Jairo Guedz manda recado em meio à pressão por posicionamento político: “Povo chato do caralho”

O guitarrista Jairo Guedz, fundador do The Troops Of Doom e ex-integrante do Sepultura, resolveu se manifestar em meio à intensa polarização política que tomou conta das redes sociais nos últimos dias. Sem mencionar candidatos ou partidos, o músico publicou uma mensagem curta e bastante direta em seus stories do Instagram.

“Vai lá e vota em quem você quiser. Povo chato do car4lh0.”

A publicação aconteceu em um momento no qual diversos músicos brasileiros ligados ao Rock e ao Heavy Metal vêm declarando publicamente suas preferências para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro.

Entre as manifestações recentes estão publicações de artistas ligados a bandas como Sepultura, Krisiun, Crypta, Manger Cadavre, Ratos de Porão e Violator, com declarações de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Posicionamentos políticos provocam discussões entre fãs de Metal

O envolvimento de músicos com a política não é nenhuma novidade, especialmente dentro de estilos que historicamente abordam questões sociais e ideológicas. Entretanto, a proximidade das eleições e o ambiente polarizado das redes sociais transformaram essas manifestações em motivo de discussões acaloradas.

Além dos debates entre fãs favoráveis e contrários aos posicionamentos dos artistas, surgiram cobranças para que outros músicos também declarassem publicamente suas preferências eleitorais. Para parte do público, manifestar-se politicamente seria uma responsabilidade dos artistas; para outros, essa decisão pertence exclusivamente a cada indivíduo.

É justamente nesse cenário que aparece a publicação de Jairo Guedz. Conhecido por sua personalidade direta, o guitarrista não desenvolveu uma argumentação extensa nem procurou explicar suas convicções. Preferiu resumir seu recado em duas frases diretas e de fácil assimilação.

A contradição oriunda da imposição

É curioso observar a quantidade de músicos ligados ao Rock e ao Heavy Metal que, nos últimos dias, decidiram transformar suas redes em palanques eleitorais.

Evidentemente, cada artista tem o direito de apoiar o candidato ou partido que desejar. Entretanto, vale lembrar que parte fundamental da história desses estilos foi construída sobre o questionamento da autoridade, o inconformismo, o ceticismo diante do poder e a contestação ao sistema. A tradição de rebeldia do Rock nunca exigiu obediência a uma cartilha partidária, muito menos a transformação de preferências eleitorais em critérios de autenticidade musical.

Mais preocupante, porém, é a tentativa de apropriação ideológica do Rock. É como se alguém pudesse determinar quais opiniões um músico ou fã precisa defender para pertencer a esse universo.

Chegamos ao absurdo de ver cobranças públicas por posicionamentos políticos, tentativas de colocar cabresto em artistas e seguidores e até discursos que tratam determinada preferência eleitoral como pré-requisito para ser roqueiro.

Isso simplesmente não existe!

O Rock e o Heavy Metal sempre abrigaram diferentes visões de mundo, inclusive conflitantes. Transformar esses estilos em propriedade de um partido ou candidato é contrariar justamente a liberdade de pensamento e expressão que ajudou a torná-los tão relevantes.

Jairo Guedz fez parte dos primeiros anos do Sepultura

Figura importante na história do Metal brasileiro, Jairo Guedz integrou o Sepultura durante sua fase inicial, participando das gravações do EP “Bestial Devastation” (1985) e do álbum “Morbid Visions” (1986).

Atualmente, lidera o The Troops Of Doom, grupo que fundou em 2020 e que resgata diversas características do Death Metal e do Thrash Metal dos anos 1980.

Com sua publicação, o guitarrista acrescentou uma perspectiva diferente à discussão que movimenta o cenário nacional: em vez de tornar pública sua escolha eleitoral, preferiu questionar, em seu estilo particular, o clima de cobrança que acompanha o debate político nas redes sociais.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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