Indicação Hard: Cinderella – “Long Cold Winter” (1988)

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Esta é uma indicação dos Programas Rock On e Hard Attack

Quando o Cinderella lançou “Night Songs”, álbum de estreia de 1986, o Glam Rock ganhava um novo representante e ao mesmo tempo uma nova força que tomou de assalto às paradas musicais que se renderam ao disco, transformando-o em um furacão de vendas na época de seu lançamento.

Tal qual foguete, o disco logo subiu nas paradas de vendas figurando na 3a posição da Billboard 200 graças aos singles “Nobodys Fool” e “Somebody Save Me”. De cara, a banda atinge um número expressivo de vendas que ultrapassa a marca de 3 milhões de cópias (à época), contemplando o quarteto com disco de platina, além de posições relevantes em diversos países. De quebra, eles ainda seriam a banda de abertura na turnê do álbum “Slippery When Wet”, do quinteto americano Bon Jovi.

Exatos dois anos após o debut, o grupo lança seu segundo trabalho de inéditas, o magistral “Long Cold Winter”, álbum, que assim como seu antecessor, também trouxe excelentes resultados, consolidando o Cinderella como um dos representantes do Hard/Glam Metal.

Trazendo em seu line up: Tom Keifer (vocais, guitarras, harmônica, teclados), Jeff LaBar (guitarras), Eric Brittingham (baixo), Fred Coury (bateria) e contendo 10 faixas divididas em pouco mais de 43 minutos de duração, o álbum conta mais uma vez com o produtor Jeremy Andrew Johns, responsável por trabalhos ao lado de nomes como Free, Led Zeppelin, Tangier, House of Lords, Autograph, McAuley Schenker Group, etc, e marca a mudança de sonoridade do quarteto que abandonava aquela imagem de “Poodles Drag Queens” da época do debut e musicalmente investia em levadas voltadas ao Country Rock e Blues Rock, embora a essência do Hard/Glam ainda estivesse latente e continuaria nos trabalhos vindouros.

Sem delongas, é hora de fazer uma visita à Farofolândia e descobrir o que “Long Cold Winter” tem a oferecer aos apreciadores e aficionados por uma boa Farofa.

O disco abre com “Bad Seamstress Blues”, uma pequena introdução que intercalada com “Fallin’ Apart at The Seams” formam uma única música. De cara, a mudança de sonoridade deixa evidente que a banda não pretendia fazer uma continuação de “Night Songs”. Trazendo um ar mais “blues/country”, somos conduzidos a melodias que nos remetem ao que fazem brilhantemente Aerosmith, Tesla, Junkyard, Jackyl e outros. Em dado momento a impressão que Brian Johnson (AC/DC) tomou o microfone das mãos de Tom Keifer e decidiu ser o responsável pelos vocais. Em resumo: Faixa mais que perfeita para abrir o disco.

Os riffs iniciais de “Gypsy Road” dão um ar festivo ao disco. Simples, direta, empolgante e grudenta, temos aqui uma daquelas canções que começam grandiosas e mantêm-se assim até suas últimas notas. Por mais que não queiramos comparar (inevitável), fica claro que Long Cold Winter é de certa forma um trabalho mais “sério” e maduro do Cinderella. Ou seja, aquele apelo Glam nas letras e no visual “Mamãe não sou, mas se pedir eu dou” deu lugar a roupas menos coloridas e apesar de ter os pés fincados no Hard/Glam, a banda soube unificar de forma extraordinária elementos de Country e Blues em sua música. Destaque para as guitarras excepcionais de Jeff LaBar e suas linhas a la Joe Perry.

Hora de preparar a caixinha de lenços, abraçar o porta-retrato com a foto de sua ex e em seguida chorar no banho ouvindo as melodias açucaradas de “Don’t Know What You Got (Till It’s Gone)”, uma das baladas mais belas do Cinderella e claro, de uma época onde compor temas com doses cavalares de açúcar era comum e quanto mais açucarado, melhor.

Trazendo a mesma vibe da grudenta “Nobodys Fool”, single do debut que atingiu a 13a posição da Billboard 100 US, “Don’t Know What You Got (Till It’s Gone)” não se intimidou e também deu recado, atingindo a 12a posição da mesma parada. Em suas melodias grudentas e vocais emocionais de Mr. Tom Keifer, destaques para as linhas de teclados/piano, para os violões semi-acústicos e para mais um solo genial conduzido por Mr. LaBar.

