Live Review: O Renascimento do Nevermore — Uma Noite de Catarse no Carioca Club

Depois de três décadas frequentando casas de shows e acumulando centenas de apresentações na memória, eu honestamente achei que já tinha visto de tudo. Mas, na noite de 28 de abril de 2026, o Nevermore provou que a música, quando visceral e verdadeira, ainda tem o poder de me impactar como se fosse a primeira vez. Poucas vezes, em trinta anos de caminhada, saí de um local com as energias tão renovadas e o coração tão acelerado.

O Carioca Club foi o cenário desse retorno triunfante. Às 20:30h em ponto, a banda subiu ao palco, com uma produção simples, sem os excessos que muitas vezes escondem a falta de conteúdo. Ali, a verdade estava no som, que estava perfeito, cristalino, assim como um peso que parecia sair de dentro da terra.

Uma das coisas que me chamou a atenção foi observar a plateia. Havia uma diversidade geracional impressionante: o veterano de cabelos grisalhos que acompanhou a banda desde os anos 90, lado a lado com jovens que descobriram a complexidade do grupo na era digital. Gerações distintas, unidas pelo mesmo respeito e devoção.

A Nova Era

Este show não foi apenas uma apresentação, foi a consolidação de uma nova fase. Após o trauma da perda do nosso eterno Warrel Dane, o hiato parecia definitivo. Mas o vocalista Berzan Önen entregou uma performance avassaladora, carregada de identidade, honrando o passado e nos dando pistas de um futuro glorioso.

Ao lado dele, o novo baixista Semir Özerkan trouxe um peso físico e uma presença de palco magnética, enquanto o guitarrista Jack Cattoi demonstrou um entrosamento com Jeff Loomis que beirava o sobrenatural.

Os novos integrantes não ocuparam vagas. Eles assumiram um legado com uma entrega impressionante.

A Jornada Sonora

A banda abriu com a atmosférica Ophidian (Dreaming Neon Black), um convite hipnótico que preparou o terreno para o que viria. Na sequência, a urgência de Beyond Within (Dreaming Neon Black) elevou a temperatura, com a bateria de Van Williams soando como um relógio de guerra. A brutalidade técnica continuou em My Acid Words (This Godless Endeavor), onde a precisão de cada nota nos lembrava por que esta banda é tão cultuada.

Quando os acordes de Enemies of Reality (Enemies of Reality) ecoaram, a casa veio abaixo. Foi nesse momento que ficou claro: a banda tinha o público nas mãos. A interação era total, com a plateia respondendo a cada chamado de Berzan Önen, enquanto mosh pits intensos tomavam conta do centro da pista. Seguimos com a fúria desenfreada de Engines of Hate (Dead Heart In A Dead World), uma faixa que serviu como um soco no estômago, mantendo a adrenalina lá no alto.

Após a tempestade, veio enfim a calmaria introspectiva de Sentient 6 (This Godless Endeavor). A luz baixa e a precisão técnica do Nevermore permitiram que o público se conectasse profundamente com a melancolia da letra. Foi um momento de silêncio reverencial que logo deu lugar a um coro uníssono.

A viagem continuou com a clássica Next in Line (The Politics of Ecstasy), seguida pela densidade sombria de Moonrise – Through Mirrors of Death (The Obsidian Conspiracy), onde as guitarras de Jeff Loomis e Jack Cattoi inegavelmente criaram camadas quase cinematográficas.

Inside Four Walls (Dead Heart In A Dead World) manteve o rigor técnico, preparando o terreno para, certamente, o momento mais emocionante da noite: The Heart Collector (Dead Heart in a Dead World). A música foi dedicada, com visível emoção, ao saudoso Warrel Dane.

A Gratidão e o Futuro

Para elevar o ânimo após a emoção, Born (This Godless Endeavor) explodiu no sistema de som. Logo, a sequência seguiu com Final Product (This Godless Endeavor) e Believe in Nothing (Dead Heart in a Dead World).

Encerrando o set principal, a magistral This Godless Endeavor (This Godless Endeavor) mostrou uma técnica que beira o impossível.

No bis, vieram Narcosynthesis e o encerramento apoteótico com The River Dragon Has Come, ambos de Dead Heart in a Dead World. Algo ficou nítido: a banda estava visivelmente emocionada. Sendo assim, era possível ler nos olhos de Jeff Loomis e Van Williams a gratidão genuína.

Saí do Carioca Club não apenas com a sensação de ter testemunhado um reencontro, mas com uma expectativa gigante pelo que vem a seguir. Se o Nevermore conseguiu entregar esse show histórico após tudo o que passaram, mal posso esperar pelos próximos capítulos dessa nova fase.

O Nevermore está mais vivo do que nunca!!!

Setlist

  • 01 Beyond Within
  • 02 My Acid Words
  • 03 Enemies of Reality
  • 04 Engines of Hate
  • 05 Sentient 6
  • 06 Next in Line
  • 07 Moonrise (Through Mirrors of Death)
  • 08 Inside Four Walls
  • 09 The Heart Collector (Para Warrel Dane)
  • 10 Born
  • 11 Final Product
  • 12 Believe in Nothing
  • 13 This Godless Endeavor

Encore:

  • 14 Narcosynthesis
  • 15 The River Dragon Has Come
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