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Indicação Hard: Firehouse – “Firehouse” (1990)

“Firehouse” é o debut homônimo do Firehouse.

   

Revisitando os anos 90 e pegando o gancho na narrativa que diz ser esta “a pior década para o Rock/Metal”, podemos provar que tal narrativa é ilógica e totalmente equivocada.

Se por um lado a indústria musical e algumas gravadoras apostaram pesado numa certa modinha que para alguns era a “salvação do Rock”, por outro tivemos gravadoras e artistas que simplesmente mostraram o dedo do meio para a referida modinha provando que o Heavy/Rock continuava mais vivo do que nunca. Pelo menos para quem jamais acreditou em tais balelas e evidentemente não se apegou a movimentos criados e empurrados goela abaixo por uma boa parte da mídia que nos dias atuais, ainda insiste em dizer que alguns desses movimentos de fato foram importantes para a música. Diga-se de passagem, uma das maiores imbecilidades proferidas.

A década de 90

A década de 90, em especial, o ano de 1990, começou muito bem com bandas de renome lançando discos excelentes e alguns deles se tornaram clássicos com o passar dos anos.

Do Heavy ao Thrash, do Death ao Black, do Gothic ao Hard Rock, o que se viu foram trabalhos excepcionais lançados por bandas/artistas de renome, provando que era possível sim navegar pelas ondas sonoras da boa música.

Enquanto alguns grupos comemoravam o sucesso obtido com seus discos lançados no ano anterior, outros lançavam trabalhos excepcionais.

Citando alguns exemplos: Judas Priest com o excelente “Painkiller”, Death com “Spiritual Healing”, Entombed com “Left Hand Path”, Gary Moore com “Still Got The Blues”, Steve Vai com “Passion & Warfare”, Blind Guardian com “Tales From the Twilight World”, Pantera com “Cowboys From Hell”, Slayer com “Seasons In Abyss”, Sanctuary com “Into The Mirror Black”, Queensryche com “Empire”, dentre outros.

Pegando a mesma estrada, estavam os americanos do Firehouse, que editaram seu álbum homônimo de estreia, um dos melhores discos de Hard Rock, bem como o melhor registro da banda em toda sua discografia (Opinião pessoal).

“Firehouse”, debut

Produzido por David Prater (Dream Theater, Santana, etc) e lançado oficialmente no dia 11 de setembro de 1990, “Firehouse” (o disco) apresenta 10 faixas inéditas calcadas no Hard Rock, flertando também com o Heavy Metal em alguns momentos.

Catapultado pelos singles, “Shake & Tumble”, “All She Wrote”, “Love A Lifetime” e “Don’t Treat Me Bad”, o disco invadiu as paradas de sucesso de países como Japão, Canadá e Estados Unidos, onde atingiu a 21a posição da Billboard Americana.

Composto originalmente por CJ Snare (vocais, teclados), Bill Leverty (guitarras), Michael Foster (bateria) e Perry Richardson (baixo), o grupo lançou oito discos de estúdio, sendo “Full Circle”, álbum que apresenta regravações de seus trabalhos anteriores, e desde então seu último registro editado em junho de 2011.

   

Apresentações feitas, é hora de visitar a “casa de fogo” e descobrir o que ela nos reserva. Vamos nessa?

Hard Rock da pesada para iniciar

As boas vindas ficam por conta de “Rock On The Radio”, excelente faixa de abertura e de cara somos envolvidos por uma canção pesada, cadenciada e com um refrão daqueles que grudam de imediato

[… Rock on the radio, You turn it up ‘til your speakers blow, Rock on the radio, Come on, come on everybody let’ s go…].


Destaques para as guitarras excepcionais de Bill Leverty e para a bateria de Michael Foster, e sua levada tribal no início da música.

O refrão inicial de “All She Wrote” é a prova de que temos mais uma daquelas canções cujas melodias conquistam de imediato e seu refrão fará morada em seu cérebro.

Divulgação / Firehouse


Trazendo em suas melodias a fórmula perfeita do Hard Rock, somos envolvidos pelos vocais afinadíssimos de CJ Snare, as linhas (e solos) de guitarras de Leverty e pelos belíssimos backing vocals, responsáveis pelo refrão grudento e viciante:

[…Bye-bye baby, bye-bye she said in the letter, And that was all she wrote, Guess this is goodbye, guess this is forever, And that was all she wrote…].

