Entenda o escândalo envolvendo cachês milionários para bandas desconhecidas no underground paulistano

Nos últimos dias, uma investigação publicada pelo portal Metrópoles lançou luz sobre um caso que rapidamente chamou a atenção não apenas pelo volume de recursos públicos envolvidos, mas também pelos nomes ligados à cena do rock paulistano. A reportagem, assinada pelo jornalista Demétrio Vecchioli, aponta que bandas cover praticamente desconhecidas do grande público receberam cachês milionários por meio de eventos financiados pela Prefeitura de São Paulo, levantando questionamentos sobre a destinação dos recursos e os critérios utilizados nas contratações.

Segundo o Metrópoles, quatro bandas teriam recebido, juntas, mais de R$ 2,3 milhões em cachês ao longo de aproximadamente 15 meses. A investigação detalha contratos, valores pagos por apresentações e a participação de diferentes agentes envolvidos na organização dos eventos, citando nominalmente produtores, gestores públicos, empresas e entidades ligadas ao circuito de festivais realizados na capital paulista.

Investigação do Metrópoles levanta questionamentos sobre eventos de rock em São Paulo

Entre os nomes mencionados pela reportagem está Fabrício Ravelli, conhecido na cena por organizar eventos voltados ao público do rock, como o Rock na Praça, além de outras iniciativas que, ao longo dos últimos anos, aproximaram sua atuação de projetos culturais realizados em parceria com o poder público. A investigação também menciona a Associação Consciência Cultural, entidade ligada a Ravelli, e descreve sua participação na realização de encontros e eventos voltados às bandas da cena paulistana.

É importante destacar que todas as informações apresentadas até este ponto têm como base a investigação publicada pelo Metrópoles. Os fatos seguem em apuração, e os envolvidos tiveram espaço para apresentar seus posicionamentos à reportagem original. O objetivo desta matéria não é antecipar conclusões sobre eventuais responsabilidades, mas compreender os fatos revelados pela investigação e discutir o que eles representam para o Rock e o Heavy Metal brasileiros.

Bandas de rock receberam mais de R$ 2,3 milhões, aponta investigação do Metrópoles

Manchete da matéria do Metrópoles

A investigação publicada pelo Metrópoles afirma que quatro bandas de Rock cover ligadas ao produtor Fabrício Ravelli receberam, juntas, mais de R$ 2,3 milhões. Esses cachês foram pagos pela Prefeitura de São Paulo ao longo dos últimos 15 meses. De acordo com a reportagem, os grupos foram contratados ao menos 73 vezes para apresentações em eventos promovidos pela administração municipal.

As bandas citadas são MotorRockBr, Black Tie, Rockfun Legends e Névula. Segundo a reportagem, todas foram criadas entre 2023 e 2024 e têm repertório voltado exclusivamente a covers. Elas não possuem trabalhos autorais lançados e nunca haviam sido contratadas por outros entes públicos antes dos contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo. A reportagem também destaca que, somadas, elas não alcançavam 1,5 mil seguidores nas redes sociais no momento da apuração.

Entre os casos destacados está o da MotorRockBr. A investigação aponta que a banda recebeu R$ 828 mil por 30 apresentações, chegando a cobrar R$ 30 mil por show. Conforme a reportagem, os contratos classificavam o grupo como “artista consagrado”. Esse requisito é previsto para justificar cachês acima da tabela de referência da Secretaria Municipal de Cultura. O portal ressalta, entretanto, que a banda não possui músicas autorais lançadas nem histórico compatível com esse enquadramento.

As “comprovações”

Ainda de acordo com o Metrópoles, a comprovação da “consagração pela crítica ou pelo público” era feita por meio de notas fiscais de eventos corporativos. A investigação afirma que diversas dessas notas foram emitidas para empresas parceiras ou ligadas ao próprio Fabrício Ravelli, por intermédio da agência J7, anteriormente denominada Agência RVL. A reportagem também cita apresentações realizadas em casas de shows de pequeno porte utilizadas como documentação para justificar os valores pagos nas contratações públicas.

A apuração também aborda a estrutura dos eventos realizados pela Prefeitura de São Paulo. Segundo o portal, as apresentações contavam com infraestrutura da São Paulo Turismo (SPTuris), cuja gerência era ocupada por Rodrigo Ravelli, irmão de Fabrício Ravelli. Após a publicação das reportagens, a Prefeitura informou o afastamento do servidor e afirmou que os fatos seriam apurados pelos órgãos competentes.

Quem é Fabrício Ravelli?

Foto: Reprodução Facebook

Muito antes de ter seu nome associado à investigação publicada pelo Metrópoles, Fabrício Ravelli já era uma figura conhecida na cena do rock paulistano. Músico, produtor cultural, apresentador de rádio e idealizador de eventos, ele ganhou notoriedade principalmente com o Rock na Praça. O projeto foi criado em 2015 com o objetivo de levar shows gratuitos de rock para espaços públicos da cidade de São Paulo.

