Resenha (Indicação Prog): Lance King – “ReProgram” (2019)

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No mundo da música é normal algumas bandas e/ou artistas fazerem parte da “segunda divisão” quando o assunto é sucesso, prestígio e reconhecimento. Inúmeros são os casos de bandas que gravaram discos excelentes, daqueles que ao ouvir, imediatamente, o ouvinte se rende à sua sonoridade, no entanto o resultado final nem sempre é o esperado.

Alguns grupos despontam, fazem certo sucesso, porém o alarde dura pouco tempo e muitas vezes o ostracismo passa a ser a dura realidade, o que é lamentável, visto que é muito comum dar de cara com bandas “queridinhas” da mídia que lançam discos irrelevantes, no entanto, sabe-se lá por que, são ovacionadas e endeusadas, dando a impressão de que o tal registro é de fato de qualidade. Por vezes, estes trabalhos não passam de trilhas irrelevantes e desnecessárias, feitos para um público específico e limitado.

Numa lista de grupos com trabalhos excelentes, mas que por vezes passaram despercebidos, eu citaria nomes como Section A, Time Machine, Ivanhoe, Artension, Poverty’s NO Crime, Anubis Gate, Arena, Kepler Ten, Knight Area, Even Flow, Threshold, Pagan’s Mind, Circus Maximus, Divided Multitude, Magnitude 9 , Enchant, Consortium Project, Ivory Tower, Appearance Of Nothing, Oceans Of Night e tantos outros.

Entrando nessa lista e caminhando por via paralela está o vocalista americano Lance King, conhecido por seus préstimos em grupos como Pyramaze, Defyance, Gemini, Avian, Empire, Ilium, Balance Of Power, etc, que apesar de não figurar nas listas de “Grandes Vozes”, segue firme e forte em sua viagem quase solitária, aparentemente sem se importar com títulos e /ou na busca do prestígio que lhe é merecido, porém que ainda lhe é negado.

Oito anos após o ótimo “A Moment In Chiros”, álbum de estreia da banda que leva seu nome, Lance lançou em março de 2019, o excelente “ReProgram”, segundo e excelente trabalho de inéditas e indiscutivelmente um disco espetacular no seguimento do Progressive Metal/Progressive Power.

Para oferecer um trabalho onde a palavra “perfeição” cai feito luva, Lance escalou um time de músicos excepcionais, cuja bagagem sonora dispensa quaisquer comentários, visto que estes figuram em bandas de renome e algumas delas relativamente bem sucedidas.

O line up consiste no guitarrista e tecladista Kim Olesen (Anubis Gate), o tecladista Fred Colombo (Spheric Universe Experience) e o baterista Morten Gade Sørensen (Anubis Gate, Baron Carta, Pyramaze, Wuthering Heights), músicos que já haviam contribuído nas gravações do excelente e já citado “A Moment In Chiros”, debut lançado em 2011.

Contendo 11 faixas divididas em pouco mais de 59 minutos de duração, o álbum apresenta a mesma fórmula e sonoridade de seu antecessor. Ou seja, uma viagem prazerosa ao mundo do Progressive Metal.

Sem delongas, é hora de conferir faixa a faixa, este que é mais um brilhante trabalho do incansável Lance King. Vem comigo!

As honras ficam por conta de “ReProgram”, excelente faixa de abertura calcada no Prog Metal e uma certa similaridade musical com os noruegueses do Pagan ‘s Mind. Principalmente nos vocais de Lance, lembrando os timbres do excelente Nils K. Rue.

Trazendo referências sonoras que nos remetem aos americanos do Dream Theater, “Pointing Fingers” segue o mesmo ritmo de sua antecessora, porém aqui os vocais têm fortes influências de James LaBrie, principalmente nas partes mais agudas.

É preciso lembrar que as referências citadas referem-se em especial aos vocais, já que não temos aqui aquelas viagens instrumentais, desnecessárias e maçantes, que são características principais na sonoridade do quinteto americano.

Injetando uma dose extra de peso e velocidade, “Standing Your Ground” é mais um excelente momento do disco, trazendo em suas melodias a sonoridade de grupos como Threshold, Vanishing Point, Balance Of Power, Magnitude 9, Evergrey (fase atual) e Redemption (também da fase atual).

Transitando entre o Heavy e o Prog, “Technology” traz em seus riffs pesados melodias encorpadas, teclados mais intensos, linhas pesadas de contra baixo, refrão grudento e solos de guitarras transitando entre o Heavy e o Jazz. Evidente, que essas nuances não fazem com que a proposta do disco se distancie do Progressive Metal, já que a essência do mesmo é completamente e puramente Prog.

Sob riffs pesados e mergulhando no Heavy Metal, “Reaction Formation” é mais um momento espetacular de Lance King, onde mais uma vez seus vocais fazem parâmetros entre LaBrie (Dream Theater), Nils K. Rue (Pagan ‘s Mind) e Geoff Tate (ex, Queensryche). O resultado é uma das melhores faixas do disco, e uma canção que faz um equilíbrio perfeito entre o Heavy e o Prog Metal.

