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Resenha: Memoriam – To The End (2021)

Reconhecer que tudo tem um fim não é uma tarefa fácil. O ser humano possui em si uma vontade, um desejo, de que as coisas sejam eternas e completas. Por isso, sempre que algo chega ao fim, é difícil nos despedir, aceitar e nos conformar. Mas como certo clichê diz, todo fim pode ser um novo começo. Felizmente dentro do mundo da música essa frase faz todo sentido em alguns casos. Praticamente todos os fãs de Metal extremo conhecem a clássica banda Bolt Thrower. Nós sabemos que infelizmente devido a morte de Martin ‘Kiddie’ eles vieram a encerrar as atividades. Porém, como todo fim pode ser um começo, a luz no fim do túnel foi respondida com a empreitada do ex-vocalista do Bolt Thrower, Karl Willets, no projeto Memoriam. Como uma forma de homenagear o ex-companheiro, a nova banda de Karl surgiu como um hino a fase nostálgica do BT. Cercada de peso e profundidade de som, o Memoriam apresentou ao mundo uma continuidade do trabalho do grande Bolt Thrower, pelo menos em seus 3 primeiros discos. Antes de qualquer coisa, o registro é assinado pelo artista Dan Seagrave, um monstro nas artworks, que aqui novamente apresenta seu trabalho com excelência.

   

Para falar um pouco mais da banda, o vocal de Karl é muito característico. Por isso, o Memoriam é extremamente relacionado com a sua antiga banda. e no começo, foi assim mesmo. Claramente eles bebiam da fonte que o Bolt Thrower ajudou a fundar. Mesmo somente somando 4 fulls em sua carreira, o novo grupo buscou uma identidade única. Dessa feita, o último disco lançado pela banda, “To The End”, finalmente emancipou o quarteto. Ou seja, o 4° disco dos ingleses possui uma identidade única. Antes de falar do som, precisamos falar do time que se juntou a Karl. Nas guitarras temos Scott Fairfax (Massacre, Benediction), enquanto Frank Healy (Sacrilege, ex-Napalm Death, ex-Benediction) cuida do baixo e Spikey Smith (Sacrilege) da bateria. Contendo 9 faixas, o novo disco de inéditas do Memoriam flutua bem entre sentimentos e influências. A primeira característica da nova identidade da banda é a influência do Doom Metal sendo mais presente, além de músicas mais atmosféricas e arrastadas (sem deixar de lado a brutalidade), o que combina muito com o estilo de vocal de Karl. Nesse disco em questão, eu senti um pouco de falta de uma mixagem melhor para o contrabaixo determinados momentos, mas isso não atrapalhou a minha audição do compacto. Já no disco, a abertura fica com a ótima “Onwards Into Battle”, que segue bem a linha de Death a qual estamos acostumados a ouvir a voz de Karl, onde a mesma se camufla junto a riffs brutos e pesados. O riff inicial das cordas cria uma sensação de progresso, e causa no ouvinte um sentimento de êxtase. Uma verdadeira composição feita para o campo de batalha, onde anima os aliados e se torna opressora sobre os inimigos. “This War Is On” tem riffs rápidos e diretos, porém, a música também apresenta algumas partes mais atmosféricas, como em seu refrão, onde os instrumentos cessam sua velocidade e apenas apresentam os vocais se emaranhando junto ao instrumental. Em “No Effect” ouvimos o meio termo entre a primeira e a segunda faixa. Riffs mais pesados e passagens mais cadenciadas, vocais agressivos. Em particular, eu gostei bastante dessa composição, principalmente por ela ter bastante identidade própria. Falando em identidade, em “Failure To Comply” , conseguimos ver que Karl decidiu ir um pouco além e utilizar mais partes melodiosas em meio a riffs pesados e graves. A bateria de Spikey não deixa a desejar neste disco, e apresenta um forma muito boa, acompanhando bem e dando bastante margem para a brutalidade de Scott, que é um excelente guitarrista.

“Each Step (One Closer to the Grave)” é uma composição toda construída encima de bases do Doom/Death. Atmosférica, densa, pesada e obscura, uma obra excelente para os amantes do estilo. Os vocais de Willets novamente mostram-se eficientes em canções mais arrastadas e densas, dando um pouco mais de sentimento ao disco. E como que com ‘um passo de cada vez’, a faixa vai lentamente (sim, é quase imperceptível) acelerando. Até seu clímax, onde a composição ganha mais peso ainda. Já a faixa homônima do disco parece ser a junção de todas as facetas apresentadas pela banda, existem passagens mais lentas, bases mais pesadas. Uma composição boa, e que agrada bastante. Eu gostei principalmente de como as mudanças de ritmo são feitas, elas não são forçadas e sim bem orgânicas. “Vacant Stare” para Willets é uma música que fala sobre depressão, loucura e isolamento. Sobre as linhas instrumentais, posso afirmar que se trata de um trabalho peculiar, diferente e interessante. A introdução aparenta que a música vai tomar um rumo diferente porém, quando o riff principal toma forma, a música se torna um conjunto de bases cavalgadas e pesadas, além de uma bateria bem presente e direta. Aqui, o baixo de Frank é perceptível e sustenta bem a bateria para Spikey. Mas o que chama atenção mesmo são os riffs de Scott, que são muito bem encaixados em cada ponto da canção.

As duas composições que fecham o disco diferem bastante entre si. O instrumental de “Mass Psychosis” é bem interessante e bem construído, mas não aparenta ser algo que a banda faria naturalmente. Ouvindo uma explicação de Karl Willets sobre as canções do disco, aí sim passamos a entender do porque essa faixa difere tanto de tudo que já ouvimos. Ele disse “que esta é uma música inspirada em uma de minhas bandas de coração, o Killing Joke… Por isso a música é tão diferente de tudo que já gravei.” Já o baterista, que tocou por uma turnê com os ingleses do KJ, disse que essa música representa o que seria do Killing Joke se eles tocassem Death. Musicalmente falando, a faixa causa uma certa estranheza no ouvinte, mas não deixa de ser uma boa composição. Talvez ela esteja no lugar errado da tracklist, ou até mesmo esteja no lançamento errado da banda, mas mesmo assim, é uma composição no mínimo interessante. Para fechar, temos a densa e longa “As My Heart Grows Cold”. Posso afirmar a vocês que aqui se encontra o verdadeiro embrião que combina com toda a criação do Memoriam. Atmosférica, pesada, melancólica, obscura e soturna, essa música arrastada fecha o disco de forma muito bem feita, trabalhando com sentimentos diversos e deixando um bom sabor de “quero mais”. Willets ainda menciona que ela trata de tristeza e melancolia, e que sua letra fala sobre a vida em geral, os altos e baixos, e a tristeza e alegria. A linha tênue entre sentimentos distintos mas tão próximos.

Claramente, Memoriam deixou de ser uma continuidade pós-mortem do Bolt Thrower, e isso é ótimo, pois agora poderemos ver como Karl e sua turma se saem com essa nova forma de fazerem Metal.

Nota: 8

Integrantes:

  • Karl Willets (vocal)
  • Scotty Fairfax (guitarras)
  • Frank Healy (baixo)
  • Spikey Smith (bateria)

Faixas:

  1. Onwards into Battle
  2. This War Is Won
  3. No Effect
  4. Failure to Comply
  5. Each Step (One Closer to the Grave)
  6. To the End
  7. Vacant Stare
  8. Mass Psychosis
  9. As My Heart Grows Cold
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