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KISS: O fim necessário!

A data de 02/12/2023 marca não somente o fim da banda americana de Hard Rock, KISS, mas o fim de uma era. A despedida do quarteto, usando suas maquiagens, como já estava nos planos, aconteceu logo depois que o último acorde soou no show que ocorrera no Madison Square Garden, na cidade onde tudo começou há 50 anos. Embora um dos hinos do Kiss seja “Detroit Rock City”, é preciso lembrar que Nova Iorque é o seu verdadeiro berço.

   
KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

O início de tudo – “Alive I”

KISS / Reprodução / Acervo

Várias gerações, de uma forma ou de outra, apesar do grande legado que eles deixaram, vão sentir a falta do KISS. E, como já mencionamos, a história da banda começou em 1973, na cidade de Nova Iorque, há meio século. Já na época, o objetivo dos jovens músicos, o americano Paul Stanley e o israelense Gene Simmons, era, inegavelmente, fazer sucesso, arrebanhar multidões e fazer fortuna. A princípio, principalmente no lançamento de seus três primeiros discos, “KISS”, “Hotter Than Hell” e “Dressed To Kill”, todas essas metas fracassaram. No entanto, após o lançamento do lendário live-album “Alive I”, o jogo virou e os quatro jovens munícipes da Grande Maçã passaram a viver a realidade que almejaram.

KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

“Destroyer” – “Alive II”

Com o lançamento do álbum “Destroyer”, o sucesso do KISS se consolidou e, dessa forma, eles passaram de promessa à realidade. A produção de Bob Ezrin deu uma cara bem mais comercial a sonoridade da banda, ainda que o Rock’N’Roll permancesse vivo. “Detroit Rock City”, “God of Thunder”, “Shout it Loud”, “Beth”, assim como “Do You Love Me?” foram hits mais do que explosivos.

Em “Rock’n’Roll Over” e “Love Gun”, outro gênio da produção, Eddie Kramer, colaborou para que as canções dos KISS permanecessem em alta, contudo, o crescimento da Disco Music iria começar a mudar a história de Gene, Paul e seus comparsas. Ainda que a produção do live-album “Alive II” não tenha agradado os fãs como o seu antecessor, ele acabou sendo uma boa sequência da ideia original de celebrar três discos.

KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

Kiss/ Disco Music/ AOR

KISS sempre foi uma banda que tentou surfar na onda da moda musical, por mais que alguns fãs exaltados tentem negar essa óbvia tendência. Pois só no final da década de 70, foram duas tentativas. Primeiramente, eles tentaram adequar a sua sonoridade à DISCO MUSIC, gravando “I Was Made For Loving You”, do compositor Desmond Child, canção que foi um dos singles do álbum “Dynasty”. Em seguida, tentaram enquadrar-se no Arena Rock com a balada “Shandi”, em seu oitvado full lenght, “Unmasked”. Paul Stanley já havia tentado a mesma coisa em seu solo de 1978 com a sua composição, “Hold Me, Touch Me”. Como resultado de todas essas tentativas do fechamento da década de 70, só “I Was Made For Loving You” é que se tornou hit e canção clássica do quarteto.

Em busca do mercado mais uma vez, Prog Rock

Com a saída do baterista Peter Criss e a entrada de Eric Carr, a música do KISS ganhou outras possibilidades de se tornar, inclusive, mais pesada. Recentemente, o produtor Bob Ezrin, velho conhecido da banda, havia produzido o best-seller do Pink Floyd, chamado “The Wall”, assim sendo, KISS decidiu que era hora de investir no Prog Rock. Com esse intuito, “Music From The Elder” nasceu em 1981, porém não fora bem recebido pelos fãs, que o viam como algo que não se identificava com KISS. Ou seja, mais um fracasso.

KISS – Reprodução – Acervo 70’s – KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

“Creatures of the Night” e o Hard N’ Heavy

No início da década de 80, o Heavy Metal também estava vivendo a sua grande onda e, nesse hiato, Ace Frehley deixou a banda. Isso aconteceu enquanto estava sendo produzido o seu décimo full lenght, “Creatures of the Night”. Dessa vez, o resultado não poderia ter sido melhor e, ainda por cima, Vinnie Vincent assumiu a guitarra na turnê e a banda visitou o Brasil pela primeira vez em 1983. No entanto, essa foi a sua última turnê da primeira era do KISS usando maquiagens.

Ainda em 1983, saiu o debut da era “cara limpa” do KISS, “Lick it Up”, que foi muito bem, mas abaixo das expectativas de Gene e Paul, que excluíram Vinnie Vincent.