O projeto nasceu em frente à tradicional Galeria do Rock e, ao longo dos anos, cresceu em estrutura e público. Com a mudança de nome para Rockfun Fest, passou a reunir atrações de maior porte. Entre os nomes que tocaram no evento estão bandas como Angra, Korzus, Project46, Krisiun, Suicidal Tendencies, Viper, Jeff Scott Soto, Os Mutantes e Gloria. A proposta vendida era de abrir espaço também para grupos independentes.

Paralelamente à organização de festivais, Ravelli expandiu sua atuação para outras frentes. Tornou-se apresentador do programa Frequência Rock, na Kiss FM e passou a promover palestras sobre profissionalização da cena musical. Ele também intensificou sua presença como articulador de projetos culturais voltados ao Rock.

Nos últimos anos, seu discurso passou a enfatizar a necessidade de profissionalizar o mercado da música pesada, aproximando bandas, produtores e oportunidades de contratação. Foi dentro dessa proposta que surgiu a Associação Consciência Cultural, entidade criada para conectar artistas e oferecer capacitação, networking e oportunidades de atuação no mercado público e privado.

Foi justamente a atuação de Ravelli à frente desses projetos que voltou ao centro das atenções após a publicação da investigação do Metrópoles. Ela relaciona seu nome às bandas e aos eventos analisados pela reportagem.

O que é a Associação Consciência Cultural?

Foto: Reprodução Instagram

A Associação Consciência Cultural iniciou suas atividades em 2024, mas foi formalizada juridicamente em 8 de abril de 2025, com sede na zona norte de São Paulo, conforme consta em seu registro empresarial. De acordo com seu cadastro oficial, a organização tem como finalidade desenvolver atividades voltadas à cultura e à arte, incluindo a produção de eventos culturais, apresentações musicais, feiras, congressos, exposições, treinamentos e outras iniciativas relacionadas ao setor cultural.

Em sua comunicação institucional, a associação afirma ter como objetivo fortalecer a cena musical por meio da profissionalização de artistas e bandas, promovendo palestras, encontros, ações de capacitação e oportunidades de networking. Nas redes sociais, a entidade divulga regularmente reuniões voltadas a músicos, produtores e demais profissionais ligados ao mercado da música.

Outro ponto que chama a atenção é que a associação disponibiliza um cadastro gratuito para novos integrantes. O formulário de adesão disponível ao público não prevê cobrança de taxa de inscrição ou mensalidade, indicando que qualquer interessado pode solicitar sua participação.

Foi justamente essa associação que passou a integrar a investigação publicada pelo Metrópoles. Segundo a reportagem, a Associação Consciência Cultural promovia encontros e palestras voltados a bandas interessadas em participar dos eventos realizados com apoio da Prefeitura de São Paulo. A investigação afirma ainda que mensagens obtidas pelo portal indicavam que a participação nessas atividades era considerada importante durante o processo de curadoria.

A reportagem também relaciona a associação ao modelo de organização dos eventos analisados, colocando a entidade entre os principais elementos da apuração conduzida pelo Metrópoles. Os envolvidos citados na investigação apresentaram seus posicionamentos ao portal, enquanto a Prefeitura de São Paulo informou que determinaria a apuração dos fatos divulgados.

O problema vai muito além dos cachês milionários

A investigação publicada pelo Metrópoles trata de contratos públicos, valores elevados e relações que ainda necessitam de apuração. Para o Mundo Metal, porém, o caso também expõe uma contradição muito mais profunda dentro da cena brasileira. Durante décadas, músicos ouviram que ganhar dinheiro com Rock ou Heavy Metal seria praticamente impossível, enquanto uma extensa cadeia de profissionais construiu suas atividades justamente ao redor dessas bandas.

Frases como “quem faz é porque ama”, “underground é resistência”, “isso é hobby” e “não dá para viver de música no Brasil” se tornaram dogmas. Embora muitas vezes sejam apresentadas como demonstrações de paixão e perseverança, elas também ajudam a romantizar a precariedade da cena. Certamente, também desestimula músicos que pretendem encarar suas carreiras de maneira profissional.

O problema nunca foi a inexistência de dinheiro no underground. Casas de shows, bares, produtoras, assessorias de imprensa, estúdios, organizadores, influenciadores, plataformas, empresas de merchandising e associações culturais movimentam recursos graças à existência da música. O paradoxo está no fato de que, em grande parte dos casos, justamente os artistas responsáveis por criar essa música permanecem como o elo mais vulnerável da cadeia.

