Graufar une fúria, melodias épicas e atmosfera envolvente em “Via Necropolis”

Os austríacos do Graufar apresentaram em 2026 seu segundo álbum de estúdio, Via Necropolis, trabalho que mostra uma banda disposta a explorar diferentes possibilidades dentro do Metal extremo. Lançado em 20 de março, o disco sucede Scordalus, de 2024, e reúne sete faixas em pouco mais de 41 minutos.

Formado em Linz, na Áustria, o grupo conta atualmente com Gernot G. nos vocais principais e guitarra, Mike H. nos guturais e guitarra, Thomas B. no baixo e backing vocals e René H. na bateria. O próprio Graufar define sua sonoridade como uma simbiose entre Black Metal e Death Metal, acrescida de elementos melódicos bem destacados.

Essa descrição, entretanto, explica apenas parcialmente o que acontece em Via Necropolis. O álbum é bastante criativo e alterna momentos de pura fúria, nos quais ataques de Black Metal conduzem a audição, com trechos completos em que riffs, melodias e passagens instrumentais de caráter épico ganham espaço.

Um álbum que sabe construir atmosferas

Outro dos grandes méritos de Via Necropolis está justamente nas ambientações. Ouvido em bons fones ou em um sistema de som capaz de reproduzir adequadamente suas camadas, o álbum consegue envolver o ouvinte e criar a sensação de estar sendo conduzido para dentro das músicas.

O tracklist é enxuto, com apenas sete composições, mas isso não significa que o quarteto esteja com pressa. Pelo contrário: várias faixas ultrapassam os cinco minutos, enquanto “Foltertrog” chega aos oito minutos e meio. As músicas recebem espaço suficiente para desenvolver ideias, mudanças de andamento e atmosferas sem parecer artificialmente prolongadas.

Entre os momentos mais agressivos está “Blizzard & Blaze”, que abre o disco com uma atmosfera bárbara e malevolente, remetendo diretamente à velha escola do Black Metal, mas sem transformar a banda em mera reprodução de referências do passado.

“Charon”, por sua vez, intercala passagens extremamente rápidas com momentos em que a técnica e a construção instrumental assumem maior protagonismo. Já “Buried In Flames” vai direto ao ponto: veloz, gélida e primitiva em espírito, mas ainda suficientemente particular para deixar claro que o grupo pretende trabalhar dentro do estilo sem abandonar suas próprias convicções.

Muito além da agressividade

É quando músicas como “Heralds Of Doom”, “Via Necropolis”, “On Your Knees” e “Foltertrog” entram em cena, porém, que o álbum começa a diferenciar o Graufar de muitas bandas que tentam explorar uma proposta semelhante.

Nessas composições, melodias, riffs, mudanças de dinâmica e passagens épicas ampliam consideravelmente o alcance do trabalho. Não são músicas construídas apenas sobre velocidade ou brutalidade. Há preocupação em desenvolver ideias e criar climas que permanecem mesmo depois que as faixas terminam.

“Via Necropolis”, especialmente, funciona muito bem como peça central do disco. Sua temática gira em torno de uma cidade dos mortos onde diferenças sociais, títulos e posições ocupadas em vida deixam de ter importância. As letras do álbum transitam entre críticas sociais, aspectos sombrios da natureza humana, transitoriedade e morte.

O resultado é um disco que consegue soar perverso sem depender exclusivamente da brutalidade. As composições são verdadeiras pérolas exalando perversidade e morbidez, justamente porque encontram caminhos diferentes para alcançar esse objetivo.

Produção favorece os detalhes

Os instrumentos de Via Necropolis foram registrados por Gernot G. em 2025. Norbert Leitner ficou responsável pelo design de som, gravação dos vocais, reamping, mixagem e masterização, enquanto Verena Lindlbauer assinou a arte do álbum.

A produção ajuda bastante na proposta do disco. Mesmo durante os ataques mais intensos, guitarras, baixo e bateria permanecem distinguíveis, enquanto as partes atmosféricas ganham profundidade suficiente para não funcionar apenas como pequenas pontes entre momentos violentos.

O contraste entre os gritos típicos do Black Metal e vocais guturais mais profundos também reforça a identidade do material. Em vez de transformar Via Necropolis em uma sequência uniforme de músicas, o Graufar utiliza essas mudanças para criar variações sem quebrar a unidade do tracklist.

Via Necropolis prova que quantidade pouco importa quando as composições recebem tempo e espaço para amadurecer. O disco é agressivo quando precisa ser, épico quando encontra espaço para isso e, principalmente, atmosférico o suficiente para construir um universo próprio.

Confira abaixo a arte de capa e o tracklist de “Via Necropolis”:

  • 01 “Blizzard & Blaze”
  • 02 “Heralds Of Doom”
  • 03 “Charon”
  • 04 “Via Necropolis”
  • 05 “Buried In Flames”
  • 06 “On Your Knees”
  • 07 “Foltertrog”
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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