Megadeth: “essas músicas não combinam com nosso público. Temos que voltar a ser uma banda de Thrash”, relembra David Ellefson sobre “Risk”

Megadeth: "essas músicas não combinam com o nosso público. Temos que voltar a ser uma banda de thrash", relembra David Ellefson sobre "Risk"
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Nos anos 90, as bandas tradicionais de Metal se viam em meio a um grande dilema: se adaptar às novas tendências do mercado musical ou simplesmente acionar o botão do f0d@-se e continuar fazendo o que sempre fizeram. Claro, dessa forma, corriam o risco de ficarem para trás e se tornarem menos atrativas. O mercado da época privilegiava bandas que estavam fazendo um som mais radiofônico em meio ao sucesso do grunge nas paradas musicais. Algumas bandas acertaram ao mudar o seu som, que foi o caso do Pantera do início dos anos 90 em diante. Mas nem todas tiveram êxito, é bom que se diga. No caso do Megadeth com o famigerado “Risk”, acenaram para uma “nova geração” de fãs e se distanciaram do Thrash que os consagrou.

Embora seja um dos seus álbuns mais vendidos, os fãs tradicionais criticaram duramente o disco e o consideram uma mancha na discografia da banda.

Discutindo sobre o assunto com Greg Prato, autor do livro “The World’s State-Of-The-Art Speed Metal Band: The Megadeth Story 1983-2002”, em seu podcast The David Ellefson Show, o ex-baixista do Megadeth foi questionado por Prato se ele considera “Risk” o “(Music From) The Elder” do Megadeth, e Ellefson mergulhou mais fundo na questão:

“Estava tudo indo na direção errada. Mas foi naquela turnê… então, não tocamos muito essas músicas juntos. A maioria delas nem tocamos como banda na sala de ensaio, apenas alugamos o estúdio.

E aí saímos na estrada e percebemos: ‘Meu Deus, essas músicas não combinam com o nosso público’. E estávamos tocando em casas noturnas. Não estávamos tocando nos lugares certos, estávamos tocando em lugares menores. E enquanto tocávamos, pensávamos: ‘Essas músicas não estão conectando nada’. Então, você passa de 5 músicas no set para 3, para 1.”

O resultado é que “Risk” teve uma péssima recepção do público. Era preciso reverter essa situação com o próximo disco — esse era o pensamento. Mas o guitarrista Marty Friedman não concordou com a ideia de uma mudança estilística, conforme explicou David Ellefson:

“Acho que era o Crocodile Rock [uma casa de shows na Filadélfia], estávamos saindo de lá e conversando no salão da frente do ônibus. Estávamos indo para Myrtle Beach, eu acho. E o Dave disse: ‘Isso não está funcionando. Temos que voltar a ser uma banda de thrash.’

E o Marty simplesmente disse: ‘Se formos uma banda de thrash, estou fora’. E houve um silêncio absoluto no salão da frente do ônibus. Ele simplesmente disse: ‘Não quero fazer isso. É isso aí’. E ele se virou, fechou a porta, voltou para a área dos beliches e foi dormir.”

O que veio depois você já sabem… Marty Friedman se demitiu e Al Pitrelli (Savatage) assumiu seu lugar no próximo disco “The World Needs a Hero”, de 2001.

Acompanhe essa discussão na íntegra em seguida:

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