KISS / 1983 line-up / Reprodução / Acervo – KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

“Animalize” e a era dos guitarristas virtuosos

O saudoso guitarrista Mark St.John assumiu o lugar de Vincent e como ele, KISS lançou “Animalize”. Apesar do hit “Heavens on Fire”, novamente, os anseios do KISS não foram atingidos. Além disso, o fato de Mark ser virtuoso parece que desagradava o “espírito Rock’n’Roll” do Kiss. Enquanto ainda estavam em turnê, Mark ficou doente e foi substituído por Bruce Kulick.

Glam Rock

Tanto no “Lick it Up” quanto no “Animalize”, Kiss já estava experimentando um visual mais Glam Rock a fim de surfar na onda do momento, mais uma vez. Isso ficou ainda mais claro com o lançamento dos álbuns “Asylum” e “Crazy Nights”, todavia o KISS não se deu muito bem nesse novo investimento. A tentativa de voltar um pouco as raízes, fez com que “Hot in the Shade” obtesse melhor resultado que seus últimos antecessores, mas o retorno triunfal ainda estava por vir.

“Revenge” (1992) – Alive III (1993)

KISS / 1992 / “Revenge” line-up / Reprodução / Acervo – KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

O recém descoberto câncer de Eric Carr colou Eric Singer na banda, enquanto eles estavam produzindo “Revenge”, com o retorno, mais uma vez, de Boz Ezrin à produção. “Revenge” trouxe o KISS novamente à berlinda, principalmente, pelos singles, “Unholy”, “Domino”, “I Just Wanna”, “Take it Off” e “God Gave Rock’n’Roll To You II”, pois desde “Creatures of the Night” que eles não conseguiam emplacar tantos hits assim. O sucesso de “Revenge” conduziu o Kiss a uma de suas turnês mais rentáveis ao mesmo tempo em que foi produzido o live album “Alive III”, dando mais uma sequência ao projeto que teve início na década de 70.

KISS, UM FIM QUE JÁ ERA NECESSÁRIO (02/12/2023)

MTV Unpluggued/ “Carnival Of Souls”/ Reunion/ Psycho Circus

   

Após esses anos de sucesso, em uma gravação do KISS para o MTV Unplugged, os integrantes da formação original, Ace Frehley e Peter Criss, foram chamados para uma participação especial, fato que fez com que os fãs clamassem por uma reunião do line-up original. Logo após o lançamento do disco “Carnival Of Souls”, que foi uma tentativa fracassada do KISS de adaptar sua sonoridade do GRUNGE, a formação do “Revenge” naõ se sustentou. Ao mesmo tempo que houve o esperado anúncio da reunião, Kiss anunciou o lançamento de um novo álbum com o line-up original, “Psycho Circus”.

Velha formação com velhos problemas

Enquanto ainda estavam no meio da turnê, Peter Criss deixou a banda, sendo substituído por Eric Singer, que concluiu o restante das datas. Ao final, foi a vez de Ace Frehley deixar o quarteto pela última vez. Posteriormente, o ex guitarrista do Black’n’Blue, Tommy Thayer, assumiu, definivamente, o lugar de Ace.

“Sonic Boom” e “Monster”

Com Eric Singer e Tommy Thayer, Gene Simmons e Paul Stanley lançaram os dois últimos álbuns de estúdio do Kiss, “Sonic Boom” (2009) e “Monster” (2012), trazendo de volta a sonoridade mais raíz da banda, mas, novemente, sem o mesmo sucesso de antigamente.

End Of The Road Tour (de 2019 a 2/12/2023)

Em 2019, KISS anunciou a sua turnê de despedida e, de acordo com o juramento deles, seria de verdade dessa vez. Inicialmente, seriam dois anos de turnê, mas a pandemia atrasou o processo. Porém, o dia marcado para a despedida chegou, deixando uma pergunta, como será viver em um mundo sem o KISS?

KISS, um fim que já era necessário

Oposto do que Gene Simmons afirmou em muitas de suas entrevistas, o Rock/Metal não acabou e nem vai acabar, pois tudo somente se alterou. O avanço tecnológico fez com que muitas bandas que não tinham acesso a um estúdio outrora, pudessem, atualmente, produzir material de qualidade.

Como já falamos aqui antes, o que aconteceu foi uma redução da demanda em relação ao aumento exponencial da oferta. Não podemos lamentar o fim das bandas mais clássicas, já que é necessário que elas deixam espaço para novos nomes brilharem. Isso, decerto, vai acontecer, se houver espaço e oportunidade para tal, sendo que somos testemunhas que há muita banda boa produzindo material de primeira qualidade.

Como fã de KISS, vou sentir a falta da banda, mas o show tem que continuar e ele vai.

Redação: Cristiano “Big Head” Ruiz

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