“Já tivemos presidentes realmente inteligentes, e agora não temos”, diz Henry Rollins

Henry Rollins ganhou notoriedade como vocalista da banda Punk Rock Black Flag, levando para o palco uma energia quase brutal, sempre intensa e direta. Depois disso, seguiu com a Rollins Band, misturando peso, atitude e letras carregadas de inquietação. Ele também é conhecido por não se esquivar, quando convidado, a opinar sobre os mais variados assuntos — incluindo, é claro, política.
Durante uma nova entrevista concedida a Paul Rieckhoff do programa Independent Americans, Henry Rollins refletiu sobre a opinião “simplista” que muitas pessoas têm a respeito do atual presidente dos EUA, Donald Trump quando se referem às relações internacionais e ao poderio bélico do país:
“Eu não acho que Donald Trump — eu percebi isso logo no começo do seu primeiro mandato — entendia o poder gigantesco do cargo. O presidente dos Estados Unidos é, provavelmente, a pessoa mais poderosa do mundo, o comandante em chefe responsável pela força militar mais letal, mais bem equipada e mais avançada tecnologicamente. Nós podemos explodir o universo inteiro, e a pessoa que tem esse controle precisa ser — na minha opinião, claro — alguém que joga xadrez tridimensional. Não é damas, não é jogo-da-velha. No fim das contas, você está enviando jovens, homens e mulheres, para algum lugar de onde talvez não voltem vivos, ou talvez não voltem inteiros como saíram. E antes de fazer isso, é melhor ter muitas reuniões com um monte de especialistas, conversar com o Congresso e ouvir muita gente antes de mandar uma única pessoa correr o risco de ralar o cotovelo — quem dirá de sofrer um ferimento catastrófico. E esse presidente, na minha opinião, não entende isso.
Trump curte o próprio poder, pelo que me parece, mas não compreende que, quando ele fala alguma coisa, pode mexer com o mercado financeiro. Ele pode mudar o curso de rios, e, se fosse eu, usaria esse poder com um cuidado absurdo, cercado de pessoas me orientando. Algo como: ‘Eu não sei onde fica a Venezuela no mapa. Chamem o especialista em Venezuela’, enquanto já tivemos presidentes que podiam dizer: ‘Estes foram os últimos cinco presidentes daquele país. Aqui está o que foi a Ofensiva do Tet.’ Quero dizer, já tivemos presidentes realmente inteligentes, tanto em tempos de guerra quanto em tempos de paz — e agora não temos. E não estou tentando apanhar de algum fã do Trump, mas você tem que admitir que esse cara é incrivelmente inarticulado e trata assuntos complexos com pinceladas largas, quando deveriam ser pintados com um pincel de um único fio de pelo de camelo. Algumas dessas questões são realmente complicadas e extremamente delicadas.”