Em seguida, Hard & Heavy para dentro da alma

A fusão perfeita entre os estilos Hard & Heavy faz de “Shake and Tumble” mais uma excelente faixa do disco. Dessa forma, nasceu a tríade perfeita até o momento.

Com suas harmonias e refrão lembrando “Rock On The Radio” (faixa de abertura), mergulhamos em melodias que transitam entre o Hard Rock e o Heavy Metal. Assim sendo, essa canção proporcionou ao ouvinte uma viagem excepcional entre ambos os estilos.

Ao final, uma dúvida paira sobre nossas cabeças:

Afinal de contas, seria esta uma canção Hard flertando com o Heavy, ou seria exatamente o contrário?

Os violões iniciais anunciam “Don’t Treat Me Bad”, mais uma faixa extraordinária em mais um momento grandioso do disco. Esse foi o primeiro single lançado pelo quarteto. Dona de melodias e refrãos pegajosos, temos até então a sua música de maior sucesso, bem como uma das mais executadas nas rádios de todo o mundo. Seu videoclipe também rolou à exaustão na programação da MTV (à época).

“Don’t Treat Me Bad”, mais um single de sucesso

   

A escolha para que a música fosse o single de lançamento não poderia ter sido melhor. Já que “Don’t Treat Me Bad” foi sucesso imediato alcançando a 19a posição na parada de singles da Billboard Hot 100. Alémd isso, também conquistou a 71a posição na parada na canadense e a 35a no Reino Unido. Mais uma vez, é preciso destacar os trabalhos excepcionais de vozes de CJ. Pois, aqui, ele se envereda pelos tons mais altos, elevando sua voz à agudos perfeitos.

Ao final, é certo que este refrão estará martelando em sua cabeça:

[…Baby, don’t treat me bad, Well, this could be the best thing that you’ll ever have, Baby, don’t treat me bad, You can do anything but baby, don’t treat me bad, Oh, don’t treat me bad…]

Chegamos a metade do disco e a impressão é de que estamos ouvindo a primeira música já que tudo permanece igual. Ou seja, nenhuma música que desaponte o ouvinte ou o faça pular de faixa.

A bola da vez é “Oughta Be A Law”, hardera como manda o figurino, trazendo os ingredientes necessários que o estilo necessita. Pesada, encorpada como deve ser, vocais precisos, guitarras, baixo e bateria soando perfeitos e aquele refrão característico que te faz cantar junto. E já que falei de baixo e bateria, é preciso destacar os trabalhos brilhantes da dupla Michael Foster & Perry Richardson. Numa palavra: Perfeitos!

Hard Rock sem limitações

Quem disse que um disco de Hard Rock precisa ser necessariamente um disco de Hard Rock?

Ledo engano, caso o nobre amigo ouse pensar dessa forma. A prova que as regras podem ser quebradas estão na espetacular “Lover ‘s Lane”, ja´que ela é, em minha humilde opinião, um dos melhores momentos do disco. Embora estejamos falando de um disco onde TODAS as faixas são absurdamente bem compostas e grandiosas quando o assunto é melodia.

Sobre a canção: Rápida, guitarras nervosas, contra baixo soando mais “na cara”, bateria com uma dose cavalar de peso e velocidade. Tudo isso casando perfeitamente com a voz poderosa de CJ, como resultado, uma canção espetacular.

Seguindo o raciocínio musical de sua antecessora e repetindo a mesma fórmula, principalmente nas linhas de contra baixo e bateria que simplesmente dominam o terreno, temos “Home Is Where The Heart Is”, mais um momento onde o quarteto flerta com o Heavy Metal, já que alguma linhas de guitarras e a bateria soam mais pesados e velozes em determinados momentos.

Não se deixem enganar pela introdução de “Don’t Walk Away”

Aviso: Não deixe os violões iniciais te fazerem pensar tratar-se apenas de mais uma musiquinha simples. Definitivamente não é isso que ouvimos. Abram alas para “Don’t Walk Away”, sem dúvidas um dos grandes momentos do disco. Com seu andamento cadenciado, riffs e solo de guitarras com uma dose extra de peso, linhas de baixo que casam perfeitos com a bateria ultra pesada, vocais afinados e agudos, formam o esqueleto de uma canção que nos remete às bandas de Blues Rock. Embora tenhamos aqui uma dose cavalar de peso fazendo com que tal exemplo seja referência apenas às melodias.

