Tony Iommi admite pensar na própria morte após perder Ozzy: “Tenho 78 anos, quanto tempo mais?”

A morte de Ozzy Osbourne não significou apenas a perda de um antigo companheiro de banda para Tony Iommi. Depois de aproximadamente seis décadas de amizade, conflitos, separações e reencontros, o guitarrista do Black Sabbath admite que a partida do vocalista também o fez refletir com mais frequência sobre a própria mortalidade.
Em uma nova entrevista concedida ao jornal britânico The Telegraph, Iommi, hoje com 78 anos, revelou que a morte de amigos próximos passou a colocar diante dele uma questão inevitável.
“Você pensa: ‘Tenho 78 anos, quanto tempo mais?’”
O músico acrescentou que já conversou sobre o assunto com Brian May, guitarrista do Queen. Ele disse que o amigo consegue ser ainda mais pessimista do que ele quando os dois entram nesse tipo de conversa.
Tony Iommi falou com Ozzy um dia antes de sua morte
A reflexão ganha ainda mais peso porque Tony Iommi conversou com Ozzy Osbourne apenas um dia antes de sua morte, ocorrida em julho de 2025.
Segundo o guitarrista, Ozzy parecia extremamente cansado durante aquela última conversa. O vocalista havia atravessado semanas intensas preparando e realizando o histórico Back To The Beginning, realizado em 5 de julho de 2025.
Iommi recordou que Ozzy lhe disse estar completamente exausto. Assim, o guitarrista respondeu que aquilo era compreensível diante de tudo que havia acontecido nas semanas anteriores e recomendou ao amigo que descansasse.
A conversa terminou de maneira absolutamente comum. No dia seguinte, veio a notícia que Iommi jamais imaginava receber tão rapidamente.
“Ele fez parte da minha vida por 60 anos. Sinto falta dele.”
Para Iommi, a sensação ainda é estranha justamente pela longevidade da relação entre os dois. Eles se conheceram ainda jovens em Birmingham e estiveram juntos na formação que criou alguns dos pilares fundamentais do Heavy Metal a partir do final dos anos 1960.
O último show deixou Iommi preocupado
O guitarrista também voltou a falar sobre o Back To The Beginning, apresentação que reuniu pela última vez a formação original do Black Sabbath, com Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward.
Iommi já sabia que aquela seria a despedida definitiva do Black Sabbath dos palcos. O que ele não imaginava era que Ozzy morreria apenas 17 dias depois.
A condição física do cantor durante o evento chegou a preocupar o guitarrista. Acostumado durante décadas a ver Ozzy correndo pelo palco, fazendo caretas e interagindo constantemente com os companheiros, Iommi precisou se adaptar a uma realidade completamente diferente: o vocalista realizou sua apresentação sentado em um trono.
Além disso, Ozzy participou de dois momentos distintos naquela noite: primeiro cantou músicas de sua carreira solo e posteriormente retornou para a despedida do Black Sabbath.
Iommi revelou que chegou a questionar essa decisão.
Segundo ele, sua sugestão era que Ozzy realizasse apenas um dos dois sets para preservar suas forças. No entanto, o cantor estava determinado a participar das duas apresentações. O guitarrista contou que ficou preocupado com o desgaste que aquilo poderia provocar.
Mesmo diante das limitações, o objetivo foi alcançado. O Black Sabbath conseguiu se despedir em sua cidade natal e com seus quatro integrantes originais reunidos novamente diante de milhares de fãs.
Tony Iommi segue olhando para frente
As reflexões sobre idade e mortalidade não significam, porém, que Tony Iommi esteja pensando em abandonar a música.
Muito pelo contrário. No próximo dia 23 de outubro, o guitarrista lança From The Dark, seu primeiro álbum solo completo em 21 anos. O trabalho será disponibilizado pela BMG e apresenta Iommi acompanhado pelo vocalista norueguês Jorn Lande, pela baixista Becky Baldwin, do Mercyful Fate, e pelo baterista Karl Brazil.
Lande também divide com Iommi os créditos de composição das músicas, enquanto a produção ficou a cargo do próprio guitarrista ao lado de seu colaborador de longa data Mike Exeter.
O álbum possui oito faixas e já foi apresentado através de músicas como “World Alone” e “Stormwatcher”. Segundo Iommi, não existe neste momento qualquer necessidade de provar alguma coisa através do novo trabalho: a intenção foi simplesmente criar um grande disco de Heavy Metal e aproveitar o processo.
Talvez esteja justamente aí a resposta prática para a pergunta que o guitarrista passou a fazer a si mesmo.
Aos 78 anos e depois de perder um amigo que esteve presente durante praticamente toda a sua vida adulta, Tony Iommi sabe que o tempo é limitado. Enquanto ele continuar disponível, porém, o homem responsável por alguns dos riffs mais importantes da história do Heavy Metal parece determinado a gastá-lo fazendo aquilo que sempre fez: música.