Gene Simmons sobre a polarização política: “As pessoas dos dois lados foram para o extremo”

Gene Simmons pelo canal do YouTube: "Bill O'Reilly"

O baixista e vocalista do Kiss, Gene Simmons, participou do programa “We’ll Do It LIVE”, comandado pelo comentarista Bill O’Reilly, e refletiu sobre a crescente polarização política nos Estados Unidos. Assim, durante a conversa, o músico defendeu o respeito ao resultado das eleições, criticou a radicalização dos dois lados do espectro político e explicou por que prefere manter uma postura independente.

Gene Simmons defende liberdade de escolha e respeito à decisão das urnas

Logo no início da entrevista, Bill O’Reilly abordou a divisão política que marca a sociedade norte-americana. Em resposta, Gene Simmons afirmou que qualquer cidadão tem o direito de discordar do presidente, mas ressaltou que todos também precisam respeitar a decisão das urnas.

“Você pode discutir e até odiar Donald Trump, e tem todo o direito de fazer isso. Mas precisa reconhecer que ‘do povo, pelo povo e para o povo’ significa que o povo falou. Ele venceu a eleição por milhões de votos e também no Colégio Eleitoral. Fim da história. Se você não gostou, espere até a próxima eleição e vote de acordo com a sua consciência.”

Na sequência, Gene Simmons comparou o cenário atual com a época em que cresceu e lamentou que as preferências políticas tenham invadido as conversas do dia a dia.

“Quando eu estava crescendo, ninguém jamais me perguntava: ‘Em quem você votou?’. Como assim ‘em quem você votou’? Quem é você? E o que isso tem a ver com você? Existia uma cortina. Você entrava atrás dela porque isso não era da conta de ninguém. Você votava de acordo com a sua consciência. Deixe a política de lado quando estivermos sentados à mesa compartilhando uma refeição.”

Bill O’Reilly (à esquerda) e Gene Simmons (à direita) durante programa “We’ll Do It LIVE!”

O músico também explicou que consegue conviver normalmente com pessoas que defendem ideias completamente diferentes das suas.

“Eu consigo compartilhar uma refeição com qualquer pessoa, exceto nazistas, mesmo que ela discorde completamente de mim. Guarde seus sentimentos para você. O seu poder está na cabine de votação.”

Gene responde sobre pensamento predominante na indústria musical.

Em outro momento, Bill O’Reilly perguntou se a visão crítica de Bruce Springsteen sobre Donald Trump representa o pensamento predominante na indústria musical. Gene Simmons respondeu de forma direta:

“Ah, sim. Entre os artistas, não entre o público.”

Na sequência, o apresentador sugeriu que empresários e agentes incentivam artistas a adotar determinadas posições políticas. Gene Simmons disse que não tem certeza se isso realmente acontece, mas reconheceu que percebe uma forte inclinação política em determinados ambientes.

“Não tenho certeza se isso é correto, mas posso dizer que esse é o cenário que percebo. Da mesma forma que a Califórnia é um estado majoritariamente democrata e, nas grandes cidades, predominam democratas progressistas mais à esquerda. Na disputa interna atual do Partido Democrata existem duas pessoas em quem eu não votaria nem se me pagassem. Bem… se me pagassem o suficiente, talvez eu pensasse no assunto… Acho que Steve Hilton deveria ser o próximo governador.”

Apesar dessas observações, Gene Simmons reforçou que não segue nenhuma corrente política específica e explicou que prefere analisar cada tema individualmente.

“Eu não sou preso a nenhum ponto de vista político. Eu me preocupo com questões específicas. Por isso tenho amigos de todos os lados. Faço negócios com todos os tipos de pessoas. Se eu só negociasse com republicanos ou algo assim, isso não faria sentido financeiramente, porque pessoas de todas as posições políticas fazem negócios. Nos negócios, o importante não é sua visão política, mas se nós dois conseguimos construir uma relação em que todos saem ganhando.”

O músico também afirmou que considera natural a alternância de forças políticas ao longo do tempo.

“Isso vai mudar. O pêndulo sempre oscila. Não há dúvida. Às vezes a extrema esquerda ganha força e o pêndulo vai para um lado; em outras ocasiões, os republicanos chegam ao governo. Por isso as leis continuam mudando de um estado para outro.”

Em seguida, Simmons explicou que enxerga o extremismo como o principal problema da política atual.

“Acredito que as pessoas dos dois lados foram para o extremo. É como se dissessem: ‘O meu partido afirma que este é o único caminho. Se você não seguir exatamente isso…’. Por esse motivo, sou muito mais um pensador livre e fico mais próximo do centro. Em determinados assuntos, concordo com um partido; em outros, concordo com o outro. Sou um defensor convicto de que o muro na fronteira com o México deve ser construído. Com certeza. O papa anterior era um homem bom, eu o respeitava, mas ele dizia que era desumano haver um muro entre o México e os Estados Unidos. Só que o Vaticano possui um enorme muro ao seu redor exatamente pelo mesmo motivo que nós deveríamos ter o nosso: segurança de fronteira. Você precisa saber quem está entrando no seu país. Isso não significa impedir a entrada das pessoas. Elas devem entrar pelo sistema legal.”

Gene Simmons, durante o programa “We’ll Do It LIVE!”, critica extremismo dos dois lados

Gene afirma que sua postura já o prejudicou em vários momentos

Mais adiante, Bill O’Reilly perguntou se essa postura independente já prejudicou sua carreira. Gene respondeu sem hesitar:

“Sim. Existe uma coisa chamada cultura do cancelamento.”

O músico acrescentou que nunca acreditou que duas pessoas precisem concordar em tudo para manter uma boa relação.

“Eu nem sempre concordei com a minha mãe, e daria a minha vida por ela. Essa ideia de que você precisa concordar sempre com alguém é uma loucura. Às vezes as pessoas estão erradas… pelo menos para você.”

Por fim, Bill O’Reilly pediu exemplos de situações em que essas opiniões custaram oportunidades profissionais. Gene revelou que perdeu alguns compromissos depois de defender respeito ao cargo de presidente dos Estados Unidos.

“Houve duas ou três apresentações que perdi porque alguém me perguntou durante entrevistas: ‘O que você acha do presidente?’. Eu respondi: ‘Não vejo problema nenhum em ele entregar as honrarias do Kennedy Center. Ele é o presidente dos Estados Unidos e os eleitores o escolheram legalmente. Se você não gosta da pessoa, pelo menos respeite a instituição da Presidência.’ Essa ideia de ficar repetindo ‘Trump isso’, ‘Trump aquilo’… Não. É presidente Trump, assim como dizemos ‘doutor’. Posso não gostar do meu médico, mas ele continua sendo doutor. Esse não era um posicionamento popular.”

Na sequência, Bill O’Reilly perguntou se alguém o confrontou por causa dessas declarações. Simmons confirmou:

“Sim. Eu perdi essas duas ou três apresentações.”

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