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Resenha (Indicação BR Especial): Criminal Brain – “Killing Joke” (2017)

Quando dizemos que o Brasil é um excelente berço de bandas incríveis, definitivamente não estamos brincando.

A quantidade de grupos vindos dos quatro cantos do país é algo que ainda impressiona. Infelizmente não temos uma cena que ajude esses grupos a divulgarem seus trabalhos a se manterem de sua música, já que a qualidade musical e a competência dessas bandas (e músicos) é algo que nem cabe discussão.

   

É fato que a internet, através de suas plataformas digitais, ajudam um pouco, e de certa forma temos uma porta de entrada para grupos e músicos com trabalhos lançados. Porém, é fato também que com um pouco mais de ajuda, principalmente, do público que consome música, as coisas tomariam outro rumo.

No entanto, este público ficou condicionado a ouvir sempre mais do mesmo e quando se fala em bandas brasileiras entram na lista apenas meia dúzia de “queridinhas” e/ou as mesmas figurinhas carimbadas de sempre.

Muitas vezes, os trabalhos recentes dessas bandas consagradas soam irrelevantes e musicalmente falando, aquém de alguns discos de grupos ainda desconhecidos.

Nadando contra a maré e seguindo por um caminho totalmente adverso, estão os cariocas do Criminal Brain, quinteto que lançou em 2017 o espetacular “Killing Joke”, um dos melhores e mais importantes trabalhos de Death/Thrash Metal, lançados na ocasião.

Oriundo de Petrópolis (RJ) e formado em 2014, o grupo traz em seu line up: Daniel Dante (vocais) Luciano Marrom (guitarras), Pablo Vieira (guitarras), Marcelo Boneco (baixo) e Alex Melo (bateria), os responsáveis por um trabalho coeso, conciso, pesado, agressivo e absolutamente honesto.

Antes de começar a “dissecar” as poucas faixas (apenas cinco) desta maravilha sonora, fica a pergunta: Gosta de banda como Slayer, Exodus, Pantera, Death, Entombed, Carcass, Benediction, Soilwork, In Flames (antigo), Fractal Gates, Grave, Massacre, Cannibal Corpse, etc… ? Se sua resposta for um sonoro sim, então seja bem vindo, prepare seus ouvidos, mergulhe de cabeça nas melodias agressivas de “Killing Joke” e seja uma vítima da violência sonora do quinteto. Vamos nessa?

As boas vindas ficam por conta de “Killing Joke”, faixa homônima que batiza o disco e apresenta em pouco mais de três minutos de duração uma dose cavalar de riffs grandiosos, daqueles que parecem navalha cortando a carne.

Em suas melodias, a música flerta com a sonoridade do chamado Melodic Thrash Metal, lembrando também as bandas do chamado Gothenburg Sound, onde os destaques são os os vocais de Daniel, lembrando Sebastien Pierre da banda francesa Fractal Gates. Destaques também para os riffs espetaculares despejados pelas guitarras da dupla Luciano & Pablo, numa faixa cheia de peso e agressividade.

Como é costume dizer: Excelente faixa de abertura (e que solo lindo).

Seguindo numa linha mais voltada ao Death Metal, “Nothing Can Save Us” é mais um exemplo de agressividade sonora. Como um chute no estômago, mergulhamos nas harmonias pesadas e insanas, em um momento que nos remete aos excelentes “Imperial Doom” (Monstrosity), “Leprosy” (Death), “From Beyond” (Massacre), “Altars Of Madness (Morbid Angel), “Left Hand Path” (Entombed) e demais obras primas do Death Metal Mundial. Destaques para as linhas pesadas de contrabaixo de Marcelo (Boneco) e pros vocais destruidores de Daniel (Dante), lembrando em alguns momentos Piotr Paweł Wiwczarek (Vader).

Abram alas para a toda poderosa “Victim”, talvez a música mais irada e insana do CD. Temos aqui uma composição perfeita mostrando que o quinteto sabe muito bem traçar um equilíbrio entre o Heavy, o Thrash e o Death Metal. Ousaria dizer que em suas partes mais cadenciadas a banda flerta claramente com o Doom Metal.

Traçando um comparativo com os vocais de Daniel, podemos afirmar sem medo de errar que há algo de Dave Ingram (Benediction), fase “Subconscious Terror”, “The Grand Leveller” e “Transcend The Rubicon”.

