Green Lung transforma Londres em cidade dos mortos em “Necropolitan”

O Green Lung lançou nesta sexta-feira seu quarto álbum, “Necropolitan”, pela Nuclear Blast Records. Desta vez, a banda inglesa praticamente transforma Londres em personagem principal do disco, explorando cemitérios, ocultismo, ferrovias funerárias, rádios piratas e histórias enterradas sob a cidade moderna.
A escolha combina perfeitamente com um grupo que sempre utilizou folclore, paganismo e horror britânico como matéria-prima.
Mas musicalmente existe uma diferença importante. Para “Necropolitan”, o Green Lung decidiu retirar camadas em vez de acrescentá-las.
Menos estúdio, mais banda tocando
As gravações aconteceram em janeiro, no lendário Rockfield Studios, no País de Gales, com Tom Dalgety, conhecido por trabalhos com Ghost e Opeth, responsável tanto pela gravação, assim como pela mixagem.
O objetivo era aproximar o resultado da força que o grupo entrega ao vivo. Boa parte do material é o registro dos músicos tocando juntos, reduzindo os arranjos excessivamente empilhados e colocando guitarras, órgão Hammond e Mellotron em primeiro plano.
A escolha também tem valor simbólico: Rockfield recebeu ao longo de sua história nomes como Black Sabbath, Queen e Judas Priest, três referências importantes para o universo musical do Green Lung.

Uma ferrovia que transportava mortos
Entre as nove músicas está “Necropolitan Line”, inspirada na London Necropolis Railway. Durante o século XIX, a ferrovia transportava cadáveres e familiares enlutados de Londres até o enorme cemitério de Brookwood. Portanto, o local foi criado quando os cemitérios da capital começaram a enfrentar problemas de superlotação.
É exatamente o tipo de história que parece ter sido inventada especificamente para uma música do Green Lung — mas aconteceu de verdade.
Já “Black Magick Radio” utiliza as rádios piratas britânicas como ponto de partida, mas as transforma em algo sobrenatural. Enquanto isso, “Evil In This House” foi concebida quase como se uma banda de Stoner Metal estivesse realizando uma investigação paranormal em uma casa mal-assombrada.
O álbum também passa por “Dance To The Grave”, “Together In Death”, “Ozymandias”, “Alostrael (Be My Babalon)” e “To The Gallows Born”.

Entre Sabbath e uma identidade cada vez mais própria
A influência de Black Sabbath continua impossível de esconder — e o Green Lung nunca tentou escondê-la.
A diferença é que, após Woodland Rites, Black Harvest e This Heathen Land, a banda já construiu vocabulário suficiente para que riffs sabbathianos convivam naturalmente com Prog, Psicodelia, Hard Rock, teclados setentistas e uma obsessão bastante particular pela história britânica.
O Mundo Metal revisitou recentemente “Woodland Rites”, estreia de 2019. Dessa forma, “Necropolitan” mostra onde aquela proposta chegou sete anos depois. Menos preocupação em parecer gigantesco através de dezenas de camadas e mais confiança em cinco músicos tocando pesado dentro de uma sala.
