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Clássicos: Slade – “Whatever Happened To Slade” (1977) – Minha história com o Slade

“Whatever Happened To Slade” é o sétimo álbum da banda britânica de Hard Rock/Glam Rock, Slade, que assim como a maioria dos álbuns clássicos do quarteto, teve a produção de Chas Chandler, baixista original do The Animals. Ele é sucessor do disco “Nobody’s Fool” de 1976.

   

Vocês sequer podem imaginar a enorme satisfação que tenho em contar um pouco da minha história com essa pérola tão injustiçada.Tudo começou quando um amigo do colegial me pediu para passar na casa dele, pois havia um presente para mim. Naquela época, eu já conhecia e adorava alguns discos do Deep Purple, Led Zeppelin e Iron Maiden, mas não tinha ideia da próxima surpresa que me aguardava.

Foi quando ele chegou com o vinil do “Whatever Happened To Slade” na mão e me disse: “toma, fique com esse disco para você aprender a gostar de Rock”. Agradeci, em seguida, olhei para a capa e a contracapa, aquela banda de “cabeça raspada” em algumas fotos e “cabeluda” em outras. Confesso que minha primeira impressão foi estranhar.

Photo by: Gijsbert Hanekroot

“BE”, primeiro contato com o Slade

Logo que cheguei em minha casa, me apressei em ligar o toca discos e colocar o meu presente para ouvir. Assim que ouvi os primeiros riffs de “Be”, toda aquela estranheza se transformou em grata surpresa e euforia. Aquela musicalidade me conquistou tão logo a agulha tocou o vinil. Ouvi pela primeira vez (pelo menos eu achava que era) a voz cheia de drive de Noddy Holder e pensei comigo mesmo:

Na sequência

Fiz questão de repetir “Be” quando ela acabou, pois eu estava tão excitado por aquela descoberta. Quando finalmente deixei “Lightining Never Strike Twices”, uma canção mais Hard/Heavy, bem mais pesada e diferente da anterior, ai eu entrei em transe de uma vez por todas. Os riffs e solos de Dave Hill pegavam na veia e na alma, assim como o baixo de Jim Lea que acompanhava o vocal nota a nota, algo que eu não tinha visto até então.

“Gypsy Roadhog”, o single

Jim Lea é de longe o melhor instrumentista do Slade. “Gypsy Roadhog” tem mais a ver com a sonoridade anterior que o Slade praticava (eu ainda não sabia disso), assim sendo, uma música com objetivo mais comercial.

Divulgação / Slade

Não fosse pela voz rasgada de Noddy Holder, poderíamos achar que “Nobody’s Fool” e “Whatever Happened To Slade” são registros de bandas diferentes, já que o som do Slade havia ficado bem mais pesado e cru. Mas, qual seria a razão? Simples entender. O NOWBHM estava começando a querer vir a tona, e o quarteto, desse modo, pode ter sido influenciado por essa tendência que estava começando a surgir dentro de seu país.

Além disso, temos aqui uma produção que acertou em tudo. O som dos instrumentos de corda não poderia ser mais perfeito. Ao passo que quando me atento ao baixo desse disco, posso sentir até o cheiro das válvulas de seu amplificador. O Slade manteve seu som mais pesado até seu décimo álbum, “Till Deaf Do Us Part”, de 1981, porém nenhum de seus discos se compara a atmosfera sombria de “Whatever Happened To Slade”.

“My, Oh MY”, a redescoberta

Certo dia, eu estava no carro do meu tio que estava com o rádio ligado e ouço uma canção que já havia ouvido algumas vezes, “My Oh My”, quando ela terminou, o locutor anunciou:

“Vocês acabam de ouvir “My Oh My” com Slade”

Daí eu descobri que eu já conhecia a voz de Noddy Holder. Vou seguir com a descrição das demais faixas do disco para que eu não me estenda muito mais.

Os cães da vingança, quando a fantasia chama

“Dogs Of Vengeance” tem o riff mais pesado do disco, provando que o Heavy/Hard estava mesmo invadindo a sonoridade do Slade. Dave Hill dá um show de feeling e bends perfeitos nesse e em todos os demais solos do full lenght.