Os dedilhados de “Seasons Of Change”, breve faixa instrumental, servem de intro para a gigante “Overnight Sensation”. Na opinião deste que vos escreve a melhor faixa do disco, e a música que deveria encerrá-lo já que sua atmosfera é perfeita para tal.

Sobre a música: Esqueça o Hard Rock de outrora que ouvimos até então. O que ouviremos pelos próximos três minutos e cinquenta e sete segundos, são harmonias e melodias calcadas no bom e velho Heavy Metal.

   
Divulgação / Firehouse

Caso o ouvinte não esteja familiarizado com a sonoridade da banda e deparar-se com esta faixa em especial, é bem provável que o mesmo não acredite trata-se de uma banda Hard.

CJ Snare é fenomenal

Adicionando uma dose de exagero, ouso dizer que dá pra pescar alguns flertes com o Melodic Power Metal, já que tudo aqui nos remete aos estilos supracitados e isso inclui principalmente os vocais de CJ Snare que são um caso à parte.

O cara simplesmente tem uma das melhores vozes do Hard Rock e isso é fato. Talvez provavelmente, tenhamos aqui a música que deu origem a sonoridade do Rubicon Cross, projeto do guitarrista Chris Green (Tyketto, Rage of Angels) ao lado de CJ, que também é o responsável pelos vocais e diferente do Firehouse, o grupo aposta em melodia mais pesadas e voltadas ao Hard ‘n Heavy, lembrando a sonoridade do Maxx Warrior, banda a qual o CJ Snare integrou antes do Firehouse.

Ainda sobre “Overnight Sensation”: É impossível não se render ao seu refrão simples e curto:

[…Oh You’re the overnight sensation, You can be a star, Overnight sensation, No matter who you are…].

Ao final, ignorar a tecla “repeat” do seu aparelho é pura e simples heresia.

Um disco sem uma balada daquelas onde dançamos coladinho com a patroa, enquanto as crianças estão trancadas no quarto vendo episódios de “Eu, A Patroa e As Crianças”, é no mínimo um disco decepcionante. Certo? Exatamente!

Hard sem balada não é Hard de verdade

Pra ser Hard tem que ter balada, tem que ter sentimentos, lágrimas caindo e nada de letra sem nexo. Pensando nisso o quarteto compôs “Love Of A Lifetime”, umas das mais belas canções do disco e também dos anos 90.

Apresentando todas as características que a letra pede, mergulhamos de cabeça em uma música belíssima, cheia de violões, refrão ultra grudento, backing vocals dando aquele suporte perfeito, vocais com aquela dose de emoção, assim como aquela letra que faz qualquer barbado chorar debaixo do chuveiro. Preciso falar sobre a interpretação de CJ Snare? Acredito que não!

Vamos ao refrão e por favor, prepare os lenços e deixe o telefone pronto para fazer aquela ligação com um pedido de desculpas. Certamente, você irá precisar.


[…Eu finalmente encontrei o amor de uma vida toda, Um amor para durar toda a minha vida, Eu finalmente encontrei o amor de uma vida toda, Para sempre em meu coração, Eu finalmente encontrei o amor de uma vida toda…].

   

*Eu avisei que é possível chorar debaixo do chuveiro.

Um disco perfeito exige que sua faixa de abertura seja tão genial quanto as anteriores. Certo? Certíssimo!

Parte final

Assim como a já mencionada “All She Wrote”, temos o refrão de “Helpless”, mais uma faixa que dosa perfeitamente as melodias do Hard com o Heavy, tomado o embrião de uma canção espetacular onde mais uma vez CJ Snare usa e abusa de seus vocais.

Apesar de achar “Overnight Sensation”, a música perfeita para o fechamento do CD, não vou negar que “Helpless” seria minha segunda opção e, no final das contas, ela foi uma escolha acertada.

Mais que um disco de Hard Rock, “Firehouse” entra na minha lista de discos prediletos do anos 90, e por favor não estou me referindo apenas ao estilo. Me refiro ao disco como um todo.