Mais uma vez, é preciso tirar o chapéu para os trabalhos espetaculares de guitarras e os vocais destruidores em mais um momento grandioso do EP.

* Vale destacar a versão “live” desta faixa, onde o quinteto simplesmente decreta o caos de forma destruidora, mostrando que longe do estúdio, a destruição sonora também impera.

A união do Thrash com o Groove Metal e o Brutal Death Metal resultou na excelente “Criminal Brain”, composição que traça linhas suaves em seu início, descambando pra pancadaria em mais um momento grandioso onde o quinteto passeia por sonoridades distintas, sem perder o “fio da meada”.

Ouvindo atentamente suas harmonias, nos deparamos com linhas groovadas, daquelas executadas pelos americanos do Pantera nos discos “Far Beyond Driven” e “The Great Southern Trendkill”. A propósito, em dado momento, as linhas de vozes de Dan (Daniel) mostram uma certa influência de Philip Anselmo. Destaques para a bateria em forma de rolo compressor, esmagando com louvor o que ainda resta de nossos pobres tímpanos.

Fechando o disco em altíssimo nível, temos “Mortal Sins”, uma das composições mais insanas e destruidoras de todo o CD. Com seu início beirando o Black Metal, a música apresenta harmonias carregadas de peso, riffs grandiosos, linhas ultra pesadas de contra baixo, bateria destruindo tudo à sua frente e os vocais mais uma vez sendo os responsáveis pela explosão de nossas cabeças.

Após a última estrofe, a impressão é que fomos atacados de forma violenta com uma paulada na nuca e não sabemos quem foi o responsável por tal golpe. Ainda falando de suas harmonias, a música apresenta melodias que remetem o ouvinte à melodias de grupos como: Krisiun da fase “The Great Execution”, Cannibal Corpse, Aborted, Bolt Thrower, Nile da fase atual, Unleashed em sua fase “The Hunt For White Christ” e o já citado Morbid Angel, em sua fase áurea.

   

Em resumo: “Killing Joke” é acima de tudo um trabalho de excelente qualidade musical, conduzido por uma banda que traz em sua formação músicos competentes e exímios em suas respectivas funções.

Dois pontos importantes a serem mencionados:

*A produção primorosa da dupla Celo de Oliveira e Gus Monsanto, responsáveis por entregar um trabalho musical de excelente qualidade.

*A arte da capa, que apesar de simples, consegue passar pro ouvinte a sensação de que algo “violento e perigoso” está escondido por trás da porta.

Bandas como Criminal Brain e trabalhos honestos como “Killing Joke” são grandes exemplos de que o cenário musical em nosso país é muito mais prolífero do que se imagina. A impressão de que temos apenas três ou quatro bandas como “representantes” da cena é um grande equívoco, já que inúmeras bandas divulgam e disponibilizam (gratuitamente) seus trabalhos. Basta estar atento e ter o devido interesse.

É preciso abrir o leque de oportunidades para “novos nomes”, saindo um pouco do mundo fechado em que algumas pessoas vivem. Mais que isso, é preciso prestigiar e divulgar trabalhos de bandas sem fazer as temidas (e desnecessárias) comparações, já que um grupo iniciante sem o devido apoio não terá nenhuma chance contra aqueles que possuem uma estrutura maior.

Infelizmente por conta da pandemia da Covid-19 que assola o mundo, tivemos que planejar para o futuro os planos do presente. Isso também aconteceu com os meninos do Criminal Brain, porém, é certo que em 2022 a história pode mudar e um novo capítulo dessa história que só está começando seja escrito.

Que os novos planos sejam de um full lenght matador e tão destruidor quanto o estupendo “Killing Joke”.

Nós, fãs de música pesada e feita com qualidade, esperamos ansiosamente.

Mais sobre a banda:

Facebook: facebook.com/criminalbrainofficial

Instagram: @criminalbrainofficial

Youtube (Canal): https://tinyurl.com/criminalbrainofficial

Faixas:

01.Killing Joke

02.Nothing Can Save Us

03.Victim

04.Criminal Brain

05.Mortal Sins

Formação:

   

Daniel Dante (vocal)

Luciano Marrom (guitarra)

Pablo Vieira (guitarra)

Marcelo Boneco (baixo)

Alex Melo (bateria)

Redigido por: Geovani Vieira

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