Seguindo em alto estilo e mantendo uma linha absurda de qualidade musical, “The Last Mile” é mais um momento esplendoroso do disco. Com suas linhas excepcionais de violões que casam muitíssimo bem com as bases de guitarras, somos apresentados a uma das mais belas canções do disco. Mais uma vez, vemos o Hard dar as mãos aos Blues/Country e o resultado não poderia ser outro senão excelente. Destaques para os backing vocals que dão um toque especial e tornam-se “A cereja do bolo”.

*A versão acústica de “The Last Mile” é uma das mais belas versões de todos os tempos. Destacando os violões acústicos e os backing vocals que em ambos os casos, soam perfeitos na nova roupagem. Posso dizer que esta é uma das minhas faixas predileta do “Cindi”.

Prosseguindo em clima festivo, “Second Wind” é a bola da vez. Trazendo algumas similaridades musicais que nos remete ao que fazem Tesla e Aerosmith. A propósito, as linhas (rasgadas) de vozes de Tom Keifer nos trazem à mente, exatamente, o que fazem Jeff Keith e Steven Tyler.

Chegamos ao momento mais “Blues” do disco e ele atende por “Long Cold Winter”, faixa título é indiscutivelmente um dos momentos mais incríveis de Tom Keifer e Jeff LaBar. Com suas melodias fincadas cem por cento no Blues, somos convidados a mergulhar em suas melodias e nos envolver através dos riffs primorosos e espetaculares de LaBar e a voz a la “Janis Joplin” em versão masculina de Mr. Keifer, numa música que foge completamente das demais, porém, algo me diz que esta era exatamente a sacada do quarteto que de forma sutil, arriscava algo diferente e apostava suas fichas em uma sonoridade que lembra alguns trabalhos de Gary Moore e Great White. Numa lista de nomes mais atuais citarei Joe Bonamassa, Living Loud e Kane Wayne Shepherd. Se a intenção era causar impacto no ouvinte, então a missão foi cumprida e a banda teve êxito. Que música espetacular!

O que aconteceria se Jeff Keith (Tesla) integrasse o Aerosmith ou ainda, Steven Tyler fosse vocalista do Tesla? A resposta está em “If You Don’t Like It”, faixa que traz uma pegada totalmente Aerosmith do álbum “Permanent Vacation” com “Mechanical Resonance” do Tesla. Em mais um momento Glam/Hard, o grupo manda uma das faixas mais incríveis do disco, lembrando também grupos como Dangerous Toys, Quireboys, Kik Tracee, Bang Tango, Beau Nasty, Vain, Britny Fox, Kix, Ratt, Dirty Looks, etc. Vale lembrar que alguns desses grupos lançaram discos anos depois do Cinderella. Com isso as comparações aqui servem apenas para definir as similaridades de estilos e por vezes, os vocais.

Os violões acústicos de “Coming Home” anunciam mais um excelente momento do disco em uma canção que faz a linha Power Ballad com belíssimas linhas de violões acústicos que dão um toque especial à melodia, dividindo espaço com com as guitarras geniais de LaBar (Jeff). Se “Native Tongue” do Poison tivesse sido gravado antes de “Long Cold Winter”, diríamos que “Coming Home” fora influenciada pelas melodias de “Stand”, visto que ambas as faixas trazem harmonias muito parecidas. Destaque para os backing vocals (excelentes) com claras influências de Rhythm & Blues e Soul Gospel. Com seus vocais lá em cima, atingindo tons altos e estridentes, Keifer (Tom) faz bonito e evidentemente também se destaca.

Apontando na reta final temos “Fire and Ice”, faixa que traz uma pegada a la Dokken dos álbuns “Tooth and Nail” e “Under Lock and Key”. Evidentemente que tais comparações não estão voltadas aos vocais, já que Keifer está mais para Steve Whiteman do Kix. Com uma pegada voltada ao Hard Rock (literalmente), temos a faixa que mais se assemelha ao disco anterior, “Night Songs”, já que o clima descontraído e “alegre” de sua melodia tenha o poder de cativar o ouvinte logo em seus segundos iniciais. E o que dizer do solo espetacular do genial LaBar que poderia muito bem se passar por George Lynch? Ao final da última nota musical é obrigatório que o ouvinte ative a tecla “Repeat”.

Fechando em alto estilo, temos “Take Me Back”, faixa que traz claras referências ao Hard/Glam apresentado no debut, trazendo inclusive a mesma pegada de músicas como “Shake Me”, “Push Push” e “Somebody To Save Me”. Evidentemente que estamos frente a mais um chute certeiro do quarteto que de forma inteligente repete aqui a mesmíssima fórmula que os levou ao topo das paradas de sucesso. E sim, tudo aqui é muito bem feito e bem conduzido em um disco obrigatório aos fãs de Hard/Glam Rock.

