Indicação: Suicidal Angels – “Years Of Aggression” (2019)

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E eis que os gregos liderados pelo guitarrista/vocalista Nick Melissourgos estão de volta apresentando o seu sétimo disco de inéditas: “Years Of Aggression”. Como sempre, o quarteto original de Atenas faz o céu desabar sobre as nossas cabeças com um Thrash Metal mortífero e cheio de referências a era de ouro do estilo. Se traçássemos um paralelo entre a trajetória do Suicidal Angels e do Slayer, poderíamos afirmar que este álbum se encaixa na discografia dos gregos como uma espécie de “Seasons In The Abyss”, apresentando um pouco de tudo o que a banda havia feito nos registros anteriores e ainda deixando espaço para a adição de novos elementos.

Considerando que “Divide And Conquer”, de 2014, seja o masterpiece dos caras, fiquei um pouco decepcionado com o disco seguinte, o excelente “Division Of Blood” (2016). Em “Divide And Conquer”, os gregos atingiram o seu auge criativo e fizeram um trabalho bem fora da caixa, com músicas mais longas e trabalhadas, porém, sem deixar de lado as principais características já conhecidas em álbuns como “Dead Again” (2010) e “Bloodbath” (2012). Em “Division Of Blood”, esperei algo que desse continuidade ao processo evolutivo iniciado, mas os gregos resolveram dar um passo atrás fazendo um disco mais reto e dentro de sua zona de conforto. Importante ressaltar que o registro mencionado é muito consistente e a decepção mencionada se deu apenas pelo fato da banda ter preferido o lugar comum ao invés de explorar todo o seu potencial.

SUICIDAL ANGELS / Photo By: Marina Mangard

Tudo isso parece ter sido resolvido neste novo álbum de estúdio, já que “Years Of Aggression” não só trás o quarteto em ótima fase executando aquele Thrash Metal veloz e visceral que conhecemos, como também nos apresenta uma banda indo além e experimentando novamente. As experimentações mencionadas, que fique claro, não são nada que possa descaracterizar o estilo e nem embutir modernices descabidas, mas se apresentam como uma série de caminhos ainda não trilhados por Nick e sua trupe.

O registro se inicia de forma explosiva com duas faixas que certamente se tornarão obrigatórias nos shows. Enquanto “Endless War” é uma composição forte e cortante, daquelas em que o pescoço não tem descanso desde as primeiras notas, “Born Of Hate” traz linhas de guitarra trabalhadas e um pouco mais de melodia. Mesmo que ambas sejam músicas rápidas e diretas, existe uma enorme variação na forma em que cada uma delas foi concebida e isso é um ponto comum durante toda a audição. Completando a trinca inicial, “Years Of Aggression” é a minha faixa favorita do álbum. Suicidal Angels tem se mostrado uma banda especialista nesse tipo de composição mais cadenciada e cheia de camadas. Já fizeram isso de forma magistral no passado em músicas similares como “Beggar Of Scorn”, “Seed Of Evil” e “Division Of Blood”, mas aqui aperfeiçoaram a técnica em um nível altamente satisfatório.

“Bloody Ground” é mais uma que tem na cadencia a sua principal marca, mas nela o trabalho de guitarras nos remete ao que o Kreator vem fazendo desde “Violent Revolution” (2001). Guitarras mais melodiosas aliadas ao peso do Thrash é uma combinação que quase sempre agrada (e aqui agradou). Em “D.I.V.A.”, a pancadaria come solta novamente e em “From All The One”, temos um refrão bem cativante. “Order Of Death” é uma canção que equilibra a velocidade e o peso, “The Roof Of Rats” é bruta, uma faixa tipicamente Suicidal Angels e, para encerrar o disco de maneira exemplar, temos uma música completamente fora dos padrões. Trata-se de “The Sacred Dance With Chaos”, onde, se usássemos o Slayer como referência novamente, esta faixa seria como uma espécie de “Seasons In The Abyss” (desta vez, fazendo menção a música). O momento derradeiro do registro tem pouco mais de 7 minutos de duração e traz diversas climatizações e melodias densas, aqui o ritmo é lento e a atmosfera é sombria, os dedilhados de violão são lindos e o instrumental é majestoso. Uma composição que pode não agradar a todos, principalmente aqueles que querem apenas fúria e velocidade, mas certamente agradará aos fãs de boa música.

A produção ficou a cargo da própria banda, terceirizando apenas a mixagem e masterização, trabalho de Jens Bogren e Tony Lindgren, respectivamente. A capa traz mais uma vez a arte do folclórico ilustrador Ed Repka, que apresenta o mascote da banda em uma batalha ensandecida contra uma legião de demônios. Tanto em termos de produção como na parte gráfica e, principalmente, na sonoridade, os gregos conseguiram mais uma vez lançar um trabalho convincente.

SUICIDAL ANGELS / Photo By: Chris Kissadjekian

Com “Years Of Aggression”, Suicidal Angels volta a evoluir e mostra muita maturidade musical. Como previsto, não abandonaram as suas principais marcas, mas elevaram o seu Thrash a um outro patamar. Com 7 discos lançados, há muito tempo deixaram de ser apenas uma promessa e, atualmente, pode-se afirmar com segurança que a banda é uma das principais desta nova geração.

Registro altamente recomendado!

Nota: 8,7

Integrantes:

  • Nick (vocal e guitarra)
  • Orfeas (bateria)
  • Gus (guitarra)
  • Angel (baixo)

Faixas:

  1. Endless War
  2. Born Of Hate
  3. Years Of Aggression
  4. Bloody Ground
  5. D.I.V.A
  6. From All The One
  7. Order Of Death
  8. Τhe Roof Of Rats
  9. The Sacred Dance With Chaos

Redigido por Fabio Reis

CONFIRA AS RESENHAS DOS ÁLBUNS ANTERIORES: “DIVIDE AND CONQUER” (2014) & “DIVISION OF BLOOD” (2016)

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