Jørn Lande chama colaboração com Tony Iommi de sonho de todo vocalista de Rock

O vocalista norueguês Jørn Lande descreveu a oportunidade de trabalhar com Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath, como uma das maiores realizações possíveis para um cantor de Rock e Metal. Em entrevista ao site australiano Heavy, o músico comentou sua participação em “From The Dark”, próximo álbum solo de Iommi, previsto para 23 de outubro pela BMG. Lande assina as letras das oito faixas do disco, que também conta com o baterista Karl Brazil e a baixista Becky Baldwin, integrante do Mercyful Fate.
Ao falar sobre os temas de “From The Dark”, Lande explicou que ele e Iommi dedicaram bastante tempo à composição para encontrar uma identidade própria, sem repetir fórmulas do passado.
“Foi muito trabalho, com idas e vindas. Bem, acho que, quando você escreve música original, quer deixar sua marca nela, ou quer imprimir algum tipo de identidade. Acho que os tempos em que vivemos são bastante frenéticos, e as pessoas correm para todos os lados como coelhos, trabalhando umas com as outras. Isso não é errado; são apenas os tempos em que vivemos. Mas tanto eu quanto Tony sentimos que precisávamos dedicar um tempo extra para garantir que tudo estivesse certo.”
“Além disso, quando você olha para o legado dele e também para a minha história, nós fizemos muitos discos e trabalhamos em tantas músicas ao longo dos anos que você também não quer copiar a si mesmo. Você simplesmente quer trazer algo para a mesa. E a única coisa que pode fazer é refletir sobre o passado, estar no presente e refletir sobre isso, além de pensar no que está por vir. Portanto, algumas músicas têm muita escuridão, com os obstáculos que a vida traz, mas também há muita esperança.”
“É o padrinho”: a importância de trabalhar com Iommi
Lande também ressaltou a responsabilidade de contribuir para um álbum liderado por um músico que considera fundamental para a história do gênero.
“É o álbum do Tony. É um trabalho nosso, mas é o álbum dele. Então, como um fã de longa data, tentei, naturalmente, dar o meu melhor. Queria me dedicar ao máximo, porque isso é, acho eu, na cena do Rock e do Metal, provavelmente a maior realização ou o sonho de todo vocalista de Rock: poder trabalhar com alguém como Tony Iommi. Ele é o padrinho. De certa forma, é a razão pela qual tantas bandas começaram nesse meio.”
O cantor acrescentou que a dedicação também foi importante durante a criação das letras e melodias. Como o inglês não é sua língua materna, ele precisa de mais tempo para encontrar as palavras certas, embora veja nisso uma vantagem criativa.
“Analisar as coisas. Também ao escrever as letras e criar as linhas melódicas, foi bom dedicar tempo a isso, já que não sou australiano, nem britânico, americano, canadense ou algo assim. Preciso de mais tempo para pensar nas palavras e em outras coisas quando escrevo.”
“Mas, por outro lado, isso também pode ser uma bênção, porque, quando o idioma não é sua língua materna, você segue caminhos e curvas diferentes e se permite usar combinações nas quais talvez não pensasse. Às vezes, há uma frase que pode soar um pouco estranha, e Mike Exeter, o produtor, apertava o botão do sistema de comunicação do estúdio e perguntava: ‘O que você acabou de cantar? O que isso significa?’. Então, quando eu explicava, ele dizia: ‘Ah, entendi. Isso é brilhante’. Em outras ocasiões, ele podia dizer: ‘Bem, certamente não é algo que você diria na Inglaterra’. Aí, talvez sugerisse alguma alternativa. Mas, em outros momentos, ele adorava a frase, e nós a mantínhamos exatamente como estava. Acho que essa também é uma vantagem: você pode brincar com as palavras de uma maneira diferente daquela dos britânicos, australianos, canadenses ou americanos nativos. Portanto, isso também é uma vantagem para mim. Mas preciso de tempo extra para trabalhar nisso.”