   

“When The Fantasy Calls” é a minha queridinha do “Whatever Happened To Slade”. Ela tem um riff que não deve nada para os do Black Sabbath. Uma canção, ao mesmo tempo, nefasta, poderosa e energética, talvez a mais pesada da carreira toda do Slade.

O solo de Dave Hill é , inegavelmente, o melhor que ele já executou. “When The Fantasy Calls” me deixa em um verdadeiro transe. Já a divertida “One Eyed Jacks With Moustaches” é puro Rock’N’Roll que remete ao início do Slade, tendo como plus o peso das guitarras que imperou nessa produção.

“Big Apple Blues”, a faixa riscada

A faixa “Big Apple Blues” estava riscada no vinil que ganhei de presente. Assim sendo, só há uns dez anos, eu pude saber o quão boa essa faixa é.

A tecnologia me fez enxergar que esse disco é ainda mais perfeito do que eu pensava, apesar de ter sido controverso para boa parte dos fãs que a banda tinha na época na Inglaterra, entretanto, por essa razão, ela não tenha recebido o seu devido valor. Em suma, o maior sucesso comercial do Slade sempre se resumiu ao Reino Unido e alguns outros países da Europa.

Momentos de sucesso mundial do Slade

Slade ficou conhecido mundialmente em três oportunidades, no sucesso da canção “My Oh My” do álbum “The Amazing Kamikaze Syndrome” de 1983 e quando o Quiet Riot fez a versão de “Cum Feel The Noize”, coincidentemente, no mesmo ano.

Além das duas, a canção natalina “Merry Xmas Everybody” é o sucesso deles que nunca abandonou as paradas, principalmente em período natalino. Não fosse por esses três eventos, talvez eu sequer conhecesse essa banda da qual hoje sou bastante fã.

Jim Lea, um músico fenomenal

“Dead Men Tell No Talles” destaca de uma vez só o som perfeito do baixo de Jim Lea e a magnífica voz de Noddy Holder. Tem vezes que eu me pergunto: Como pode Noddy Holder não ser considerado como um dos maiores vocalistas de Rock de todos os tempos?

A voz dele é poderosa, afinada, cheia de drive e com um médio-alto dificílimo de ser alcançado. Talvez provavelmente, seja por sua voz ser daquele tipo, ou você ama, ou você odeia, no meu caso, eu a amo. Jim Lea continua arrebentando tudo na faixa “She’s Got The Lot”, que é puro Hard Rock.

Parte final

A linha de baixo dele sempre parece um solo, ainda que não seja. Um pequeno solo de baixo e um riff esmagador conduzem a canção “It Ain’t Love, But It Ain’t Bad”, que está no time das mais pesadas do álbum. As letras do Slade causariam o seu cancelamento nos dias atuais (rs).

Art / Slade / Cover / Whatever Happened To Slade

“The Soul, The Roll And The Motion” encerra essa obra de arte tão menosprezada. Essa canção transborda a pureza suave que o Rock’N’Roll por vezes transmite, a qual se mescla com a deselegância e bom humor que são marcas registradas do Slade.

   

Slade sempre foi uma banda sem pudores, que abusou dos visuais mais exóticos, dentro e fora dos palcos. Se você não gosta desse disco, eu só lamento, pois ele está, tranquilamente, no TOP 20 da lista de discos de toda a minha vida. Dê uma chance ao “Whatever Happened To Slade”, certamente, você não se arrependerá. Salvo que seja muito puro Rock’N’Roll para os seus ouvidos destreinados.

Nota: 9,1

Integrantes:

  • Noddy Holder (vocal, guitarra)
  • Jim Lea (baixo, teclado, violino, vocal)
  • Dave Hill (guitarra, vocal)
  • Don Powell (bateria)

Faixas:

  • 1.Be
  • 2.Lightning Never Strikes Twice
  • 3.Gypsy Roadhog
  • 4.Dogs Os Vengeance
  • 5.When Fantasy Calls
  • 6.One Eyed Jacks With Moustaches
  • 7.Big Apple Blues
  • 8.Dead Men Tell No Tales
  • 9.She’s Got The Lot
  • 10.It Ain’t Love, But It Ain’t Bad
  • 11.The Soul, The Roll And The Motion

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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