O peso do mundo recaindo nas costas erradas

A banda autoral paga para gravar, produzir videoclipes, divulgar lançamentos, transportar equipamentos, viajar, hospedar integrantes e manter seus instrumentos. Em determinadas situações, ainda precisa comprar ou vender ingressos para conseguir tocar. Ao mesmo tempo, parte da cena continua tratando qualquer intenção de retorno financeiro como uma espécie de desvio moral, como se profissionalismo e amor pela música fossem conceitos incompatíveis.

Curiosamente, esse discurso costuma vir direcionado quase exclusivamente aos músicos. Ninguém espera que o dono do bar trabalhe gratuitamente, que a casa de shows abra mão da bilheteria, que o assessor divulgue bandas sem receber ou que o produtor organize eventos apenas por paixão. A cobrança pelo sacrifício permanente recai sobre quem sobe ao palco e entrega a obra que sustenta todos os demais setores.

O caso revelado pelo Metrópoles não demonstra que qualquer pessoa que atue fora dos palcos esteja explorando artistas. Também não elimina a importância de produtores, casas, assessorias e entidades sérias para o funcionamento da cena. O que ele faz é tornar impossível ignorar uma pergunta: se o underground é capaz de movimentar cifras milionárias, por que tantos músicos continuam ouvindo que não existe dinheiro e que devem aceitar a precariedade como parte natural de suas carreiras?

O silêncio que mantém o sistema funcionando

Grande parte dessas práticas não é desconhecida pelos músicos. Relatos sobre venda de vagas em festivais, cobrança para abertura de shows, exigência de compra antecipada de ingressos, pagamentos por entrevistas e participação em determinados espaços de divulgação circulam há anos nos bastidores. O problema é que quase tudo permanece restrito a conversas privadas.

Muitos artistas evitam se manifestar por medo de perder oportunidades. Uma crítica pública pode significar o afastamento de uma casa de shows, a exclusão de um festival, o rompimento com uma produtora ou o fechamento de portas em determinadas mídias. Em uma cena pequena, na qual os mesmos nomes frequentemente controlam diferentes etapas do circuito, o receio de ser “queimado” não é uma abstração: ele influencia diretamente o comportamento das bandas.

A imprensa especializada também precisa fazer sua autocrítica. Em muitos casos, veículos preferem ignorar problemas internos para preservar relações comerciais, acessos, parcerias e convites. Em outros, o silêncio nasce do mesmo temor enfrentado pelos músicos: falar sobre determinados agentes pode trazer retaliações, isolamento e perda de espaço. O resultado é uma cobertura que divulga lançamentos e eventos, mas raramente investiga as estruturas que determinam quem consegue chegar ao público.

Onde está a imprensa especializada?

O episódio exposto pelo Metrópoles torna esse silêncio ainda mais incômodo. A denúncia partiu de um veículo que não pertence à imprensa de Rock ou Heavy Metal. Mesmo envolvendo bandas, produtores, eventos e recursos milionários destinados a atividades ligadas ao gênero, o assunto recebeu pouca atenção de grande parte dos portais especializados.

Essa omissão produz uma falsa impressão de normalidade. Sem acesso aos bastidores, o público pode concluir que as bandas brasileiras não avançam apenas por falta de qualidade, organização ou interesse popular. Pouco se discute sobre os obstáculos impostos por um ambiente no qual determinadas oportunidades dependem de relações pessoais, pagamentos, intermediações e estruturas concentradas nas mãos de poucos agentes.

Quando músicos não falam, a imprensa não pergunta e o público não recebe informações, práticas prejudiciais se consolidam sem resistência. O silêncio não protege a cena. Ele protege quem se beneficia da ausência de transparência e amplia a vulnerabilidade daqueles que dependem desse sistema para trabalhar.

Quando a oportunidade vira mercadoria

O problema se agrava quando oportunidades que deveriam servir ao desenvolvimento artístico passam a ser tratadas como produtos. A abertura de um grande show, a participação em um festival, uma entrevista, uma aparição em podcast ou até mesmo uma posição de destaque em determinado evento podem deixar de ser conquistas baseadas em trabalho, qualidade ou relevância e se transformar em serviços disponíveis para quem consegue pagar.

Um dos exemplos mais conhecidos é a venda de vagas para bandas de abertura. A prática teve confirmação publica pelo empresário Paulo Baron durante uma participação no canal do jornalista Régis Tadeu, ao explicar aspectos do mercado de shows nacionais e internacionais. O pagamento teve como justificativa o investimento em exposição. Nessa lógica, existe a transferência para o artista local de parte dos custos e dos riscos de um evento sobre o qual ele inegavelmente possui pouco controle.

O mesmo princípio aparece quando bandas precisam adquirir grandes quantidades de ingressos para garantir um espaço no palco. Na prática, o grupo deixa de ser contratado como atração e passa a funcionar também como vendedor do evento. Caso não consiga repassar as entradas, o prejuízo fica com os próprios músicos, que ainda precisam arcar com transporte, alimentação, equipe técnica, bem como manutenção dos equipamentos.