Um álbum feito à moda antiga
Segundo Lande, o processo de criação também recuperou uma dinâmica de trabalho coletivo que ele associa aos métodos tradicionais de composição.
“Houve muito trabalho em equipe na criação de “From The Dark”, da maneira como fazíamos antigamente, quando você ficava junto do guitarrista ou da banda e realmente compunha as músicas. Acho que hoje muitas coisas são meio que fabricadas no computador, e depois você aprende a tocá-las. Isso funciona quando você usa faixas de acompanhamento e coisas do tipo. Muita gente faz isso, mas nós simplesmente queríamos produzir um álbum de verdade, à moda antiga, e dedicar o tempo necessário para torná-lo excelente.”
O vocalista ainda comentou as influências presentes no primeiro single, “World Alone”, no qual reconhece a marca de Ronnie James Dio.
“Quando você ouve o primeiro single, “World Alone”, é fácil perceber minha influência de Ronnie James Dio. A música começa com ‘Ei, estranho, você bate de frente com a parede’, e essa é a primeira coisa. ‘Uma sombra negra se ergue, pairando sobre sua vida’, que é como a primeira declaração. A música tem, de certa forma, um estilo muito próximo de Dio.”
“Mas, à medida que ela avança, dou uma abordagem diferente. Quando você chega ao refrão, fica mais parecido com algo típico de Jørn, ou com o que eu faria ao escrever um dos meus próprios álbuns, que não necessariamente remete a algo específico do Rock. Nesse sentido, acho que algumas partes são mais originais. Mas é importante trazer o melhor daquilo que você carrega consigo, o melhor que existe dentro de você. Às vezes, isso significa aproveitar elementos das suas influências.”
Duas músicas mudaram os planos originais
Por fim, Lande explicou que inicialmente recebeu um convite para contribuir com apenas uma ou duas faixas. Iommi considerava incluir diversos vocalistas convidados e explorar arranjos com elementos sinfônicos e orquestrais. Entretanto, a recepção de “Beyond The Dead” e “Stormwatcher” mudou os planos.
“Desde o começo, me perguntaram se eu queria contribuir para o álbum e talvez trabalhar em uma ou duas faixas. O plano era ter vários vocalistas convidados no disco. Acho que a ideia também ainda estava um pouco indefinida, porque ele vinha trabalhando em alguns arranjos com uma abordagem mais sinfônica, orquestral. Também estava interessado nessa possibilidade, na ideia de fazer algo instrumental. Então, acho que acabou chegando a uma combinação em que ele queria vários cantores, mas com uma espécie de orquestra sinfônica acompanhando a música mais sombria, com aquela atmosfera Doom e seus riffs pesados.”
“Depois que fiz a primeira faixa, chamada “Beyond The Dead”, que aborda pensamentos sobre o que acontece depois que você morre, o desespero envolvido nisso, a vontade de continuar e a saudade que você sentirá da vida, havia muita escuridão, mas também muita esperança. É uma música bastante direta. Tony adorou, e todos — o empresário dele, todo mundo — acharam que era uma faixa muito forte. Então, me enviaram outra. A segunda era, acho, “Stormwatcher”, uma das minhas músicas favoritas do álbum. É uma grande canção pesada, com um tema marítimo, como um navio atravessando uma tempestade e rompendo as ondas. Depois dessas duas faixas, decidiram que usar apenas um vocalista no álbum inteiro, em vez de vários, era o caminho certo.”
“From The Dark” chegará ao mercado em diferentes edições de vinil e CD, incluindo uma versão em CD com 32 páginas e duas faixas bônus. A edição dupla em vinil será prensada em quatro cores e terá embalagem especial com um recorte da cruz característica de Tony Iommi. A parceria também reúne músicos com uma história anterior: em 2010, Jørn Lande cantou ao lado de Iommi, Geezer Butler e Vinny Appice em uma homenagem a Ronnie James Dio no festival High Voltage, em Londres, que também contou com Glenn Hughes. No mesmo ano, Lande lançou “Dio”, álbum dedicado ao lendário vocalista do Black Sabbath, Dio e Rainbow.