Live Review: Roy Khan — The Black Halo & Beyond Tour

No último dia 17 de outubro (sábado), o Carioca Club recebeu Roy Khan, ex-vocalista do Kamelot, para mais um show na capital paulista.
A apresentação faz parte da turnê The Black Halo and Beyond, que também inclui outras cidades brasileiras, como Recife, Limeira, Curitiba e Porto Alegre.
No repertório, canções gravadas durante sua passagem pelo Kamelot, banda americana de Power Metal na qual permaneceu por 14 anos, gravando sete álbuns oficiais de estúdio.
Revisitando clássicos, especificamente dos discos Epica, The Black Halo e Ghost Opera, trabalhos conceituados e de grande repercussão e aceitação mundial, Roy Khan relembrou a trajetória que o tornou um dos nomes mais importantes da cena Heavy/Power Metal mundial.
O reencontro com seus fãs
Este foi seu primeiro show como atração principal, no qual explorou outros trabalhos de sua ex-banda, estendeu seu setlist com mais liberdade e, literalmente, recebeu os fãs fiéis que o acompanham há longos anos.
Para os vocais femininos, a escolha foi Zoe Marie Federoff, cantora americana da banda Catalyst Crime, no lugar de Adrienne Cowan (Masters of Ceremony, Seven Spires).
Particularmente, achei um tiro certeiro a troca de vocalistas, haja vista que Zoe parece se encaixar melhor na banda, mostrando boa presença de palco, mandando bem nos vocais de apoio e combinando perfeitamente com o estilo de Roy Khan.
Vale lembrar que Zoe integrou as bandas Insatia e Cradle of Filth.
Opinião pessoal: musicalmente falando, Zoe aparenta ter mais preparo, e sua voz supera a de Adrienne, além de apresentar ótima presença de palco.
Abertura: Maestrick mostra por que merece seu espaço
A abertura ficou por conta do Maestrick, banda de São José do Rio Preto que, merecidamente, vem conquistando seu espaço e que lançou, em maio de 2025, o álbum Espresso della Vita: Lunare, um dos melhores discos de Progressive Power Metal lançados por uma banda brasileira.
Conhecendo o Maestrick: na estrada desde 2004, o quarteto, formado atualmente por Fábio Caldeira (vocais, piano e orquestrações), Renato Montanha (baixo), Charles Soulz (teclados) e Chris Oliveira (bateria), além do guitarrista Caio Kehyayan, músico convidado para as apresentações ao vivo, entrou no palco pontualmente às 18h e fez um show de abertura espetacular.
Tranquilos e com um carisma ímpar, o Maestrick é aquela banda que já nasceu pronta pra encarar qualquer parada. Dono de uma musicalidade agradável, que em alguns momentos nos remete a nomes como Evergrey, Adamantra, Circus Maximus, Seventh Wonder e outros, o grupo também se destaca pela forma gentil com a qual se comunica com os fãs.
Toda essa gentileza é orquestrada por Fábio Caldeira, um verdadeiro lorde e, indiscutivelmente, um excelente vocalista no palco.
Uma apresentação de alto nível musical
Com o público ainda chegando, o quinteto passeou por sua discografia, revisitando desde Unpuzzle, álbum de estreia lançado em 2011, passando por Espresso della Vita: Solare, segundo trabalho, de 2018, até o já citado Espresso della Vita: Lunare, seu mais recente disco, lançado em 2025.
Mostrando seu Progressive Power Metal de excelente qualidade, o grupo deu um show de simplicidade e musicalidade numa apresentação que durou aproximadamente cinquenta minutos, agradando em cheio ao público presente.
Além das canções dos discos supracitados, a banda tocou, em primeira mão, o novo single intitulado “Zion”, lançado recentemente e que ganhou um excelente videoclipe. A propósito, a produção do vídeo é simplesmente perfeita.
Após assistir à apresentação do Maestrick, dá para entender por que Roy Khan escolheu os músicos para serem sua banda de apoio.
Em suma: show excelente de uma banda que nasceu pronta para o estrelato e que merece todo o prestígio do qual vem desfrutando.
Roy Khan entra em cena e o Carioca Club vem abaixo
Após um pequeno intervalo, as cortinas se abriram para receber Roy Khan, o lendário vocalista do Kamelot e um dos grandes responsáveis pelo sucesso absoluto da banda americana.
Com o Carioca Club praticamente lotado, a abertura aconteceu com “When the Lights Are Down”, seguida de “Soul Society” e “Moonlight”, canções extraídas do excelente The Black Halo (2005), um dos trabalhos mais consistentes e marcantes da carreira do vocalista, que viu o público cantar cada verso e cada melodia da excelente trinca de abertura.
Com um largo sorriso no rosto e parecendo incrédulo diante do que estava presenciando, Roy Khan anunciou “Center of the Universe”, do álbum Epica (2003). A resposta não poderia ser outra senão uma multidão cantando o refrão daquela que, particularmente, considero uma das melhores músicas do disco.
O primeiro momento calmo do show veio com a magnífica e obrigatória “Abandoned”, uma das mais belas canções da banda, daquelas que causam arrepios até mesmo no fã mais rústico. Aqui, precisamos destacar a interpretação primorosa e a carga emocional com a qual Roy Khan canta. Tente não se emocionar (se for capaz).
