[Metal sem fronteiras!] Ildaruni (Armênia)

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O universo da música é algo fascinante e de fato um labirinto infinito de informações. Com o advento da internet, ficou muito mais fácil explorar, conhecer um pouco da música regional de um país ou continente e isso acontece em poucos minutos de pesquisas.

Se no passado lidamos com a ausência de informações rápidas, hoje, em um piscar de olhos, é possível saber se em Marte, Netuno e Saturno, existem bandas de Heavy Metal, que tipo de músicas fazem, em qual idioma cantam e numa pesquisa mais detalhada, somos capazes de saber “O Que Elas Fizeram No Verão Passado”.

Senhoras e senhores! Sejam bem vindos ao Metal Sem Fronteiras.

Nossa viagem prossegue e chega até Yerevan ou Erevã (em armenio, “Երեւան”), cidade localizada ao longo do rio Hrazdan, capital e maior cidade da Armênia, além de uma das cidades mais antigas continuamente habitadas do mundo. Erevã é o centro administrativo, cultural e industrial do país. É a capital desde 1918, a décima terceira da história da Armênia, e a sétima localizada dentro ou em volta da planície de Ararat.

Foi lá que nasceu, em 2016, o Ildaruni, quinteto que lançou em abril deste ano, “Beyond Unseen Gateways”, álbum de estreia e um dos disco mais brilhantes (e surpreendentes) de Pagan/Black Metal de 2021.

Antes, porém, é preciso falar da origem desses jovens e talentosos músicos, já que o fato de serem uma banda em um país onde historicamente não há um único representante. É bem provável que a história mude a partir de agora.

Os primeiros passos aconteceram em junho de 2016, data em que o quinteto (na época] oficialmente foi formado. O line up contava com Artak Karapetyan (vocais), Robert Meliksetyan (guitarras), Mark Erskine (guitarras), Garbis Vizoian (baixo) e Arthur Poghosyan (bateria).

Inicialmente, e de forma independente, a banda gravou duas músicas que fizeram parte da primeira demo intitulada “Towards Subterranean Realms”, lançada em 01 de julho de 2018, trazendo uma sonoridade calcada no Black, Folk e no Pagan Metal. Tudo muito bem feito e musicalmente bem construído. Eles classificam sua música e seu estilo como uma mistura de Black intenso com melodias Folk.

Em suas letras, são abordados temas como o paganismo, ocultismo, mitologia e, segundo seus integrantes, as influências e referências são de nomes como Enslaved, Nokturnal Mortum, Dissection, Drudkh e Rotting Christ. Esta última, certamente a maior delas.

O lançamento tardio de “Towards Subterranean Realms” se deu por conta das mudanças de formação, normal na grande maioria dos grupos, ocasionando assim uma demora de pouco mais de dois anos.

A boa recepção do trabalho, segundo os músicos, foi o combustível para que eles progredissem, planejassem uma carreira de fato e as projeções para o que seria o vindouro álbum de estreia.

Abril de 2021: Especificamente no dia 16, eis que o grupo lança “Beyond Unseen Gateways”, oficialmente seu álbum de estreia é indiscutivelmente um dos trabalhos mais extraordinários de Pagan/Black Metal lançado neste ano.

Contendo 08 faixas inéditas, incluindo as duas composições lançadas na demo de 2018, o disco apresenta um trabalho rico em melodias e também em instrumentação, já que em dado momento, as harmonias e melodias fundem com o Folk e Celtic Metal, embora a essência e a raiz de sua música seja de fato o Pagan/Black Metal, propriamente dito.

As letras também retratam sobre o período pagão da Armênia antiga, principalmente as lutas de Van Kingdom contra o Império Assírio, relatos de guerras e também algumas vitórias e lutas não celebradas de certos reis.

Cabe aqui uma observação:

Van Kingdom, também conhecido como Reino de Urartu ou Reino de Van, foi uma civilização que se desenvolveu na Idade do Bronze e do Ferro da antiga Armênia, no leste da Turquia e no noroeste do Irã a partir do século 9 A.c.

Um fato na sonoridade do Ildaruni e, evidentemente, em “Beyond Unseen Gateways”, é a parte instrumental, já que o grupo adiciona alguns instrumentos não convencionais, fazendo com que as harmonias e melodias causem impacto surpreendendo o ouvinte. Exemplos são o uso de Apito (uma espécie de flauta) e Dap, este último um tipo de tambor tradicional da Armênia. A banda também usa a parkapzuk, uma espécie de gaita de fole originária de seu país. Segundo os músicos, estes instrumentos servem para criar um ambiente atmosférico para suas canções, transportando o ouvinte de volta à vida antiga nas montanhas armênias.

Além da música, que retrata sua cultura, suas crenças pessoais, passando pela história pagã e mitologia, o nome da banda também é de extrema importância para o quinteto. “Ildaruni” é na verdade o nome urartiano de um dos maiores rios da Armênia, chamado Hrazdan.

A banda também caprichou quando pensou na arte que representaria o CD. Segundo os músicos, toda a ideia do que eles chamam de “Obra de arte” veio da mente brilhante do guitarrista Mark Erskine.

A ideia era recriar ficcionalmente a antiga cidade de Ardini, que era o centro religioso do reino Urartiano. As muralhas, edifícios, montanhas e o céu estrondoso da cidade representam perfeitamente as eras das guerras ao redor da cidade, a glória e a altura do Reino Urartiano.

Vale ressaltar que a cidade era famosa pelo “Templo Musasir”, e os jardins sagrados construídos em 825 A.c.

Ainda segundo os músicos, Mark conseguiu capturar perfeitamente o conceito massivo e essencial do álbum, trazendo um resultado super positivo, resultando em uma capa belíssima. Uma das mais belas no quesito Black Metal.

A genialidade musical do Ildaruni e seu álbum de estreia tem chamado a atenção dos apreciadores e fãs dos grupos supracitados, porém a pandemia que assolou o mundo forçou as bandas a ficarem retraídas e impossibilitadas de realizarem shows de divulgação de seus discos. Isso também aconteceu com os armênios, porém eles têm concedido entrevistas onde divulgam seu trabalho e se preparam para os dias vindouros.

Perguntados sobre o “feedback” de seu disco de estreia, a banda enfatizou que sua música obteve um feedback positivo tanto na Armênia quanto no exterior.

Ainda segundo eles, antes do Ildaruni, havia outros nomes armênios que tocavam Black Metal pagão, então esse gênero já era conhecido e popular na pequena cena musical de lá.

Sobre a forma como sua música está sendo recebida em seu país, os músicos dizem que nenhum problema envolvendo a banda ou o disco aconteceu e que eles tentam se desviar de assuntos ligados a política e/ou qualquer tipo de movimento. Ao invés disso, optaram por temas que giram em torno da história e cultura de seu povo.

A excelente qualidade musical de “Beyond Unseen Gateways” rendeu ao Idaruni um contrato com a gravadora sueca Black Lion Records, responsável por divulgar o disco mundo afora.

Como “single” representando o álbum, o grupo optou por “Treading the Path Of Cryptic Wisdom”, uma das faixas mais incríveis e épicas do full lenght.

Numa vastidão de bandas e estilos dos mais variados possíveis, é satisfatório descobrir nomes como o Ildaruni. Não bastasse a genialidade de suas canções, a banda se destaca por ser de um país onde pouco (ou quase nada) se ouve falar quando o assunto é Heavy Metal.

O trabalho excepcional e muito bem composto do quinteto pode elevar o nome da Armênia e o provável sucesso dos mesmos pode abrir portas para novos grupos e quem sabe assim como aconteceu com Orphaned Land (Israel) e Rotting Christ (Grécia), o Ildaruni, seja um excelente e importante representante atual da música pesada da pequena Armênia.

Na lista dos grupos citados como inspiração e influências, podemos adicionar também nomes como: Windir, Wormwood, Varathron, Kawir, Macabre Omen, Saor, Veil of Conspiracy, Acherontas, Melechesh, Nightbringer, Insomnium, Meadows End e o já citado Orphaned Land.

“Em geral, o povo armênio tem a mente aberta e esperamos que a cena Metal possa progredir, organizando mais shows e influenciando as gerações mais jovens a se interessarem pela cena” [Robert Meliksetyan].

PS: Atualmente o grupo segue como um quarteto já que Garbis Vizoian (baixo) deixou o posto, embora ele tenha contribuído nas gravações do CD.

N do R: Enquanto buscava informações para este artigo, deparei -me com outras bandas oriundas da Armênia, as quais merecem atenção (algumas já não estão na ativa): Ambehr, Hexen, Highland, Avarayr, Ayas, Asparez, Sworn. Merial, Araspel e Vahagn.

Sim! A Armênia tem bandas de estilos e sonoridades variadas, que merecem atenção especial.

Fica a dica.

Integrantes:

Artak Karapetyan (vocal, baixo)

Robert Melikselyan (guitarra)

Mark Erskine (guitarra)

Arthur Poghosyan (bateria).

Redigido por: Geovani Vieira

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