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Live Review: Kreator no Summer Breeze 2023

Poucas bandas veteranas nos dias de hoje podem se orgulhar de possuir um presente tão glorioso quanto o passado. Raros são os casos de nomes relevantes da cena atual que tem produzidos novos hinos em seus discos recentes. Talvez possamos mencionar o Accept e o Judas Priest como dois exemplos de grupos legendários que ainda conseguem conceber faixas tão boas que seus fãs já as abraçam imediatamente. Mas estes dois grupos se concentram especificamente no Heavy Metal tradicional e se pararmos para pensar em bandas mais viscerais ligadas a estilos extremos como Thrash, Death e etc, um nome virá a nossa mente invariavelmente: o Kreator.

   

Após uma década toda dedicada aos experimentalismos (os anos 90), Mille, Ventor e seus comparsas acertaram a mão no aclamado “Violent Revolution”, de 2001, e desde então vem mantendo uma sequência arrasadora de lançamentos. Seja em “Enemy Of God”, de 2005, “Hordes Of Chaos”, de 2009, “Phantom Antichrist”, de 2012, “Gods Of Violence”, de 2017, ou no mais recente “Hate Uber Alles”, de 2022, não importa em qual destes trabalhos você queira se debruçar, em todos eles você encontrará novos hinos. A grande verdade é que o Kreator poderia criar um setlist somente com essas músicas mais novas, poderia criar outro apenas com clássicos dos primórdios e, obviamente, poderia mesclar ambas as fases em uma terceira opção, mas em qualquer das hipóteses, teriam uma massa fiel de fãs para assistí-los em praticamente qualquer localidade do planeta.

Por que mencionar isto antes de uma resenha de show?

Simples. Pois 1 hora, o tempo que o Summer Breeze Brasil concedeu para a apresentação dos alemães, é muito pouco tempo para uma banda com tamanho repertório e prestígio. Caso fossem um dos headliners do festival e tocassem por cerca de 1 hora e 30 minutos ou pouco mais que isso, mesmo assim, não seria suficiente e muitos clássicos ficariam de fora. Sendo assim, não vamos nos ater ao que poderia ter sido apresentado, mas ao que foi escolhido para esta performance em solo brasileiro.

Algo importante a ser mencionado antes de falarmos do espetáculo propriamente dito foi a seriedade que o Kreator tratou este show. Após 5 anos desde sua última passagem por nossas terras, os caras realmente acreditaram no evento e foram os únicos que trouxeram absolutamente toda sua estrutura de palco para o Brasil. O boneco do mascote Violent Mind estava no fundo do palco, assim a capa do novo trabalho no telão e diversos adereços e detalhes que só víamos em vídeos de turnês européias. Ponto para eles. Outro fator de extrema importância foi o som que o público ouviu durante a apresentação, talvez o mais ajustado e limpo de todo o festival. Foi realmente um massacre sonoro impiedoso e cruel.

Contrastando com o forte calor que manteve-se incessante sobre nossas cabeças durante todo o dia, um pouco antes do Kreator pisar no Hot Stage, o céu fechou e nuvens carregadas começaram a pairar sobre o Memorial da América Latina. Foi quase assustador, mas parece que literalmente o sol se sentiu intimidado com a presença dos alemães. Era pouco mais de 17:20 e ainda era dia quando a introdução “Sergio Corbucci Is Dead” foi reproduzida nos falantes, mas foi somente quando os primeiros riffs de “Hate Uber Alles” começaram a ser tocados que a cortina preta que trazia o logotipo da banda caiu e pudemos observar o palco pra lá de caprichado pela primeira vez. O caos foi instaurado e, de cara, pudemos perceber a qualidade do áudio que, apesar de alto, era absolutamente nítido e permitia que todos os presentes ouvissem cada detalhe de cada instrumento.

Sem perder tempo, um dos maiores clássicos de toda a discografia da banda, “People Of The Lie”, do excelente “Coma Of Souls”, de 1990. Esta é uma daquelas faixas obrigatórias em qualquer playlist de Thrash Metal que se preze e tocá-la logo no início do repertório mostrou-se uma decisão acertada e funcional para terminar de incendiar a multidão. Quando a introdução de “Awakening Of The Gods” começou, fiquei em dúvida se fariam um set focado na era primal, mas a intro foi apenas uma espécie de aquecimnento para a porradaria desenfreada que foi “Enemy Of God”. O público foi a loucura e diversas rodas começaram a aparecer na frente do Hot Stage. “Phobia” foi a próxima e é impressionante como mesmo nas fases mais contestadas da carreira da banda, alguns hinos conseguiram se firmar e tornaram-se figurinha carimbada nos shows. “Phobia” foi lançada originalmente no álbum “Outcast”, de 1997, um dos mais controversos da discografia, mas os fãs a amam e o Kreator sabe disso.