Um grande balcão de negócios

Também existem relatos recorrentes de cobranças para participação em entrevistas, podcasts, coletâneas, premiações e espaços de divulgação. Nem toda ação comercial desse tipo é necessariamente abusiva: publicidade, serviços de assessoria e conteúdos patrocinados fazem parte de qualquer mercado profissional. O problema surge quando o pagamento não é informado ao público, quando é apresentado como reconhecimento editorial ou quando se torna uma condição velada para que o artista tenha acesso a espaços que aparentam funcionar por critérios jornalísticos.

Esse modelo cria uma cena em que visibilidade e oportunidade dependem cada vez menos da resposta do público e cada vez mais da capacidade financeira das bandas. Grupos com bons investimentos conseguem romper determinadas barreiras, enquanto artistas igualmente talentosos (às vezes mais), mas sem recursos, permanecem presos a circuitos pequenos e pouco acessíveis.

Por isso, não basta repetir que as bandas brasileiras precisam ser mais profissionais. Profissionalização não pode significar apenas exigir que os músicos invistam cada vez mais dinheiro para alimentar uma estrutura que raramente divide riscos ou resultados. Uma cena profissional também precisa de critérios transparentes, contratos equilibrados, remuneração justa e oportunidades que não sejam reservadas apenas a quem pode comprá-las.

Crescer no exterior não deveria ser a única saída

Não é por acaso que muitas bandas brasileiras que conseguem ampliar sua projeção internacional procuram estabelecer conexões fora do país. Algumas investem em turnês próprias, buscam selos estrangeiros, contratam profissionais de outros mercados ou passam a concentrar esforços em regiões onde encontram estruturas mais organizadas para circulação, divulgação e contratação.

Isso não significa que o exterior seja um ambiente livre de exploração ou que qualquer grupo brasileiro encontrará sucesso apenas por deixar o país. A questão é outra: quando uma banda sente que precisa escapar do circuito regional para ser tratada com profissionalismo, existe um problema na estrutura que deveria ajudá-la a crescer.

O investimento necessário costuma ser alto. Gravações competitivas, videoclipes, divulgação internacional, passagens, hospedagem, transporte de equipamentos e vistos podem consumir valores que poucas bandas independentes conseguem reunir. Ainda assim, muitos artistas preferem assumir esses riscos porque acreditam que terão acesso a critérios mais transparentes e a oportunidades menos dependentes de relações pessoais consolidadas durante décadas.

Inversão de valores

Enquanto isso, grupos regionais permanecem presos a um circuito no qual os mesmos produtores, casas, festivais, intermediários e espaços de divulgação frequentemente se cruzam. Essa concentração aumenta o poder de quem seleciona, contrata e distribui oportunidades, ao mesmo tempo que reduz a capacidade de reação dos músicos que dependem desse ecossistema.

Quando uma banda questiona determinada prática, ela não teme perder apenas um show. Pode perder contato com uma produtora, uma casa, um festival, uma mídia ou uma rede inteira de pessoas profissionalmente conectadas. É justamente essa dependência que transforma críticas legítimas em riscos de carreira.

O resultado é uma inversão difícil de ignorar: artistas brasileiros precisam investir cada vez mais para buscar reconhecimento fora do país, enquanto estruturas locais que deveriam fomentar seu crescimento continuam concentrando recursos, visibilidade e poder de decisão. A cena não perde apenas bandas. Perde repertórios, públicos, empregos e a possibilidade de construir um mercado autoral mais forte e sustentável.

Ficar em silêncio também é uma escolha

O caso revelado pelo Metrópoles pode ser tratado apenas como uma denúncia envolvendo contratos públicos, bandas desconhecidas e cachês milionários. No entanto, ignorar o que ele representa para o restante da cena seria desperdiçar uma oportunidade rara de discutir um sistema que há anos opera longe dos olhos do público.

O Rock e o Heavy Metal brasileiros não precisam de mais romantização da precariedade. Precisam de transparência, profissionalismo, critérios claros e, sobretudo, coragem para enfrentar práticas que reduzem as chances de crescimento das bandas autorais. Produtores, casas de shows, assessorias, mídias, associações e artistas são partes legítimas dessa cadeia, mas nenhuma relação saudável pode ser construída sobre medo, silêncio e dependência.

Apontar problemas não enfraquece o underground. Pelo contrário: enfraquece quem explora suas fragilidades. Ficar quieto, por outro lado, permite que as mesmas práticas se repitam com mais frequência, mais dinheiro e menos resistência. Se existe uma cena que vale a pena defender, ela precisa começar valorizando justamente quem cria a música.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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