições, letras, melodias e principalmente a qualidade individual de cada músico, em especial o vocalista Zaher Zorgati, dono de um timbre belíssimo e mostrando que a Tunísia pode se orgulhar de ter uma das mais belas vozes do metal contemporâneo.

Não gostar da banda ou de sua sonoridade é uma opção, porém é preciso reconhecer que o quinteto adaptou de forma inteligente a música regional de seu país ao Heavy Metal, criando assim um estilo único onde eles provavelmente passaram a ser referência (e exemplo) para novos grupos da Tunísia ou mesmo de outros países.

Algumas observações acerca do Myrath e sua trajetória de sucesso.

*Myrath, foi a primeira banda tunisiana a assinar contrato com uma gravadora de fora do seu país. O grupo traz em sua sonoridade elementos de metal progressivo com música tradicional árabe, transformando seu estilo musical no que eles (músicos)classificam como “Metal Desértico Flamejante”. Seja lá o isso queira dizer, a verdade é que o quinteto é o expoente do chamado “Metal Oriental” ou como alguns piadistas costumam dizer: Metal Habib ‘s.

   

* Desde seu álbum de estreia, o grupo mergulhou fundo na música oriental e regional de seu país. Em cada disco lançado o quinteto moldou e adicionou elementos da cultura árabe em sua musicalidade. Estas mudanças ficaram mais evidentes após a entrada do excelente Zaher Zorgati (vocais), responsável também por algumas composições.

* Em 2016, Arjen Anthony Lucassen convidou Zaher Zorgati para participar do álbum “The Source” do Ayreon.

* Em outubro de 2019 o Myrath lançou “Sweden Rock 2019”, álbum ao vivo, gravado em 08 de junho do mesmo ano no Sweden Rock Festival.

* Em dezembro de 2019, o grupo lançou “Live In Carthage” CD e DVD, gravado em abril de 2017. Este, o primeiro registro ao vivo da banda que também se apresentou no Hellfest, um dos maiores festivais de música pesada realizado na França.

* Zaher Zorgati, é um dos convidados especiais do projeto francês AVALAND, que prepara o lançamento de Theater Of Sorcery, álbum de estreia previsto para dia 02 de abril. Zaher, participa na faixa “Rise From The Ashes”, segundo single lançado semanas atrás.

* Assim como outros grupos de Heavy Metal de seu país, o Myrtah não é bem visto por seu governo estúpido e extremo radical, que enxerga a banda como mais uma pregando o satanismo em suas letras, o que definitivamente não é verdade. Em uma entrevista concedida em 2019 ao ser indagado sobre o Myrath ser uma banda ligada a política, o vocalista respondeu o seguinte: Na nossa terra natal Tunísia, sim. Nós temos nossa própria ideologia e nós também a expressamos. Antes da revolução, nós tínhamos uma cena local do metal no nosso país, que infelizmente não existe mais. Agora temos um partido islamista radical em nosso governo que demoniza nossa música e a retrata como satânica. (…) Na verdade, independência e liberdade de expressão crescentes foi a única coisa boa que a revolução trouxe consigo. Porque ela também garantiu a ascensão de um partido islamista radical, embora grande parte das pessoas no país sejam na verdade contra ele.

Discografia:

“Hope” (2007)

“Desert Call” (2010)

“Tales Of The Sands” (2011)

“Legacy” (2016)

“Sheihili” (2019)

Formação atual/Line up:

Zaher Zorgati (vocal)

Malek Ben Arbia (guitarra)

Elyes Bouchoucha (guitarra)

Anis Jouini (baixo)

Morgan Berthet (bateria) Assista a alguns videoclipes oficiais da banda:

Redigido por Geovani Vieira

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