Demonstrando a força dos trabalhos mais recentes, “Satan Is Real”, do álbum “Gods Of Violence”, marcou presença e agradou com seus riffs intrincados e refrão poderoso. Logo depois foi a vez de Mille conversar um pouco com o público e anunciar de forma impactante que o apocalipse arrebataria o Summer Breeze naquele momento:

“We are the Kreator and you are the Hordes Of Chaos!”

Nem precisa dizer que imensas rodas se abriram e a platéia entoou o refrão de “Hordes Of Chaos” a plenos pulmões. Já perto do final, foi a vez da única música que talvez possa ser chamada de “descartável” ser executada, porém, a mensagem de união entre os headbangers que “666 – World Divided” traz é algo a ser louvado e, por este motivo, é perfeitamente aceitável e entendível tê-la no set. Mille mencionou o fato de termos passado por uma pandemia recentemente e também falou sobre a guerra de narrativas que a política tem trazido para a sociedade, mas deixou sólida a idéia de que “o mundo está dividido, mas nós permanecemos unidos pelo Metal”. Belas palavras. Precisamos nos atentar mais a este discurso agregador.

Era chegada a hora de hastear a bandeira do ódio e foi com ela em punho que Mille brincou com a platéia, dizendo que queria ver os maiores moshpits do evento naquele momento. Nem mesmo o público que começava a se aglomerar na frente do Ice Stage (o palco ao lado) foi poupado e o frontman do Kreator convidou ironicamente os fãs do Avantasia a armar o seu próprio moshpit. Com um tom de voz verdadeiramente malévolo e uma feição de poucos amigos, Mille berrou a seguinte frase antes do inferno na terra começar:

“It’s time to raise the flag of hate!”

Insanidade foi o que se viu neste momento. “Flag Of Hate”, faixa presente no debut “Endless Pain”, de 1985, é uma daquelas marcas registradas da banda e, sem dúvida, não pode ficar de fora do setlist em hipótese alguma. Naquele ponto, não existia viva alma no Memorial da América Latina que se sentisse triste com o show dos alemães, mas ainda havia tempo para mais e a introdução “The Patriarch” invadiu os falantes anunciando que “Violent Revolution” estava por vir. Em um misto de alegria e satisfação, cantamos a letra junto com Mille e gritamos com força o refrão:

“Violent Revolion, Violent Revolution
Violent Revolution, Reason For The People to Destroy!”

Para selar uma noite de gala, não poderia faltar o hino máximo da selvageria e “Pleasure To Kill” foi o tiro de misericórdia que faria o público abrir o talvez maior moshpit de todo o evento. Ao final da apresentação, todos nós sabíamos que o Kreator deveria ter sido um dos headliners para poder nos presentear com mais alguns minutos de Thrash Metal, mas entendemos os organizadores.

   

Obviamente, algumas pérolas não puderam ser executadas, pois, como já foi mencionado no início do texto, é impossível cobrir toda uma carreira repleta de pontos altos em apenas 1 hora de show. Particularmente, gostaria muito de ter escutado hinos como “Extreme Aggression”, “Betrayer”, “Riot Of Violence”, “Tormentor” e “Terror Zone”. Até mesmo composições mais recentes como “Hail To The Hordes”, “Civilization Collapse”, “Phantom Antichrist”, “Fallen Brothers” e “Midnight Sun”, seriam bem vindas, mas não há como reclamarde maneira nenhuma. O Kreator fez o que podia no tempo que lhe foi dado e, com toda a certeza, deixou um gostinho de quero mais em seus fãs. Apresentação absolutamente impecável e acima de qualquer crítica.

Setlist:

  • Hate Über Alles
  • People of the Lie
  • Awakening of the Gods (intro)
  • Enemy of God
  • Phobia
  • Satan Is Real
  • Hordes of Chaos (A Necrologue for the Elite)
  • 666 – World Divided
  • Flag of Hate
  • The Patriarch/ Violent Revolution
  • Pleasure to Kill

Redigido por Fabio Reis

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