The Haunting e a participação de Zoe Marie Federoff
A sequência com “The Haunting (Somewhere in Time)” proporcionou um daqueles momentos em que o lugar simplesmente vem abaixo, e tentar ouvir a voz principal se torna uma missão quase impossível.
Dois pontos a serem mencionados. Originalmente, “The Haunting” conta com a participação especial da vocalista Simone Simons, do Epica, e foi o primeiro videoclipe oficial lançado pelo Kamelot.
Nesse trecho da apresentação, o vocalista contou com a participação especial de Zoe Marie Federoff, fazendo os vocais de apoio.
Do álbum Ghost Opera (2007), veio “Rule the World”, seguida de “Memento Mori”, em mais um momento espetacular do show.
Nights of Arabia, Karma e Forever: uma sequência de clássicos
Após alguns segundos de conversa e agradecimentos à plateia, o vocalista anunciou “Nights of Arabia”, do álbum The Fourth Legacy (1999), para o delírio dos presentes, incluindo este que vos escreve.
É impressionante o poder que essa música tem ao vivo e a riqueza de melodias que possui. Claro que os fãs deram um show à parte, em mais uma sintonia perfeita entre banda e público.
Hora de revisitar mais um trabalho de excelente qualidade da era Khan. A bola da vez foi “Karma”, faixa que dá nome ao disco homônimo, lançado em 2001, e mais uma grande obra musical do Kamelot.
O encerramento da primeira parte veio com “Forever”, em mais um momento marcante entre banda e público, que cantou cada verso e cada nota musical, proporcionando uma das passagens mais belas do show.
O retorno ao palco e a emoção de Epilogue
Após um pequeno intervalo, a banda retornou ao palco sob aplausos e gritos de “Roy Khan! Roy Khan!”, vindos de uma plateia que queria mais.
Abriram com “Ghost Opera”, excelente faixa do disco de mesmo nome e, como esperado, o público respondeu à altura, dividindo os vocais em mais um momento grandioso da noite.
Antes de mandar as duas últimas canções, o vocalista fez questão de agradecer ao público presente e falou um pouco sobre a próxima música do setlist, que, em suas palavras, tratava-se de “uma canção especial lançada como faixa bônus no álbum Ghost Opera”. Ele estava se referindo a “Epilogue”, que, claro, foi muito bem recebida, proporcionando um dos momentos mais emocionantes da apresentação.
Particularmente, acho esta a melhor performance vocal de Roy Khan. E, se ela é uma canção magnífica no disco, ao vivo simplesmente penetra nos poros. A música ativa todas as células emocionais e, como uma flecha certeira, atinge o alvo em cheio. Confesso que tentei segurar as lágrimas, mas fui traído por meus olhos.
Pra mim, o melhor momento do show! Impossível descrever a magnitude dessa música em simples palavras.
Mas ainda faltava a cereja do bolo. Para fechar a noite com chave de ouro, os acordes espetaculares de “March of Mephisto” explodiram nos alto-falantes, causando frenesi nos fãs presentes.
Precisamos falar de sua recepção ou do barulho ensurdecedor que tomou conta do Carioca Club? Bem recebida e cantada em uníssono até por quem estava do lado de fora da casa, a música apresenta uma combinação de vocais melódicos com guturais, aqui interpretados por Zoe Marie Federoff, numa performance perfeita e surpreendente.
Considerações finais: Roy Khan e sua relação especial com o Brasil
O retorno de Roy Khan à cena musical é algo que, de fato, precisava acontecer. Apesar de ter voltado com o Conception em 2018, foi no Kamelot onde conquistou prestígio, fama, sucesso e uma legião de fãs apaixonados.
Essa paixão ficou evidente nas apresentações do artista aqui no Brasil, onde o público gritava seu nome a cada intervalo entre as músicas. A propósito, Roy Khan está cantando muito bem e, apesar de alguns tons exigirem muito de sua voz, afinal de contas, ele já não é mais aquele garoto que estreou em Siege Perilous, ainda assim consegue manter um domínio vocal espetacular, sem desafinar.
Por sua vez, ele fez questão de agradecer o carinho recebido do público brasileiro, falou de seu amor por nosso país, emocionou-se e não se esqueceu de agradecer especialmente ao vocalista e amigo Edu Falaschi, um dos responsáveis por incentivar o início de sua carreira solo.
Assim como Timo Tolkki, Paul Di’Anno e Warrel Dane, músicos que criaram vínculos com nosso país e com artistas brasileiros, Roy Khan também fez o mesmo. E, nitidamente, dá pra ver que ele se sente em casa quando está por aqui.
A relação de amizade com os músicos do Maestrick certamente estreita esses laços e trará bons frutos. Além disso, fortalece uma conexão afetuosa interessantíssima entre Brasil e Noruega.
Mais que um show, Roy Khan ofereceu aos seus fãs uma retrospectiva musical regada a grandes clássicos e interpretações geniais, numa apresentação memorável, inesquecível e PERFEITA.
Setlist:
- 01 When The Lights Are Down
- 02 Soul Society
- 03 Moonlight
- 04 Center Of The Universe
- 05 Abandoned
- 06 The Haunting (Somewhere In Time)
- 07 Rule The World
- 08 Memento Mori
- 09 Nights Of Arabia
- 10 Karma
- 11 Forever
- 12 Ghost Opera
- 13 Epilogue
- 14 March Of Mephisto
Assista ao show completo publicado pelo canal Stage Hammer Live: