Headhunter D.C. supera todas as adversidades e ressurge de forma triunfante no destruidor “Rise Of The Damned…”

O dia 06/06/2026, que não foi escolhido por acaso (se você separar cada 6 daí terá 666), marcou o fim de um longo hiato da música extrema: com “Rise Of The Damned…” (2026), o Headhunter D.C. não apenas voltou a lançar um disco completo de inéditas, como também ressurgiu de forma triunfante.

Em meio as muitas batalhas diárias típicas de uma banda do underground, os quatorze anos que separam os dois últimos lançamentos do veterano grupo baiano foram marcados também por dois momentos dolorosos: o falecimento da irmã do vocalista Sérgio “Nekrobaloff666” Borges em 2016, que dedicou o disco em sua memória, e a saída em 2017 do guitarrista e membro fundador Paulo Lisboa. Ainda assim, o Headhunter D.C. seguia em frente, contra tudo e contra todos, lançando três discos ao vivo, dois splits e ainda um disco tributo a aqueles que inspiraram sua carreira.

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O lançamento de “Rise Of The Damned…” (2026), portanto, é mais do que o lançamento de um novo disco – o que por si só não é pouca coisa. Ele simboliza aquele grito de vitória que vem lá do fundo da alma ao final de uma longa e intensa luta.

“Começando pelo começo”, a capa: digo sem medo de que ela já tem lugar como das mais impactantes do metal e que sintetiza, a meu ver, não só a ideologia da banda, mas também todo esse árduo processo descrito acima: ao fim de tudo, a vitória! Marcus Miller fez um trabalho perfeito. Há ainda o layout do disco que foi assinado por outra fera, Alcides Burn.

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Quanto ao som, considerando se tratar da discografia de uma banda que tem “…In Unholy Mourning…” (2012), marco do death metal nacional, eu não esperava nada menos do que outro bom disco, mas “Rise Of The Damned…” (2026) vai mais longe: é um destruidor disco de death metal. Seus 41 minutos estão saturados com aquela conhecida brutalidade que o grupo nunca abriu mão, acompanhada por um clima angustiante, quase tétrico.

Aqui eu vou precisar abrir um parágrafo especial para Sérgio “Nekrobaloff666” Borges. Mais uma vez assumindo o papel de “faz tudo” da banda, ele produziu, escreveu todas as letras e criou quase todas as músicas sozinho. Sérgio vive o metal da morte 24 horas por dia, 7 dias da semana. É uma das pessoas mais profissionais que encontrei no meio, sempre pronto e disposto a divulgar e manter vivo o legado do quarentão Headhunter D.C. Essa vitória, mais do que de ninguém, é sua, meu caro.

Gravado, mixado e masterizado no Estúdio do Beco, em Salvador, esse é o trabalho mais bem produzido da banda até aqui: uma produção limpa e que foi capaz de preservar a bestialidade sonora do grupo. Todos os envolvidos mandaram bem, dos raivosos vocais guturais de Sérgio “Nekrobaloff666” Borges, as paletadas arrepiantes de Danilo “D. Morbidus” Coimbra (que também gravou o baixo, agora assumido por Héracles “Demigod” Cardoso) e das metrancas, verdadeiras surras sem dó impostas pelo baterista Daniel Brandão (que participou como músico de estúdio, o posto agora é ocupado por Juan “Death Ax” Machado).

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“No Salvation From Above”, com Fábio “Nosferatus” (Nosferatus, ex-Headhunter D.C), dá uma modernizada nas raízes da banda; “Burn The Book Of Lies”, que contou com Paulo Lisboa, responsável por uns fraseados de guitarra muito bons que deram uma cara toda especial a faixa; “The Dysangelist” tem uma aura sinistra sendo seguida logo depois pela porradaria desenfreada de “One Thousand Apocalypses”; “Praeludium ad Ascensionem Haereticorum”, faixa instrumental também com Paulo Lisboa, cairá muito bem na abertura dos shows do grupo daqui pra frente e “Rise Of The Damned”, com Jafet Amoêdo (Malefactor), é meu outro destaque desse disco excepcional.

“Rise Of The Damned…” (2026) foi lançado pela Mutilation Records em dois formatos: CD slipcase e digipack, adesivo de brinde e pôster dupla face 36×36 cm que contém, de um lado foto da banda e dados técnicos e do outro, essa capa maravilhosa podendo se transformar em um quadro matador.

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Não há mais escapatória, o culto da morte está de volta, protejam suas cabeças!

Formação:

Sérgio “Nekrobaloff666” Borges: vocais

Danilo “D. Morbidus” Coimbra: guitarra, baixo

Daniel Brandão: bateria

Faixas:

01 …40 Years’ Deathmarch (intro)

02 Unblessed By The Unsacred

03 No Salvation From Above feat. Fábio “Nosferatus”

04 Burn The Book Of Lies feat. Paulo Lisboa

05 Gospel Of Doom

06 The Dysangelist

07 One Thousand Apocalypses

08 Praeludium ad Ascensionem Haereticorum (instrumental) feat. Paulo Lisboa

09 Rise Of The Damned feat. Jafet Amoêdo

10 Possessed, Obsessed

11 In Death Metal We Trust

Nota: 9

Mário Pescada
Mineiro, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (202) e vol. 2 (202), lançados pela Editora Denfire.
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