Max Cavalera pede votos a Lula: “Contra o racismo. Contra os fascistas. Refuse/Resist. Vote Lula!”

O vocalista e guitarrista Max Cavalera, ex-líder do Sepultura e atualmente à frente do Soulfly, manifestou publicamente seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Em uma publicação feita no Instagram nesta terça-feira, 20 de outubro, o músico aparece segurando um cartaz com os dizeres: “Contra o racismo. Contra os fascistas. Refuse/Resist. Vote Lula!”, em referência à clássica composição do Sepultura, lançada no álbum Chaos A.D., de 1993.
Na legenda, Max reforçou seu posicionamento, abordando questões relacionadas ao combate ao fascismo, à preservação ambiental, aos povos indígenas e à desigualdade social. O músico escreveu:
“Poder ao povo que luta contra o fascismo! Protejam a Amazônia! Protejam os povos indígenas! A vida deve ser desfrutada por todos, não ditada pela classe rica!”
A publicação acontece às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para 25 de outubro. O posicionamento de Max Cavalera também acompanha outras manifestações de músicos ligados à história do Sepultura. Seu irmão, Iggor Cavalera, declarou apoio ao mesmo candidato. Enquanto isso, Andreas Kisser e Eloy Casagrande também utilizaram suas redes sociais para expressar posições políticas relacionadas à disputa eleitoral.
Rock, Heavy Metal e o envolvimento com campanhas eleitorais
A relação entre política e Rock não é novidade. Desde suas origens, o gênero serviu como instrumento de contestação, crítica às autoridades e questionamento das estruturas de poder. O próprio Sepultura construiu parte de sua identidade abordando temas como violência policial, desigualdade, conflitos sociais e direitos dos povos indígenas. Entretanto, existe uma diferença entre utilizar a música para questionar o poder estabelecido e empregar a própria influência artística para pedir votos a uma candidatura específica.
Essa distinção alimenta um debate recorrente, especialmente nas últimas eleições brasileiras. Para parte do público, a associação direta de artistas com campanhas partidárias cria uma tensão com os princípios de independência e inconformismo frequentemente associados ao Rock e ao Heavy Metal. Por outro lado, há quem interprete o engajamento eleitoral como uma extensão legítima das convicções políticas que esses músicos sempre expressaram em suas composições.
No caso de Max Cavalera, a escolha de utilizar “Refuse/Resist”, uma das músicas mais emblemáticas da fase politicamente engajada do Sepultura, acrescenta outro elemento à discussão. A composição nasceu como uma manifestação de resistência e crítica social, mas agora seu título aparece diretamente associado a um pedido de voto.
Ficam, portanto, alguns questionamentos para os fãs: até que ponto o espírito contestador do Rock se concilia com a participação de seus representantes nas campanhas daqueles que disputam o poder político? Que cobranças públicas esses mesmos artistas fizeram aos governantes nos últimos quatro anos? Demonstraram a mesma disposição para questionar decisões e cobrar resultados daqueles com quem possuem afinidade política?
Afinal, a contestação às estruturas de poder deve permanecer independentemente de quem esteja no governo. Para parte dos fãs, o envolvimento direto de músicos em campanhas eleitorais pode transmitir a impressão de uma crítica seletiva, condicionada inegavelmente às próprias convicções ideológicas.