Godthrymm: de promessa do Doom britânico a um dos nomes mais relevantes da nova geração

Quando o Godthrymm lançou “Distortions” em 2023, ficou evidente que o grupo estava destinado a ocupar um espaço de destaque entre os grandes representantes do Doom Metal contemporâneo. O álbum figurou entre os melhores do ano na tradicional lista do Mundo Metal, consolidando uma trajetória que já havia começado de forma bastante promissora com “Reflections” (2020).
Agora, em 2026, a banda britânica volta a chamar atenção com “Projections”, terceiro capítulo da chamada trilogia Visions. O disco vem sendo apontado por diversos veículos especializados como o trabalho mais ambicioso do grupo até o momento. Ele inclusive motivou uma extensa entrevista de Hamish Glencross ao Blabbermouth. Nela o músico falou sobre a evolução artística da banda, o encerramento da trilogia e os planos para o futuro.
O Godthrymm surgiu em 2017 pelas mãos do guitarrista e vocalista Hamish Glencross, conhecido principalmente por sua longa passagem pelo My Dying Bride, além de trabalhos com Vallenfyre e Solstice. Ao seu lado estava outro veterano da cena britânica, o baterista Shaun Taylor-Steels, que também passou por My Dying Bride e Anathema.
Desde o início, a proposta nunca foi simplesmente reviver o Doom inglês dos anos 1990. A intenção era utilizar toda essa herança musical como ponto de partida para desenvolver uma identidade própria, mas marcada por riffs monumentais, melodias melancólicas e uma atmosfera épica, enriquecida pelos teclados e vocais de Catherine Glencross.
Após o EP “A Grand Reclamation” (2018), a banda rapidamente evoluiu para uma das maiores revelações do estilo, conquistando reconhecimento crescente a cada lançamento.
“Distortions” abriu definitivamente as portas
Embora “Reflections” tenha apresentado o potencial do projeto, foi com “Distortions” que o Godthrymm alcançou um novo patamar.
O álbum trouxe composições mais elaboradas, produção significativamente superior e uma sonoridade capaz de equilibrar o peso tradicional do Doom britânico com momentos mais atmosféricos e emocionais. O resultado foi uma obra que apareceu em diversas listas de melhores de 2023, incluindo a do Mundo Metal, consolidando o grupo entre os nomes mais promissores da nova geração do estilo.
Lançado pela Profound Lore Records, “Projections” foi concebido como a conclusão da trilogia iniciada seis anos antes.
Na entrevista ao Blabbermouth, Hamish Glencross fez questão de esclarecer que o encerramento desse ciclo não significa o encerramento da banda.
“Embora tenhamos dito que este é o capítulo final de uma trilogia, estamos longe de terminar. Nosso amor por essa música é imenso e ainda há muito a ser explorado enquanto seguimos nossa jornada.”
Segundo o músico, o objetivo principal durante a composição foi superar tudo o que havia sido realizado anteriormente.
“Nosso objetivo era superar sonora e artisticamente tudo o que fizemos até aqui, e acredito que conseguimos.”
Ao revisitar o álbum de estreia, ele admite que se surpreendeu.
“Eu o enxergava como um trabalho ainda bastante primitivo, mas percebi que havia muita energia e paixão ali. Além disso, aquela produção mais crua acrescentava intensidade ao disco.”
Mesmo reconhecendo uma identidade comum entre os três registros, Glencross destaca que a banda jamais pretende repetir fórmulas.
“Respeitamos nossas raízes e somos fiéis à nossa paixão, mas não acreditamos em repetição.”
“Projections” é um disco marcado por perdas pessoais
Além da evolução musical, “Projections” carrega um forte componente emocional.
Durante o processo de composição, o baixista Bob Crolla enfrentou a batalha de sua esposa contra o câncer, que infelizmente acabou falecendo. Assim, parte significativa das letras nasceu justamente dessa experiência, e o álbum acabou sendo dedicado à sua memória.
Segundo Hamish, mesmo diante da tragédia, o companheiro demonstrou enorme força durante todo o processo.
“Bob escreveu letras maravilhosas que refletem toda essa jornada. Este álbum possui reflexos muito reais de amor e tragédia. Ele foi uma inspiração durante todo esse desafio. A esperança realmente é eterna.”
O futuro parece ainda mais promissor
Poucas bandas conseguem evoluir de maneira tão consistente em apenas três álbuns.
O Godthrymm encontrou um raro equilíbrio entre tradição e renovação, mantendo viva a essência do Doom Metal britânico sem soar preso ao passado. A combinação entre músicos experientes, composições cada vez mais refinadas e uma abordagem emocional extremamente sincera faz com que o grupo seja visto por muitos como um dos principais responsáveis por manter acesa a chama da escola britânica do gênero.
Se “Distortions” já havia colocado o nome da banda no radar dos fãs mais atentos, “Projections” parece confirmar definitivamente que o Godthrymm deixou de ser apenas uma promessa para se transformar em uma das maiores referências do Doom Metal atual.