Numa época onde poucas bandas se aventuravam ao nadar contra a maré, os americanos do Firehouse mergulharam de cabeça e mostraram um trabalho para quem realmente estava a fim de ouvir boa música.

O desempenho de “Firehouse” (o disco) talvez tenha causado surpresa até mesmo para os próprios músicos, já que o disco foi um sucesso em todos os quesitos e os números deixam isso evidente.

Recado especial do redator

N do R: Talvez minhas menções ao Heavy Metal em grande parte desta resenha onde o foco principal é um disco de Hard Rock soem ou pareçam exageradas, porém o fato é que não se trata de um álbum apenas para um público específico (Não mesmo!) já que em seus quase 49 minutos de duração temos músicas que certamente agradarão fãs dos dois estilos

Em resumo: Vale à pena mergulhar em “Firehouse”, desfrutar de suas melodias e vibrar com uma banda composta por músicos excelentes.

Algumas observações acerca do disco:

*O sucesso comercial de seu álbum de estreia elevou o nome do Firehouse, tornando-o um dos grupos de maior sucesso na época. Após o disco de estreia, o grupo foi eleito pela revista Metal Edge como a Melhor ‘Nova banda’ de Hard Rock, Melhor Revelação pela Young Guitar e numa pesquisa feita pelos leitores da Music life (Revista) o grupo foi eleito como Banda Revelação de 1992.

*”Love Of A Lifetime”, terceiro single, alcançou a terceira posição das paradas, ultrapassando a marca das 500 mil cópias vendidas. Outros singles também despontaram e alcançaram sucesso. caso de “Don’t Treat Me Bad”( 14º lugar) e “Shake & Tumble”, que apesar de fazer estrondoso sucesso nas rádios, não conseguiu rankear nas paradas musicais.

   

*O sucesso de “Don’t treat Me Bad” garantiu ao grupo a 40a posição na US Billboard Hot 100 e foi o primeiro sucesso da banda a despontar nas rádios americanas. A música também foi apresentada em um dos episódios da série “Peacemaker”, apresentada pela HBO Max.

Sucesso nos Estados Unidos e no mundo todo

*As músicas “Don’t Walk Away” e “Overnight Sensation” também fizeram bonito e despontaram em outros terrenos. Enquanto a primeira integrou a trilha do filme “The Wrestler” (2008), dirigido por Darren Aronofsky, a segunda fez parte da trilha sonora do vídeo game “Brutal Legend”
*Além da 19a posição na Billboard Americana, o disco atingiu a 43a posição na RPM Top 100 Álbuns do Canadá, onde também foram contemplados com disco de ouro. Além do Canadá, a banda também conquistou o disco de ouro no Japão e Cingapura.
*Em 1992, o grupo foi o vencedor do American Music Awards na categoria Favorite New Heavy Metal/Hard Rock Artist (Artista de Heavy Metal/Hard Rock favorito).
*Os números estimados de vendas de “Firehouse” (disco), ultrapassam os 7 milhões de cópias em todo o mundo. Meses após seu lançamento, o álbum atingiu a marca de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Tal desempenho fez com que a banda recebesse de sua gravadora o disco duplo de platina.

*Além do sucesso em seu país de origem, a banda conseguiu uma legião enorme de fãs em países como Tailândia, Índia, Malásia, Indonésia, Filipinas, Cingapura e Japão. O grupo também conquistou os fãs da Europa e da América do Sul, incluindo o Brasil onde se apresentaram duas vezes.

*Momento curiosidade: A modelo que aparece estampando a capa simples do disco (Brenda), mais tarde se tornaria a Sra. Snare, após seu casamento com o vocalista CJ.

Integrantes:

  • C.J. Snare (vocal, teclado)
  • Bill Leverty (guitarra, vocal)
  • Perry Richardson (baixo, vocal)
  • Michael Foster (bateria)

Faixas:

  • 01.Rock on the Radio
  • 02.All She Wrote
  • 03.Shake & Tumble
  • 04.Don’t Treat Me Bad
  • 05.Oughta Be a Law
  • 06.Lover’s Lane
  • 07.Home Is Where the Heart Is
  • 08.Don’t Walk Away
  • 09.Seasons of Change
  • 10.Overnight Sensation
  • 11.Love of a Lifetime
  • 12.Helpless

Redigido por: Geovani “Gigio Tadeu” Vieira

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