Lançado no mesmo ano em que grupos como Van Halen, Guns ‘n Roses, AC/DC, Winger, Bon Jovi, editavam seus novos e excelentes trabalhos, “Long Cold Winter” marca literalmente a mudança de sonoridade do Cinderella para o Blues Rock, embora a banda não deixasse o rótulo de Hard/Glam de lado, bem como sua música que de certa forma representa o estilos pelos quais ficaram conhecidos.

Em sua turnê de divulgação, foram realizados ao todo 254 shows em 14 longos meses. Em agosto de 1989, a banda se apresentou no Festival de Música da Paz de Moscou ao lado de outros nomes como Ozzy Osbourne, Scorpions, Mötley Crüe, Bon Jovi e Skid Row. O show da turnê incluiu Tom Keifer sendo baixado ao palco enquanto tocava um piano branco durante a música “Don’t Know What You Got (Till It ‘s Gone)”.

Em abril de 1990, o grupo lançou uma compilação de vídeos chamada “Tales From The Gypsy Road”, contendo os 04 videoclipes promocionais de Long Cold Winter, além de 02 Medley ao Vivo. O registro também conta com a faixa “Sweet Home Alabama” do Lynyrd Skynyrd.

Seguindo o exemplo de bandas como Bon Jovi, White Lion, Guns ‘N Roses, Dokken, Europe, Def Leppard, Extreme, The Cult, Aerosmith e outras, o Cinderella também trazia uma dupla de respeito, representado por Tom Keifer & Jeff LaBar que combinavam tanto quanto queijo com goiabada e o resultado desta união foram discos relevantes lançados nos anos seguintes.

Algumas observações acerca de “Long Cold Winter”:

* O single”Gypsy Road”, alcançou a 20a posição da Mainstream Rock USA e 51a posição da Billboard Hot 100 Americana.

*”Don’t Know What You Got (Till It’s Gone)” alcançou a 68a posição do Canada Top Singles, 54a posição da UK Singles, 10a posição da US Billboard Album Rock Tracks, 12a posição da US Billboard Hot 100 e 12a posição da Cash Box.

* “The Last Mine”, alcançou a 36a posição da US Billboard Hot 100 e a 18a posição da US Mainstream Rock Chart.

* “Coming Home” atingiu a 20a posição da Billboard Hot 100 e a 20a posição da Mainstream Rock Songs.

* Em 2010 “Long Cold Winter” ganha relançamento. Na nova edição, o disco contou com 04 faixas “Ao vivo”.

Sobre Jeff LaBar:

Integrou o Cinderella em 1985 ao substituir o guitarrista Michael Schermick.

* Paralelelamente, integrou a banda Naked & Beggars junto ao guitarrista e parceiro no Cinderella, Eric Brittingham e em 2014 lançou “One For The Road”, primeiro álbum solo da carreira onde também atuou como vocalista.

* No último dia 14 de julho, LaBar foi encontrado morto em seu apartamento em Nashville, Tennessee. O músico tinha 58 anos.

N do R: Jeff LaBar, foi sem dúvidas um excelente guitarrista numa lista imensa de nomes do Hard Rock e seus trabalhos no Cinderella, comprovam isso.

Responsável por solos excelentes e mostrando que além do Rock se dava muito bem em outros estilos como Blues e Country, o músico formou ao lado de Tom Keifer mais uma daquelas duplas imbatíveis e indispensáveis quando o assunto era composições.

O sucesso ao lado do Cinderella não foi por acaso e em seus quatro discos oficialmente lançados, a banda vendeu milhões de cópias, tocaram ao lado de grandes nomes do Hard/Heavy mundial e indiscutivelmente foram uma das bandas responsáveis por alavancar as programações da MTV com seus clipes divertidos e festeiros, seguindo o exemplo de nomes como Kiss, Poison, Motley Crue e tantos outros.

Onde quer que esteja, LaBar certamente fará barulho agora com uma guitarra imaginária e certamente saberá que sua passagem por este plano não foi em vão.

  • Faixas:
  • 1.Bad Seamstress Blues / Fallin’ Apart at The Seams
  • 2.Gypsy Road
  • 3.Don’t Know What You Got (Till It’s Gone)
  • 4.The Last Mile
  • 5.Second Wind
  • 6.Long Cold Winter
  • 7.If You Don’t Like It
  • 8.Coming Home
  • 9.Fire and Ice
  • 10.Take Me Back
  • Integrantes:
  • Tom Keifer (vocal/guitarra)
  • Jeff LaBar (guitarra) (R.I.P)
  • Eric Brittingham(baixo)
  • Fred Coury(bateria)
  • Redigido por: Geovani Vieira

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