Um dos momentos mais espetaculares de “ReProgram” está em “Limitless”, talvez uma das melhores músicas do disco, ou se não for a melhor, então é certo que figura na lista de melhores. Esta afirmação é baseada não apenas por tratar-se de uma belíssima composição que claramente flerta com o Hard Rock, mas principalmente por trazer em sua letra uma mensagem de otimismo: “Lembre-se de que estamos todos codificados / com o que é bom e o que é ruim / o que é verdade e o que é ficção / Nunca duvidando do que vem a seguir / Nunca bloqueando o caminho do sucesso / Eu sou ilimitado, o escritor do meu destino / Você é ilimitado, só precisamos acreditar / Ilimitado/Ilimitado.” Não bastasse sua grandiosidade no quesito harmonia, a canção ainda traz consigo um dos mais belos solos de guitarras até o presente momento.

Segundo a pegada Hard de sua antecessora, “Wide Open” é a faixa responsável por unir perfeitamente o Hard e Heavy, numa composição genial, trazendo consigo uma dose especial de peso, além do casamento perfeito entre guitarras e teclados.

A definição perfeita para o termo Prog Power está nas harmonias de “Chaotica”, excelente composição que une em suas melodias peso e velocidade, além de um trabalho absolutamente perfeito de bateria e guitarra (que solo espetacular).

Numa clara referência aos meios de comunicação e mídias em geral (jornais, tvs, etc), a música é uma crítica direta sobre como as mentiras (aqui chamadas de “veneno”) atingem diretamente a vida das pessoas, e o quanto estas mídias são prejudiciais. “Ligue as notícias, é sempre igual / Está tudo ruim, mas isso nunca vai mudar / Cabeças falantes distribuem o veneno diário / Sintonize para sua dose de paranoia /Está tudo bem agora, não é tão ruim / não é tão ruim quanto dizem / Eles poderiam lhe vender boas notícias / Mas não é por isso que você sintoniza / Chaotica, nós amamos o drama de Chaotica.” Em seu refrão, bem como nas parte de backing vocals, a impressão é que Andi Deris (Helloween) resolveu assumir o microfone.

Sem perder o ritmo e mantendo o disco em alta, “Spell Of Domestication” é mais um grandioso momento de Mr. King e seus vocais absurdamente belos.

De imediato, vou dizer que temos aqui uma dose de peso injetada na bateria, fazendo desta uma das músicas mais impressionantes do disco. Fazendo um contraponto entre o Heavy Metal, Power Metal e Progressive Metal, mergulhamos na sonoridade e nas melodias de uma canção espetacular, onde ao final, a tecla “Repeat” precisa ser acionada por inúmeras vezes. Destaques para as linhas de vozes ora suaves, ora agressivas, numa combinação genial e perfeita que só um vocalista excepcional consegue nos proporcionar.

Os teclados iniciais de “Perfect World” nos remetem aos australianos do Voyager e seu excelente “I Am The Revolution” (2009), ao mesmo tempo em que sua sonoridade traz característica e similaridade com Sweet Oblivion, projeto italiano que conta com Geoff Tate nos vocais, podemos dizer também que esta seria uma música perfeita para um disco do Crematory ou do Paradise Lost, pós “Draconian Times”, já que seus teclados trazem exatamente estas impressões. Dona de uma sonoridade pesada e diferente das demais, eu diria que esta é a música mais Heavy Metal de todo o disco e suas guitarras soam como um encontro entre Jørn Viggo Lofstad (Pagan’s Mind) e Karl Groom do Threshold.

Indiscutivelmente a faixa mais espetacular de todo o disco (opinião pessoal).

Fechando com chave de ouro, “A Mind At War” e suas melodias mais brandas, regidos por seu teclado soando tal qual piano, em uma viagem espetacular cuja duração se aproxima dos 10 minutos. Este é um daqueles casos onde a música passa por um processo de construção, crescendo e se moldando a cada verso. Ao final, um passeio por diferentes estilos, numa canção cuja origem permanece fincada no Progressive Metal de qualidade inquestionável, finalizando esta epopeia musical digna de muitos aplausos.

Como dito no início do texto, Lance King não goza da fama e prestígio que merece ou deveria ter, porém, sua trajetória musical merece respeito e atenção especial, já que estamos falando de um dos vocalistas mais versáteis dos últimos tempos com passagens por bandas de sonoridades distintas.

Por onde passou, Lance fez tudo com maestria e perfeição que lhe é peculiar, deixando sua marca registrada em trabalhos magistrais.

Não obstante, estamos falando de um músico cujo timbre vai do grave ao agudo em segundos, cujas referências e influências são de grandes vozes como os já citados Geoff Tate, James LaBrie, Nils K. Rue e também nomes como John Arch (ex, Fates Warning), Damian Wilson (ex ,Threshold), Tom S. Englund (Evergrey), Russell Allen (Symphony X), Ray Alder (Fates Warning), Henrik Fevre (Anubis Gate), Henrik Båth (Darkwater), Michael Eriksen (Circus Maximus), dentre outros.

Em resumo: “ReProgram” é um disco cuja musicalidade é destinada a ouvidos apurados e em minha humilde opinião, o mesmo detém o título de “Melhor Disco de Progressive Power” lançado nos últimos anos.

Integrantes:

Lance King (vocal)

Morten Gade Sørensen (bateria)

Kim Olesen (guitarra, teclado)

Fred Colombo (teclado)

Faixas:

1.ReProgram

2.Pointing Fingers

3.Stand Your Ground

4.Technology

5.Reaction Formation

6.Limitless

7.Wide Open

8.Chaotica

9.Spell of Domestication

10.Perfect World

11.A Mind at War

Redigido por: Geovani “Fox On The Run” Vieira

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