Homenagem de Gastão à Ozzy é retirada do ar: criação de conteúdo x direitos autorais

Ao mesmo tempo em que plataformas como Youtube tem promovido uma verdadeira revolução na forma como consumimos conteúdo em vídeo, há bastante tempo o jornalismo musical está sendo prejudicado pela atual política de direitos autorais vigente.

Concordamos que utilizar conteúdo protegido por direitos autorais para monetizar é algo que não deve ser permitido, mas acontece um inegável exagero que praticamente impede que criadores de conteúdo gerem vídeos interessantes para sua audiência. Não há qualquer cuidado ou distinção e um jornalista acaba sendo tratado como se fosse um usurpador de direitos.

Homenagem a Ozzy foi retirada do ar

No caso do jornalista Gastão Moreira, do canal Kazagastão, foi ainda pior, porém, isto não é uma novidade para quem cria conteúdo no Youtube. Veja bem, Gastão não publicou um trabalho completo feito por terceiros. Sua intenção não era monetizar em cima da obra musical ou visual de ninguém. Ele utilizou um pequeno trecho de um documentário para ilustrar uma parte de um de seus programas mais aclamados do canal: o Heavy Lero.

A homenagem do Kazagastão para Ozzy Osbourne, após 5 dias entre gravação e edição do conteúdo, recebeu bloqueio do Youtube. O vídeo de 47 minutos não se encontra mais no ar por conta de um trecho com cerca de 1 minuto de duração que exibia pequenas partes de um documentário sobre o Madman.

Evidentemente, colocar este trecho não tinha intenção de desrespeitar qualquer política de direitos autorais. Era apenas um meio de ilustrar um conteúdo absolutamente novo, com opiniões pessoais, abordagem própria e uma visão particular sobre o artista.

Criação de conteúdo x Direitos autorais

Gastão resolveu se pronunciar e mandar um recado às produtoras, gravadoras e editoras. Estas, através de ações predatórias injustificáveis, retiram conteúdos originais do ar por conta de alguns segundos de um trecho de música ou vídeo protegido.

É um assunto delicado, mas a discussão é inevitável. Quando pensamos em Rock e Heavy Metal, nos referimos a um estilo musical totalmente voltado para a imagem e ao som. Falar sobre artistas e bandas sem poder mostrar um vislumbre sequer da obra é simplesmente dificultar o acesso do fã à obra.

Gostaríamos muito de poder fazer resenhas detalhadas em vídeo, onde destacaríamos um riff mágico e pudéssemos colocar aquele pequeno trecho com o riff sendo executado para exemplificar o que falamos. Mas é difícil trabalhar em prol de um gênero em que a própria divulgação dos artistas, feita de maneira gratuita pelo criador de conteúdo, se transforma em violação de direitos autorais.

Vejam a manifestação de Gastão Moreira e deixe a sua opinião no espaço dedicado aos comentários:

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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