Live Review: Sanctuary finalmente estreia em São Paulo com apresentação apoteótica

No último dia 30 de agosto, a Burning House, casa de shows localizada no bairro da Água Branca, em São Paulo, recebeu os norte-americanos do Sanctuary para uma apresentação única na capital paulista.

Com produção da Dark Dimensions, o show prometia uma viagem no tempo, especialmente ao final dos anos 80 e início dos 90, quando o grupo despontou com “Refuge Denied” (1987), seguido de “Into The Mirror Black” (1990), este último o grande responsável por apresentar “Future Tense”, um dos hinos do Heavy Thrash que atravessou épocas, conquistou fãs ao redor do mundo, bem como despontou na programação da extinta MTV.

A espera, que durou mais de 40 anos, finalmente acabou, e os fãs brasileiros puderam apreciar uma apresentação espetacular de uma banda que deveria ter seguido adiante, assim como fizeram nomes como Overkill, Testament, Megadeth, Metallica e tantas outras.

Enfim, o que de fato importa é que, antes tarde do que nunca, o grupo pôde mostrar seu poderio de fogo em uma noite que ficará marcada na memória deste que vos escreve e, certamente, na de um número considerável de fãs que compareceram para prestigiar o quinteto nesta noite histórica.

A atual formação conta com Lenny Rutledge (guitarra) e Dave Budbill (bateria), únicos remanescentes da formação original, além de William Wallner (guitarra), George Hernandez (baixo) e do excelente vocalista Joseph Michaels (Witherfall), dono de uma voz privilegiada e agudos absurdos que conquistaram e arrancaram elogios dos fãs presentes.

Se alguém tinha dúvidas sobre sua performance à frente da banda e cantando os clássicos da era Warrel Dane, então elas foram por água abaixo após esta apresentação. Numa palavra: Impecável!

Photo: Rodrigo Faustino (Metal Na Lata)

Uma seleção de clássicos

Exatamente às 20h05, o quinteto subiu ao palco sob os acordes de “Arise and Purify”, seguida de “Frozen”, faixas presentes em “The Year The Sun Died”, terceiro trabalho de estúdio e o primeiro lançado após o retorno oficial da banda, em 2010, depois de um longo hiato.

Apesar de alguns probleminhas no microfone de Joseph Michaels, que rapidamente contornou a situação, as músicas literalmente incendiaram os fãs. E isso era só o começo.

“Die Form My Sins”, do excelente debut “Refuge Denied”, foi o combustível para acender a fogueira e colocar todos pra cantar. E que performance vocal absurda de Joseph.

Hora de mergulhar no estupendo “Into The Mirror Black” com “Seasons Of Destruction”, que se intercalou com “Veil of Disguise”, mais uma de “Refuge Denied”. A apresentação seguiu em grande estilo com “Future Tense”, um dos hinos absolutos da banda e do Heavy/Thrash mundial. Sendo assim, nem preciso dizer que ela foi recebida de forma grandiosa e cantada em uníssono até por quem estava fora da casa. Sem dúvidas, um dos pontos altos do show.

Do mesmo disco vieram as absurdas “Taste Revenge”, “Long Since Dark”, “Epitaph” (com direito a homenagem ao ex-vocalista Warrel Dane) e “The Mirror Black”, numa sequência espetacular destacando mais uma vez a performance de Joseph Michaels. O cara tem um alcance simplesmente absurdo e consegue atingir notas altíssimas. E não posso deixar de mencionar que foi aqui o momento em que o coração acelerou e aquele alerta de “infarto” bateu à porta.

Photo: Rodrigo Faustino (Metal Na Lata)

Covers

Saindo de seu terreno, a banda mandou “Breathe”, do Pink Floyd, e “White Rabbit”, originalmente gravada pelo Jefferson Starship, ambas muito bem recebidas.

De volta ao front, mandaram “Battle Angels”, faixa que abre “Refuge Denied”, e finalizaram com “Not Of The Living”, seguida de “The Year The Sun Died”, encerrando a primeira parte do show sob aplausos intensos de um público totalmente satisfeito com o que viu.

O encore veio com “Soldiers Of Steel”, faixa que encerrou aquele que, na minha humilde opinião, foi um show apoteótico.

A primeira passagem do Sanctuary por São Paulo não poderia ser diferente, e acredito que isso já era esperado, haja vista o sucesso que os dois primeiros trabalhos alcançaram no Brasil. E, claro, há também a questão da ligação pessoal de Warrel Dane com o público brasileiro anos mais tarde.

Vamos pular a parte das comparações entre Warrel e Joseph, já que ambos são grandes vocalistas e cada um possui qualidades inquestionáveis. E certamente isso é o que importa.

Fazendo uma observação pessoal, eu diria que Joseph Michaels teria condições de sobra para ser o novo frontman do Nevermore, que retornou aos palcos com o igualmente excelente Berzan Önen.

Photo: Rodrigo Faustino (Metal Na Lata)

Três fatos que precisam ser mencionados

1 — A performance espetacular de Joseph Michaels! Após uma hora e quarenta minutos, a sensação era de que ele ainda estava na primeira música. Usando agudos com certa tranquilidade, Michaels se divertia a cada nota entoada enquanto degustava uma boa taça de vinho.

2 — Apesar do entrosamento e da performance individual de cada músico, sem exceção, é impossível não destacar as atuações do baterista Dave Budbill e do baixista George Hernandez, um verdadeiro monstro em seu instrumento.

3 — A emoção do guitarrista Lenny Rutledge, com lágrimas nos olhos ao ver seu nome gritado por uma gama de fãs ensandecidos.

Quem esteve presente na Burning House certamente não se esquecerá da apresentação impecável de uma banda que não deveria ter demorado tanto para aportar em terras brasileiras.

Para aqueles que não puderam estar presentes, torçam para que a banda retorne ao nosso país o quanto antes. E, se isso acontecer, vá vê-los.

Ao final, os integrantes desceram do palco dividindo atenção, autógrafos e fotos com os fãs.

Em síntese: uma noite para recordar!


Assista ao vídeo do show publicado pelo canal Rock Doido do Argoth:

Setlist:

  • 01 Arise and Purify
  • 02 Frozen
  • 03 Die for My Sins
  • 04 Seasons of Destruction
  • 05 Veil of Disguise
  • 06 Future Tense
  • 07 Taste Reveng
  • 08 Long Since Dark
  • 09 Epitaph
  • 10 The Mirror Black
  • 11 Breathe (Pink Floyd cover)
  • 12 White Rabbit (Jefferson Airplane cover)
  • 13 Battle Angels
  • 14 Not of the Living
  • 15 The Year the Sun Died

Encore:

  • 16 Soldiers of Steel
Photo: Rodrigo Faustino (Metal Na Lata)
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