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Lançamento: Comaniac – “Holodox” (2020)

Gravadora: Metalworld Switzerland

Se você pensou que as únicas bandas boas de Metal oriundas da Suiça eram o Celtic Frost e o Coroner, é melhor rever os seus conceitos. O Comaniac vem lançando uma preciosidade atrás da outra nos últimos anos e, é a representante do país na nova onda de Thrash Metal que invadiu o universo da música pesada depois dos anos 2000. Assim como seu compatriota Coroner, é daqueles grupos extremamente técnicos e criativos onde cada álbum lançado é uma aventura musical diferente e você nunca saberá o nível de surpresa que a audição irá lhe causar.

   

Às vezes, é bem difícil explicar um disco novo de Thrash para um ouvinte experiente, tudo o que poderia ser feito dentro do estilo já foi feito e para soar palatável em pleno ano de 2020, a banda precisa ser muito competente em alguns quesitos como: conseguir compor músicas realmente boas; fazer com que sua música não soe como uma mera repetição de fórmulas; não ser um clone descarado de alguma banda influente; ter sangue no olho e transpirar energia para que o ouvinte sinta-se empolgado com a audição e, claro, dentro desse mais do mesmo, ter um mínimo de originalidade. Para nossa satisfação, o Comaniac leva nota 10 em basicamente todos estes itens.

“Holodox” é o terceiro trabalho do quarteto original da cidade de Aargau, ele sucede os ótimos “Return To The Wasteland”, de 2015, e “Instruction For Destruction”, de 2017. Confesso que desde o disco de estréia lançado em 2015, o Comaniac me chamou a atenção e, imediatamente, percebi que se tratava de uma banda diferenciada, porém, o que Jonas Schmid (vocal/guitarra), Stefan Häberli (bateria), Valentin Mössinger (guitarra) e Joel Strahler (baixo) nos apresentam em seu mais novo disco significa, sem sombra de dúvidas, a solidificação e a consolidação da banda como uma das mais talentosas desta geração.

Esqueça aquele Thrash mecânico e de plástico executado por uma infinidade de nomes novos e consagrados, esses caras tem uma pegada absolutamente diferente e soam como um sopro de ar fresco em um estilo onde basicamente tudo já foi feito e refeito. Basicamente, as músicas de “Holodox” não seguem uma linearidade comum, tanto em termos de ritmos, como em variações de velocidade ou padrões mais simples de ‘verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão’. Tudo no álbum soa despojado, feito sem muita intenção de soar intransigente ou pomposo em demasia, as músicas fluem com uma naturalidade absurda e, o mais legal, é que mesmo sem essa intenção, os caras conseguem ser virtuosos ao extremo em determinados momentos, porém, simplórios logo em seguida, conseguem ser extremamente viscerais, mas em seguida apresentar trechos cheios de melodias realmente bonitas. O Thrash do Comaniac é mais do que uma aula, ele transcende os próprios limites do gênero sem ser presunçoso ao ponto de querer fazer isso.

Se eu fosse mencionar destaques, teria que fazer um longo faixa a faixa e descrever minuciosamente todas as nove canções que compõe “Holodox”, mas eu não farei isso, até por que eu quero que o amigo leitor tenha o mesmo prazer que tive e a mesma sensação de surpresa que eu experimentei ao término de cada composição. O que vou fazer aqui é te dar uma dica de audição, ou seja, uma breve lista de coisas que você deve refletir enquanto escuta o disco. Primeiro: note o quão diversificado musicalmente é o trabalho, veja bem, eu adoro álbuns porradas onde todas as músicas são tocadas na velocidade da luz, mas quando temos nove faixas e cada uma delas são bastante diferentes umas das outras, a audição não fica enjoativa nunca. Se você gosta apenas de Thrash veloz, cru e direto, provavelmente, não vai curtir “Holodox”, não que o trabalho não apresente músicas com estas características, ele apresenta, mas o Comaniac vai muito além disso. Segundo: perceba como se livrar de amarras auto-impostas engrandece uma audição, eu duvido muito que os músicos da banda pensaram algo como “vamos fazer um álbum old-school de Thrash Metal”, os caras simplesmente deixaram sua criatividade fluir e pouco se importaram se determinado trecho ficaria progressivo demais, melódico demais, old-school demais, porrada demais… as músicas simplesmente “aconteceram” desta maneira. Por último: note como quatro caras extremamente técnicos e virtuosos, conseguem tocar faixas simplórias e, mesmo quando usam toda sua virtuose, nunca soa uma masturbação sonora sem sentido.

Se esta análise te despertou interesse, eu recomendo de verdade que você escute, não apenas este, mas todos os três registros dos suiços do Comaniac. Certamente, este álbum entra de cabeça na briga pela medalha de ouro do estilo este ano, e isto já é um grande feito, não apenas por ser uma banda relativamente nova, mas por que em 2020 tivemos trabalhos absolutamente fantásticos de Thrash, inclusive, na humilde opinião deste que voz escreve, foi o melhor ano para o estilo em tempos. Tivemos os registros do Testament, Havok, Sepultura, Onslaught, Mekong Delta, Heathen, Annihilator, Warbringer, Total Annihilation, Holycide, Slaughter Messiah, Mindtaker, Lucifist e tantos outros, todos estes com real chance de brigar pelo pódio. Enfim, não perca mais tempo e caia de cabeça nesta audição. Obrigatório!

Nota: 9,5

  • Integrantes:
  • Jonas Schmid (vocal/guitarra)
  • Stefan Häberli (bateria)
  • Valentin Mössinger (guitarra)
  • Joel Strahler (baixo)
  • Faixas:
  • 1. Holodox
  • 2. The New Face Of Hell
  • 3. Art Is Dead
  • 4. Head Of The Snake
  • 5. Narcotic Clan
  • 6. Legend Heaven
  • 7. Love And Pride
  • 8. Under The Gun
  • 9. Bittersweet
  • Redigido por Fabio Reis
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