Forbidden: “agora o Thrash tem um lar permanente porque a molecada continua redescobrindo o estilo”

O Thrash Metal passou por maus bocados na década de 90, mas como uma fênix, se reergueu no início dos anos 2000. Atualmente, o Metal não está mais na mídia mainstream, porém, se mantém vivo por conta de uma legião de seguidores apaixonados que seguem fazendo as engrenagens girarem.
O guitarrista do Forbidden, Craig Locicero, falou sobre o atual momento do gênero em uma nova entrevista ao Loud TV. Questionado como tem sido para ele seguir tocando Thrash Metal mesmo que a indústria musical tenha mudado consideravelmente nas últimas quatro décadas, Craig foi honesto:
“Bem, como se isso tivesse alguma importância para nós. Sim, isso nunca importou realmente para nós. Houve uma época no início dos anos 90 em que isso acabou com tudo. Acho que agora o Thrash tem um lar permanente porque a molecada continua redescobrindo o estilo. E isso também combina com a minha filosofia de como gravo música agora. Se você voltar e olhar para a história dos discos de Thrash, as pessoas querem ouvir as coisas antigas, e há uma razão para isso, porque não era muito perfeito, não era muito limpo, não era manipulado pelo digital. Tudo era tão natural. Então, com a forma como gravamos, mesmo gravando digitalmente, não consertamos tudo.
Criamos uma boa trilha de bateria, uma trilha rápida de guitarra, uma trilha rápida de baixo — bang, bang, bang, bang. E então, quando você faz coisas assim, o resultado é que as pessoas sentem que há mais energia vindo disso porque realmente tem — eu chamo de cabelo. Tem cabelo. Gosto de cabelo. Gosto de álbuns que soam perfeitos, gosto de discos de Metal realmente clínicos que supostamente são padrão da indústria, mas não acho que durem tanto no coração e na mente dos fãs. E isso vem sendo comprovado ao longo dos anos, porque as pessoas só querem voltar e ouvir coisas antigas. É preciso ter coragem para fazer isso, e estamos fazendo.
Outra coisa que fizemos também foi gravar tudo em Mi afinação padrão de guitarra — não o álbum inteiro, mas a maior parte é afinada como costumávamos afinar. E você provavelmente encontrará duas ou três bandas neste festival que estão afinadas assim. Você pode tocar Chuck Berry, Elvis Presley, Forbidden e o antigo Slayer. Todos nós costumávamos tocar em Mi. Se você não consegue compor coisas pesadas em Mi, então eu não sei o que te dizer.”
A indústria da música pesada parece estar em apuros nos Estados Unidos e, a menos que você for o Metallica, não estará em uma condição muito confortável. No decorrer dos últimos anos, tivemos uma série de músicos reclamando e relatando problemas sobre aumentos drásticos nos preços e custos para se fazer turnês.
Embora esta seja uma realidade, Craig não parece estar ligando muito para nada disso. Ele disse o seguinte:
“Sabe de uma coisa? Eu sou realista… E para mim, o que eu queria fazer era compor o melhor disco que pudéssemos compor. E é por isso que trouxemos Chewy do Voivd e Daniel Mongrain para a banda. É por isso que essa formação é tão boa, com Norman Skinner e todo mundo.
E eu sempre digo — tem uma coisa antiga de um filme, ‘O Campo dos Sonhos’: construa e eles virão. Então, se você construir algo bom o suficiente, se as pessoas quiserem, você encontrará uma maneira de fazer. Se você não pode se dar ao luxo de ir a todos os lugares e tocar, tudo bem também. Quer dizer, você não precisa — desculpe, Wichita, Kansas, mas eu não preciso tocar aí se não vai valer a pena… Se Custa muito caro chegar aí e você só paga uma quantia X, então não podemos tocar.
Então, essa é uma parte realista da máquina agora, e você tem que conviver com isso e seguir em frente. E as pessoas que realmente sofrem com essa ideia se cansam e simplesmente desistem. Eu não sou esse cara. Eu apenas me adapto. Eu me importo com a música e as apresentações que fazemos, e se não formos a todos os lugares, tudo bem para mim.”